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Satélites ajudam a produção no cerrado Agricultura de precisão permite a produtores tirar o máximo da terra no Alto Paranaíba. Além do agronegócio, carro-chefe da economia, região investe na mineração do nióbio e no turismo

Zulmira Furbino -

Publicação: 06/10/2011 11:06 Atualização: 06/10/2011 11:14


 (Mário Castello)


Uma das menores regiões de planejamento do estado de Minas Gerais, o Alto Paranaíba é uma terra de prosperidade movida pelo agronegócio. Da riqueza gerada por seus 31 minicípios - um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 10,4 bilhões -, 80% vêm da cadeia de atividades ligadas à produção, prestação de serviços e comercialização de produtos como café, milho, soja, leite, queijo, fruticultura tropical, tomate, cenoura e batata. Os polos produtores se articulam em torno das cidades de Patos de Minas, Araxá e Patrocínio. A tecnologia tem papel fundamental no avanço das culturas no cerrado. "A produção é toda tecnificada. A tecnologia hoje é fundamental. Trabalhamos com agricultura de precisão, com análises detalhadas do solo", diz Gaspar dos Reis Pereira, que há 22 anos gerencia a Fazenda Santo André, no município de Pratinha.

Na propriedade que Pereira administra, uma área de 1.800 hectares, incluindo reserva legal e Área de Preservação Ambiental (APP), as máquinas de aplicação de nutrientes são guiadas por satélite. Isso significa que elas regulam sozinhas a quantidade de calcário, cloreto de potássio e gesso para que a terra possa render o que se espera dela. "Estamos sempre investindo em tecnologia. A próxima safra de café receberá irrigação por gotejamento." Ali se produz o café do Cerrado - uma variedade de café que se beneficia da altitude da região, dos seus verões quentes e úmidos e dos inverno secos e moderados. A safra 2010/2011 da fazenda rendeu 120 mil toneladas, ou 2.000 sacas. Dessas, 70% foram destinados à exportação para países como Itália e Canadá. Produtos de outras culturas, como milho e feijão, ficam no mercado interno.

Além da produção agrícola, há outras atividades na fazenda. Uma é um haras para a produção de muares e de equinos, com 35 animais. Outra é o gado nelore, pura origem. Os machos são vendidos para reprodução e as fêmeas, matrizes leiteiras. Todo o leite vai para a produção de queijo canastra. Há também gado para engorda e plantio de eucalipto. "A diversificação dá mais segurança ao produtor", explica Pereira.

A produção do Alto Paranaíba é resultado da modernização da agricultura brasileira que ocorreu a partir do final da década de 60 e que estendeu a fronteira agrícola para as regiões do cerrado. "Até 1960 não havia tecnologia de ocupação para o cerrado. Foi a tecnologia que permitiu a incorporação dessa região", explica Clélio Campolina, reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em economia regional. Ele lembra que o primeiro grande programa de desenvolvimento veio pelas mãos de empreendedores japoneses. Depois o uso da tecnologia se tornou padrão, para todos os tipos de plantio e propriedades, indo desde as grandes fazendas e empresas até as propriedades de exploração familiar. A localização estratégica do Alto Paranaíba em relação aos mercados consumidores facilita o escoamento da produção e contribui para a prosperidade geral. "Corre muito dinheiro na região", resume o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado de Minas Gerais, Elmiro Alves Nascimento.

Em menor escala que a agricultura, a exploração mineral também contribui para a fazer o dinheiro correr no Alto Paranaíba. A principal atividade nesse segmento é a mineração do nióbio, metal usado em ligas de aço para a confecção de dutos de longa extensão, para transporte de água ou petróleo, o que lhe garante um mercado consumidor firme. O Brasil é produtor quase exclusivo de nióbio - foram 80 mil toneladas em 2010, ou 96% da produção mundial -- e Minas Gerais contribui com 56% desse volume. As reservas mineiras estão em Araxá. Segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o subsolo da região abriga 75,08% das reservas brasileiras do metal (632,4 milhões de toneladas). A exploração é feita pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), a maior produtora de nióbio do planeta.

Outra atividade que gera riquezas no Alto Paranaíba é o turismo, com destaque para o Circuito da Canastra e as Termas de Araxá. Com 33 mil metros quadrados de área construída, o Grande Hotel de Araxá, administrado pelo grupo Tauá e inaugurado por Getúlio Vargas em 1944, é o grande atrativo do município. O desafio agora é aproveitar a localização estratégica em relação aos grandes mercados nacionais - São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia e Belo Horizonte - e fazer de Araxá uma subsede da Copa do Mundo de 2014. "Foi do Grande Hotel que a Seleção Brasileira saiu para se consagrar campeã do mundo de 1958", diz o prefeito da cidade, Jeová Moreira da Costa.

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