Das estórias de Dona Beja (lá em Araxá) uma das mais conhecidas é esta: certas senhoras incomodadas com a presença daquela mulher "perdida" que tinha hábitos pouco convencionais, mandaram-lhe um dia uma estranha caixa como se fosse um presente. Ao abri-la Dona Beja notou que o conteúdo era um monte estrume. Evidentemente ficou chocada. Mas resolveu dar uma resposta inversamente proporcional à ofensa. Mandou colher rosas, botou-os dentro de uma caixa e despachou-as para as referidas senhoras , com um bilhete: "Cada um dá o que tem".
Dona Beja viveu em Araxá no século XIX. Naquela casa colonial, que hoje é museu, estão roupas, móveis, utensílios de cozinha e fotos de sua lendária figura. As aventuras e desventuras da bela Ana Jacinta viraram novela de televisão, Dona Beja virou Maitê Proença. Assim o público reviveu a paixão da linda jovem pelo fazendeiro Manuel Sampaio e o famigerado sequestro de que foi vítima pelo ouvidor do rei Joaquim Inácio Silveira da Motta.
Mas o que em geral não se sabe é que o mapa de Minas foi alterado por causa dessa paixão. Diz o historiador Pedro Divino Rosa que o raptor da jovem, para escapar da condenação por sequestro de menor e outras falcatruas, facilitou a negociação para que o território que pertencia a Goiás, conhecido como Farinha Podre, voltasse à capitania mineira.
Se Dona Beja é uma lembrança preciosa da memória dos mineiros, é bom que se saiba que um dos maiores diamantes do mundo foi descoberto em Estrela do Sul, cidade da região do Paranaíba. Corria o ano de 1853 e quem o encontrou foi uma escrava. Tinha 261,38 quilates e a forma de uma almofada. Passou pelas mãos de franceses, de holandeses e pertenceu até ao lendário e riquíssimo Marajá de Baroda.
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