A economia de Minas Gerais, famosa pelas riquezas de seu subsolo, agora sonha com riquezas que podem chegar pelo ar. Esse desejo está materializado no projeto do Vetor Norte, estruturado em torno do Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte. "O Vetor Norte tem potencial para gerar, dentro de 20 anos, o equivalente a toda a riqueza produzida em Minas", diz Luiz Antônio Athayde Vasconcelos, subsecretário de Investimentos Estratégicos do Estado. O projeto é inspirado em experiências de cidades como Singapura, Hong Kong, Frankfurt e Miami, onde aeroportos são uma das vias principais do trânsito de bens e serviços. Belo Horizonte tem tudo para abrigar um projeto como esse: espaço para implantação das empresas, infraestrutura urbana desenvolvida, posição geográfica privilegiada, proximidade de polos tecnológicos e universitários. O plano do governo é estruturar em volta do aeroporto um cinturão de empresas de primeira classe, cujos produtos sejam tão valiosos que possam ir e vir de avião.
As candidatas a ocupar esse espaço são empresas de setores com alto índice de tecnologia embarcada, como a indústria aerospacial e de defesa, e aquelas ligadas às chamadas ciências da vida: nanotecnologia, biotecnologia, equipamentos médicos, produtos farmacêuticos, softwares, componentes eletrônicos. Centros de serviços especializados, como os de diagnósticos médicos por imagem computadorizada, que podem atrair pacientes endinheirados do mundo todo, também estão no radar da área de planejamento do governo. Outras atividades, ligadas à logística e à distribuição, viriam naturalmente para a região e, espera-se, acompanhando as empresas crescerá o turismo de negócios — por isso, o Vetor Norte deverá ganhar 15 grandes hotéis. Os investimentos previstos para realizar essa aerotrópolis, que abarcará 13 municípios, entre eles Betim, Contagem, Lagoa Santa, Confins e Pedro Leopoldo, serão de cerca de US$ 22 bilhões, segundo o estudo feito pela empresa de consultoria Jurong, de Cingapura, por encomenda do governo de Minas.
O projeto do Vetor Norte reforça o papel de Belo Horizonte e da Região Metropolitana como a área que concentra a maior parte da atividade econômica e, portanto, da riqueza, na região Central – 72,5% dos R$ 79,9 bilhões que a região gera por ano. O cinturão industrial em seu entorno, incluindo os municípios de Contagem e Betim, concentrado na indústria automotiva e no refino de petróleo, é um dos mais importantes do país. Também se concentram nas proximidades de Belo Horizonte as áreas de mineração que até 2015 deverão absorver 33,4% dos investimentos da atividade no Brasil – uma bolada de R$ 55 bilhões, segundo dados da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). Essa riqueza concentrada em torno de BH é o retrato do desafio da economia da região Central. “O processo de desenvolvimento a Região Central não é homogêneo”, observa Flávia Chein, professora adjunta do departamento de Economia da Universidade Federal de Juiz de Fora.
Uma realidade diferente se encontra a 303 quilômetros da capital, em Morada Nova de Minas, no vale do rio São Francisco. O município repousa sobre uma jazida de gás natural. Sua exploração, porém, depende de outras iniciativas – como a de trazer para a região projetos de instalação de termelétricas a gás. A esperança de que isso ocorra em breve alimenta sonhos e investimentos mais modestos, como os da empresária Tânia Maria Pereira Valadares Dorneles, dona do posto São João Bosco e de duas pousadas. “No posto, já oferecemos quartos. Faremos mais 12 suítes, sete lojas e vamos ampliar a borracharia. Antes do gás a gente já tinha essa vontade. Agora, com a perspectiva de exploração, queremos sair na frente da concorrência”, diz ela.
No outro extremo da Região Central, a expectativa se concentra na possibilidade de explorar outras riquezas de Minas – a cultura, a história, a arte, a culinária. Exemplo disso se vê em São João Del Rei, onde a indústria local de peças de estanho quer obter, do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), a indicação oficial de procedência dos seus produtos. A ideia é criar um selo para as peças artesanais fabricadas na região. “Isso nos garantirá uma indicação geográfica com o mesmo valor de produtos como vinho Bourdeaux ou presunto di Parma”, explica Antônio Batista da Silva, sócio da Faeman, que produz peças em estanho e tem como carro-chefe a linha litúrgica.
