Este é o sertão. O senhor mire e veja: é onde os pastos carecem de fecho. O nonada ontem, o tudo das promessas hoje. O progresso humano, esperável. Sinta: um punhado quente de vento passante entre duas palmas dispostas em leque: é o buriti: verde que afina e esveste, belimbeleza. E permeando o chão de Buritizeiro e Pirapora correm águas do São Francisco. Carrancas lindas e medonhas. Ter medo? Medrar? Rio de onde sai o “caboclo dágua” para se vingar. Não me diga que o senhor assisado e instruído acredita na pessoa dele? Rio que teve aquele barco-barcão-enorme: o Benjamim Guimarães - que navegava belezas. O senhor constate: ele foi feito nos Estados Unidos; antes navegava no Mississipi? O senhor mire e veja.
Essa é a terra do visto e do imprevisto. Do sol e da lua, juntos. Em 1947 o mundo inteiro veio acampar nessa região de Minas. Não se falava de outra coisa: em 20 de maio o alumbramento: o eclipse total do Sol. Apenas 5,2 minutos. Eu menino, lembro. Um tempo formidavelmente longo e precioso para os especialistas, que trouxeram lentes para ver o mais importante fato astronômico depois da II Guerra Mundial.
Essa região parece brilhar de novo, agora economicamente. Não bastasse ser cenário de obras de Guimaraes Rosa, é de Paracatu a nobreza dos Mello Franco. E é dessas montanhas, de Montes Claros, que brilhou o alucinado - Darcy Ribeiro. Foi Bocaiúva que gerou o predestinado Betinho, que de guerrilheiro passou a articulador do programa Fome Zero.
Heim? Olhe: o rio Carinhanha é preto, o Paracatu é moreno, mas belo, é o Urucuia - paz das águas. O senhor sabia que Urucúia é o rio das águas vermelhas? Pois tem ali até essa cidade habitável - Águas Vermelhas.
O cumpadre se aquiete: os lugares estão sempre aí em si, para confirmar. Se encontrar de repente Manuelzão, o contador de estórias, se assente, e ouça. Esse é o lugar.
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