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Regiões apostam em novas vocações para crescer

Zulmira Furbino -

Publicação: 31/08/2011 19:28 Atualização: 07/09/2011 16:58

Pesquisador exibe os nanotubos de carbono, produto desenvolvido em Minas e que será produzido em escala industrial de forma pioneira em BH (Mário Castello)
Pesquisador exibe os nanotubos de carbono, produto desenvolvido em Minas e que será produzido em escala industrial de forma pioneira em BH


Uberaba, no Triângulo Mineiro, sonha com a instalação da fábrica de amônia da Petrobras. Na região Norte, o projeto Jaíba transformou a produção de frutas irrigadas em fonte de renda e empregos — só no ano passado, foram criados lá 18.500 empregos. Em Morada Nova de Minas, na Região Central, o que se espera é que comece logo a prometida exploração do gás natural. Na Zona da Mata, Juiz de Fora se prepara para fornecer produtos e serviços para a extração do petróleo do pré-sal. "Para explorar o pré-sal é preciso ter tubos e cérebros. Essas duas coisas, Minas tem", diz a secretária de Desenvolvimento Econômico, Dorothea Werneck, citando a definição que ouviu de um empresário mineiro.

São essas mudanças e avanços da economia mineira que o Estado de Minas mostra a partir de hoje em uma série de 12 reportagens especiais nas edições de quinta-feira. E mesmo no velho e conhecido setor da mineração, o estado busca novas fontes de riqueza. A Vale, por exemplo, pesquisa no momento jazidas do mineral conhecido como "terras raras" em Uberaba, Uberlândia e Araxá. Ele é usado em superimãs, telas de tablets, computadores, celulares, no processo de produção da gasolina e em painéis solares.

A tecnologia é outra aposta da economia mineira. O polo de tecnologia e biotecnologia da Região Metropolitana de Belo Horizonte, cuja missão é transformar conhecimento em tecnologia e produtos, inaugura em setembro o Parque Tecnológico, o BHTec. Ele terá a primeira planta industrial brasileira a produzir nanotubos de carbono. Adicionados ao cimento, na proporção de 0,5%, os nanotubos aumentam em até 30% suas propriedades mecânicas. São usados também para conferir resistência e flexibilidade a grandes dutos, como os usados na exploração de petróleo em águas profundas.

"É um segmento econômico de ponta, em que estamos à frente em pesquisa e produção", diz Marcos Pimenta, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT). O projeto é um passo necessário para concretizar o sonho de usar a tecnologia para impulsionar a indústria. "Estamos no caminho certo, rumo a uma indústria de base mais tecnológica", observa Clélio Campolina, reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e especialista em planejamento regional.

A proximidade com grandes mercados de consumo explica a vocação industrial de regiões como Sul de Minas, onde a pouca disponibilidade de terrenos para investimentos já é um problema, segundo os técnicos do Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (Indi). Em outras, como Rio Doce, a novidade são as demandas da indústria naval brasileira, que tem mobilizado não só as grandes, mas também pequenas e médias empresas.

Arranjos produtivos

Regiões mais distantes dos centros de consumo procuram diversificar a produção apoiadas em arranjos produtivos locais – aglomerados de empresas por segmento de produção. Assim o Centro-Oeste investe em polos produtivos de calçados, móveis, fogos de artifício, cerâmica, fundição e siderurgia. No Noroeste, ao lado das produções de zinco e ouro, floresce o agronegócio com a fruticultura (banana), a pecuária (boi verde), o reflorestamento e a produção de oleaginosas. No Jequitinhonha-Mucuri, a produção de gemas e jóias e a indústria extrativa de rochas ornamentais movimentam a economia, juntamente com café, cana-de-açúcar, leite e carne.

Atrair investimentos para o desenvolvimento regional é um dos grandes desafios do estado. Estudioso do assunto, José Frederico Álvares, presidente do Indi, recomenda que as regiões invistam na preparação da força de trabalho. "Regiões que oferecem estrutura para treinamento profissional têm enorme vantagem sobre as concorrentes na disputa por investimentos".


Produção artesanal quer profissionalização

Preocupados com a formalização e a organização do seu negócio, produtores do tradicional queijo Minas se organizam num esforço para a formalização e profissionalização de sua atividade. O trabalho é coordenado pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater) por meio do programa Queijo Minas Artesanal, feito de leite cru, não-pasteurizado, nas regiões de Araxá, Canastra, Cerrado, Serro e Campo das Vertentes.

Uma lei estadual regula a atividade e incentiva os produtores ligados ao programa, todos cadastrados junto ao Instituto Mineiro de Agricultura (Ima). A ideia da profissionalização dos negócios também mobiliza empresários de municípios do entorno de Tiradentes e São João del Rei. O objetivo é criar mecanismos para atrair e aumentar o tempo de permanência dos turistas na região, aumentando o seu potencial de geração de riquezas associado ao setor de serviços. "A indicação de procedência de produtos artesanais com origem geográfica é semelhante ao reconhecimento de um vinho de origem internacional, do presunto parma e do champagne. Atrai turistas e dá credibilidade ao produto", observa Antônio Batista Silva, sócio da Faeman, que produz objetos de estanho em São João Del Rei.

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