Em Tiradentes, os festivais de Gastronomia (setembro) e de Cinema (última semana de janeiro) atraem até 60 mil visitantes para a cidade, que tem 7 mil habitantes. Eles movimentam não só hotéis e restaurantes, mas uma indústria sem fumaça que vai desde a produção de estanho à fabricação de móveis, passando pela arte dos santeiros, pelo artesanato e pela tecelagem. Animada com esse burburinho, a economia de municípios como Prados (esculturas em madeira), Lagoa Dourada (móveis), Rezende Costa (tecelagem), Lagoa Dourada (móveis e rocambole), Bichinho (artesanato), entre outros, prospera. “De Santa Cruz de Minas até Tiradentes é só loja. O comércio aqui cresceu muito”, diz o prefeito de Tiradentes, Nílzio Barbosa.
Esta matéria tem: (39) comentários
Autor: leonardo andrade
Sobre a corrupção em Brasília não se esqueçam que tem 53 Deputados de Minas Gerais. A 2ª maior bancada é mineira! A corrupção vai dos estados prá lá. Sou mineiro e reconheço isso. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Sei que BH não é mil maravilhas. Mas a nível BRASIL, é uma das melhores grandes cidades pra se viver, juntamente com Curitiba e Porto Alegre. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Brasília mesmo, o aviãozinho, só tem 250 mil habitantes. E mesmo no aviãozinho, a corrupção é tão grande que até as calçadas mais básicas estão todas destruídas. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Mesmo Brasília.... lá a corrupção é muito grande, e muito pior do que aqui. Educação lá é um lixo. Não é atôa que BH tem 17 escolas que figuram entre as 100 melhores do país, e Brasília só tem uma. Enfim, conheça uma cidade satélite e verá a realidade. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
E realmente, há muito descompromisso dos "órgãos (in)competentes", e realmente a cidade passou por um período de baixa, mas isso foi um fenômeno nacional. Se você conhece pelomenos outras 3 metrópoles brasileiras sabe do que estou falando. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Os Festivais de Jazz da cidade são patrocinados pela iniciativa privada, e nada tem haver com o fundo estadual de incentivo à cultura. O FIQ sim, recebe fundos do governo, e fundos merecidos, pois o dinheiro é muito bem investido. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Passei minha vida toda naquela cidade cara, na boa, incomparável com BH. Todos os belorizontinos e mineiros que nela moram não gostam; na boa, se quer sair de BH vá pra outro lugar, Brasília não. Fica aí a dica. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Planejamento urbano não é colocar todo mundo num aviãozinho feito com quadras frias, idênticas e sem personalidade, jogando todos os pobres pra bem longe, pra habitarem cidades satélites em condições precárias e sem infra-estrutura alguma. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Eduardo, realmente Brasília é uma cidade mais verde. Mas não porque tem mais praças ou parque, muito pelo contrário. É mais verde porque é uma cidade muito mal planejada, espalhada demais, sem adensamento urbano... aí a lama corre solta mesmo. | Denuncie |
Autor: Eduardo Fonseca
este fundo destina-se para os grupos que nao possuem expressao e carecem de apoio. Sera que os comerciantes e lojistas da Savassi nao se interessariam em apoiar o festival? O que vejo aqui é uma inversao de valores: hoje, a cultura foi substituida pelo entretenimento pois é muito mais lucrativo. | Denuncie |
Autor: Eduardo Fonseca
o gramado do vizinho seja mais verde, afinal, eu acho Brasilia uma cidade muito mais verde que BH e talvez um dia eu me mude para la. Sobre os festivais de Jazz, é verdade: ha 4. Mas veja que curioso, eles sao patrocinados pelo FUNDO ESTADUAL de cultura e um dele ocorre na Savassi, sendo que .. | Denuncie |
Autor: Eduardo Fonseca
Ola srs. Charles e Guilherme. Pena que os 300 caracteres sao poucos para uma discussao fervorosa e ao mesmo tempo em tom respeitoso. Como eu moro aqui ha 40 anos, pude ver o descompormisso dos orgaos (in)competentes e degradaçao dessa cidade que, um dia, realmente valia a pena morar. Talvez, (cont) | Denuncie |
