Publicação: 07/09/2011 12:47 Atualização: 14/09/2011 17:19
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| Peão tocando o gado em São Roque de Minas, na Serra da Canastra. |
Esta foi a profecia que o botânico Sainte Hillaire fez sobre o Centro-Oeste de Minas em 1819: "Cidades florescentes tomarão o lugar de cabanas miseráveis, onde apenas eu encontrei abrigo, e nesse porvir os seus habitantes hão de ver nos escritos dos viajantes não só como as cidades principiaram, mas também como nasceram os menores lugarejos. Tomadas de espanto as gentes saberão que onde ressoa o ruído dos martelos e das mais complicadas máquinas, só se ouvia outrora o coaxar de batráquios e o canto dos pássaros; onde imensas plantações cobrirem a terra, dantes cresciam árvores, admiráveis, muitas delas inúteis pela abundância. Olhando regiões percorridas por locomotivas, talvez por veículos ainda mais possantes, os homens vão sorrir, ao ler que noutros tempos se considerava feliz quem durante um dia inteiro lograva avançar quadro ou cinco léguas”.
Referia-se a essa região que agora inclui Itaúna (do historiador João Dornas Filho), Dores de Indaiá (do poeta Emilio Moura e do cientista politico Bolivar Lamounier), Divinópolis (da poeta Adélia Prado), Pitangui (de Gustavo Capanema), Papagaio (do escritor Bartolomeu Campos Queirós). Enfim, essa parte de Minas por onde passaram paulistas buscando o ouro no século XVIII e os tropeiros que iam para Goiás. Aí reluzem nomes poéticos como Cristais, Luz, Maravilha, Fidalga, Lagoa da Prata e, em Santo Antônio do Monte, espantosamente, há uma feérica e portentosa indústria de fogos de artificio que iluminam as festas dos boi-bumbá em Parintins, na Amazônia.
Se ali perto, na Serra da Canastra está a nascente do Velho Chico, é também dessa região a mulher que pariu praticamente toda a política brasileira. Refiro-me à mítica Joaquina do Pompéu, matriz de inúmeros politicos brasileiros de antes de 1964: Benedito, Magalhães Pinto, Francisco Campos, Roberto Campos, Affonso Arinos de Mello Franco, Gustavo Capanema e dizem que até Getulio Vargas. Por irônica fatalidade, até a politica depois de 1964 passa por ela, já que um dos seus oito sobrenomes, herdado de nobres portugueses, era Castelo Branco.
Casada aos 12 anos, suas 11 fazendas eram maiores que muitos países europeus. Quando a corte portuguesa refugiou-se no Brasil, em 1808, ela mandou carne, feijão e farinha para alimentar os 15 mil novos habitantes que não tinham o que comer.
Não é de hoje que o interior abastece as capitais com comida e gente de qualidade.
Esta matéria tem: (1) comentários
Autor: sandra pereira
Adoro estas historias, sou de Dores do Indaia acompanho tudo que diz respeito a minha cidade. Parabéns! | Denuncie |