Autor: Nelson Gusmao
Itamarandiba, capital brasileira do eucalipto, lugar certo pra instalação de indústrias de base florestal e que devia ser melhor analisado pelas agências de desenvolvimento do governo. Grande parte do PIB de países modernos como Finlândia, Suécia e Canadá vem de atividades de base florestal. | Denuncie |
Autor: Nelson Gusmao
Junto a este plano tem que se criar um plano industrial pro Jequitinhonha, com vantagens tributárias pra instalação de empresas na região. Chega de paliativos e programinhas de construção de casas de farinha, criação de cabras e outros. Estamos no século XXI , o mundo caminha passos largos, inovem | Denuncie |
Autor: Nelson Gusmao
Acho engrandecedor para Minas este projeto, as cidades envolvidas são merecedoras, mas o governo mineiro devia ter um plano mais impactante pra regiões como o Vale do Jequitinhonha e um programa mais moderno de redução de dasigualdades e não um plano paliativo como o PCPR que não resolve nada. | Denuncie |
Autor: Luciana Grimaldi
Concordo com varios aspectos dos comentarios do Charles TA'rres, mas Londres e Nova Iorque continuam sendo os centros financeiros mais importantes do mundo... e nao Toquio, como afirmado. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Aliás, um dos principais motivos de eu ter vindo morar em BH foi justamente sua atmosfera cultural. Trabalho nessa área e posso dizer com toda a certeza que BH é uma das cidades mais fortes na cena cultural do país, tanto na exportação quanto importação de cultura. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
E você ainda me diz que não temos parte cultural fortalecida? Fala sério meu amigo. Eu sou do DF e você não faz idéia do que é uma cidade sem efervescência cultural, como Brasília. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Quanto à Cultura, meu caro, temos 4 grandes festivais de Jazz anuais, sendo 2 deles gratuitos, temos o maior festival de teatro de rua e de palco da america latina, temos um dos maiores festival de quadrinhos do planeta, o maior grupo de dança do hemisfério sul, o maior grupo de teatro do Brasil... | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Quanto às praças, realmente algumas não são mil maravilhas, mas estamos muito acima da média nacional. Temos praças maravilhosas, parques gigantescos. As coisas estão melhorando aos poucos. Se você conhecer outras grandes cidades brasileiras poderá ver que BH está muito acima da média. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Na verdade, Tóquio é designada como uma metrópole como um todo. Uma metrópole chamada Tóquio. Como acontece quando chamamos BH de Grande BH. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
...que pode abranger diversas entidades administrativas. Tóquio, por exemplo, embora seja considerada o maior e mais importante centro financeiro do mundo, ela não é, tecnicamente, uma cidade. Não há no Japão uma cidade chamada "Tóquio" | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Eduardo, eu disse "terceira maior METRÓPOLE do país". Com 4.8 milhões de habitantes, BH é de longe a terceira maior metrópole do pais. E poderia dizer também "terceira maior cidade do país" pois "cidade"a palavra "cidade" é usada para descrever uma área de urbanização contígua... | Denuncie |
Autor: Guilherme Gomes
(Cont.) Economicamente, BH só é 3ª colocada porque ao contrário do RJ seu estado é grande, e a economia não é centralizada, mas considerando a zona de influência econômica de BH, o RJ não exerce metade da influência. Estude melhor um assunto antes de expor uma opinião de visão tão limitada. | Denuncie |
Autor: Guilherme Gomes
Caro Eduardo, desculpe-me pela intromissão, mas, o Charles está certo quando diz 3ª maior metrópole do país, pois quando se diz metrópole, se levam em consideração diversos fatores, inclusive a região metropolitana, que, a de BH, por sua vez, tem 4,8 milhões de habitantes segundo o datafolha. | Denuncie |
Autor: Alexandre Reis
O que a reportagem não esclarece é o que de fato será feito para viabilizar o projeto: Será oferecido isenção de imposto para atrair as empresas ou alguma outra vantagem. Se sim acho benéfico, pois essas empresas atraem empregos e desenvolvimento na região. Mas a reportagem carece de esclarecimento. | Denuncie |
Autor: Eduardo Fonseca
Continuando, sr. Charles. Vc ja viu a praça ABC? Recentemente DESTRUIRAM a praça Sao Vicente. Hoje, praça = cruzamento ou rotatoria, ou vc tem algum orgulho da sua Praça 7? Vamos à Cultura? Onde está o dinheiro que deveria ir para a cultura? Varios projetos foram aprovados, mas quem quer patrocinar? | Denuncie |
Autor: Eduardo Fonseca
Caro Charles, permita-me discordar. Segundo os dados da WIKIPEDIA "em 2010, sua população era de 2 375 444 habitantes, sendo a sexta cidade mais populosa do país. Hoje a cidade tem o quinto maior PIB entre os municípios brasileiros". Praças? Quais? ALguem aqui ja viu a praça da Savassi? (Eu nunca!) | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Eduardo Fonseca, Minas Gerais é o estado que mais valoriza sua cultura em todo o país, assim como Belo Horizonte. Nossas praças são muito bem cuidadas, vide Praça da Liberdade, Praça do Papa, Raul Soares... a praça da Savassi está sendo reestruturada... enfim, seu comentário é vazio e desinformado. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
Tá certo que ainda tem muito à melhorar, mas sua infra-estrutura é uma das melhores do país em vários seguimentos; eventos, esportes, comércio, gastronomia, transportes. PAREM de achar que a grama do vizinho é mais verde e tentem valorizar as coisas boas de Belo Horizonte ao invés de só criticar. | Denuncie |
Autor: Charles Tôrres Tôrres
É impressionante a falta de informação e desconhecimento dos fatos nos comentários que leio por aqui. BH é a TERCEIRA MAIOR METRÓPOLE DO PAÍS, terceiro maior polo industrial, comercial e econômico. Figura entre as 60 maiores metrópoles do mundo e ainda tem gente chamando ela de roça iluminada!!! | Denuncie |
Autor: Eduardo Fonseca
Sinceramente, NINGUEM desta corja está preocupado com a cidade. Sua ganancia cega os impele apenas para ganhar/roubar mais dinheiro. Se olharem para as grandes metropoles de todo o mundo, perceberao que o que ha de mais valor sao suas praças, seus rios, sua arquitetura e sua rica CULTURA. | Denuncie |
Autor: milton alberto albuquerque
Andre Lemos. Voce tem razão. Copiar é bem mais fácil que criar. MG não é são Paulo, nem Rio. MG é MG. montanhosa e como vc disse falta tudo ou melhor falta infra estrutura. | Denuncie |
Autor: Andre Lemos
Em BH,ficm tentando imitar o mundo todo e algumas capitais nossas onde acertaram,mas são incapazes de ter uma visão futura própria,pela prória caracteristica geográfica de montanhas,Faltam tuneis,rodovias aereas,etc.Os engenheiros da prefeitura devem ter feito curso por correspondência> MUDA BH!!!! | Denuncie |
Autor: Andre Lemos
O governo não faz nada,fica sonhando com metrópole,B,Hte é,e sempre será uma fazenda iluminada.Enquanto existir engenheiros como no BHTRANS e outros orgãos,estamos ferrados.Desconhecem totalmente traçados de cidades.Ficam fazendo gambiarras.Falta visão.As minerações fazem o que querem nas estradas | Denuncie |
Autor: Jose Geraldo da Silva
MUITO BOM OS PROJETOS, MAS SE NÃO DAMOS CONTA DE ESTENDER O TREM DE METROPOLITANO ATÉ O AEROPORTO DE CONFINS/LAGOA SANTA/VESPASIANO, COMO É QUE VAMOS IMPLANTAR OS PROJETOS. OS OPERÁRIOS PRECISAM SER TRANSPORTADOS, E OS OUTROS FUNCIONÁRIOS? VEJA OS PROBLEMAS DA CIDADE ADMINISTRATIVA. É POR AÍ. | Denuncie |
Autor: Dorinha Dorinhalvarenga
Para ser uma metrópole BH precisa ser capaz de atender as demandas locais e mundiais, enquanto a mineraçào predatória for nosso carro chefa na economia, estaremos colocando todos os ovos em uma unica cesta.Interessante a iniciativa da Aerotrópolis!!! | Denuncie |
Autor: Luciana Grimaldi
''Poder'' gerar toda essa riqueza mencionada no artigo, pode... resta saber se o governo vai efetivamente contribuir para viabilizar as ideias, ou vai se enrolar em politicagens e impedir o desenvolvimento. | Denuncie |
Autor: Fábio Lima
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