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Indicadores de Desenvolvimento Sustentável » Fauna e flora brasileiras têm mais de mil espécies ameaçadas, 544 só na Mata Atlântica IBGE divulga indicadores durante a Rio+20 e destaca crescimento de espécies invasoras

Letícia Orlandi

Publicação: 18/06/2012 13:46 Atualização: 18/06/2012 14:49

Algumas espécies de sagui trazidas de outras regiões competem com animais da região centro-sul, provocando desequilíbrios (Beto Novaes/EM/D.A. Press)
Algumas espécies de sagui trazidas de outras regiões competem com animais da região centro-sul, provocando desequilíbrios

A fauna brasileira tem 627 espécies ameaçadas de extinção, metade das quais “vulnerável”, ou seja, com risco de extinção na natureza, a médio prazo. Esse é um dos indicadores divulgados nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no relatório Indicadores de Desenvolvimento Sustentável. A flora possui 461 espécies ameaçadas.

As espécies arbóreas são as mais vulneráveis, pois, além do desmatamento e das queimadas, o crescimento relativamente lento dificulta a recuperação natural da destruição. A Mata Atlântica apresenta o maior número de espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção (275 e 269, respectivamente), seguida pelo Cerrado (131 da flora e 99 da fauna) e pela Amazônia (118 espécies da fauna e 24 da flora).

Os 62 Indicadores de Desenvolvimento Sustentável – IDS 2012 traçam um panorama do país em quatro dimensões: ambiental, social, econômica e institucional. Entre os ganhos, o IBGE destaca a redução, em seis anos, de cerca de 77% no desflorestamento bruto anual da Amazônia Legal, o aumento do número de áreas protegidas, a queda da mortalidade infantil, pela metade, em uma década, e o acesso crescente às redes de água e esgoto e aos serviços de coleta de lixo.

Entre os problemas, o Instituto destaca as desigualdades socioeconômicas e de gênero, além das taxas de homicídios e de acidentes de transportes. Outro ponto negativo é que valores dos poluentes do ar em áreas urbanas, embora tenham registrado declínio ou estabilidade, estão acima dos padrões estabelecidos em algumas cidades e regiões metropolitanas.

O relatório aponta que um dos maiores desafios é o do saneamento, cujos valores de coleta, destinação ou tratamento adequado de água, esgoto e lixo, ainda são baixos e estão ligados ao elevado número de internações por doenças ligadas à falta de saneamento básico, mais comuns no Norte e no Nordeste.

O documento mostrou ainda que os níveis de reciclagem são elevados, embora mais associados à atividades de catadores do que a coleta seletiva.

No levantamento de 20 indicadores que avaliam diretamente a qualidade do ar, terras e águas, o IBGE chamou a atenção para um tema menos explorado: o das espécies invasoras, que podem se transformar em pragas agrícolas ou vetores de doenças, tal como aconteceu com o mosquito da dengue, originário da África.

Veja alguns dos principais pontos dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável:

Gases poluentes: no período de 1992-2010, houve 90% de redução do consumo das substâncias destruidoras da camada de ozônio. Após o protocolo de Montreal (1987), o consumo de gases que afetam a proteção da atmosfera terrestre, os CFCs (clorofluorcarbonos) caiu drasticamente no mundo. No Brasil, em 2000, houve emissão de mais de 11 mil toneladas de gases com “potencial de destruição de ozônio (PDO)”.

Em 2010, esse número caiu para 1.200 toneladas. Mas, enquanto o uso dos CFCs caiu, cresceram as emissões de hidroclorofluorcarbonosoutro, de 623 toneladas PDO em 2000, para 1.270 toneladas em 2010. Alguns desses gases são mais potentes do que o CO2. Os desmatamentos na Amazônia e as queimadas nos cerrados somam mais de 50% do total de emissões e 75% das emissões de CO2. Sobre a concentração de poluentes do ar em áreas urbanas, houve uma redução mais acentuada das partículas totais em suspensão (PTS) e das inaláveis (PM10), mas os valores ainda ultrapassam os estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente.

Agrotóxicos e Fertilizantes: Segundo o IBGE, o modelo de desenvolvimento da agricultura brasileira, centrado em ganhos de produtividade, tem gerado aumento crescente do uso de fertilizantes e agrotóxicos. Em 2010, a quantidade comercializada de fertilizantes foi de 155Kg/hectare. Os dados mostram o crescimento das áreas de lavouras e pastagens plantadas sobre as pastagens naturais. Em 2010, a área plantada total do Brasil ficou em 65.371.447 ha, o que corresponde a 7,7% da superfície total.

Desmatamento: uma das principais ameaças aos ecossistemas brasileiros vem das queimadas e incêndios florestais, mas o número de focos de calor detectados pelos satélites, em 2011, caiu quase 50% em relação a 2010: 61.687 contra 133.133. A concentração mais extensa e recorrente ocorre no “Arco do Desflorestamento e das Queimadas”, ao sul e leste da Amazônia Legal - Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá, Tocantins, Maranhão (oeste) e Mato Grosso.

Desde 2004, a área desflorestada anualmente caiu de mais de 25.000 Km² para menos de 10.000 Km² atualmente. Apesar dessa redução nos últimos anos, a área desflorestada se aproxima hoje dos 20% da área florestal original da Amazônia. A situação de outros biomas também é crítica: da Mata Atlântica, restavam, em 2010, 12% da área total. Dos demais biomas, o Pampa apresenta o maior percentual de desmatamento 54% (em 2009), seguido pelo Cerrado que, em 2010, foi desmatado em 49%. Na Caatinga, até 2009, eram 46%, cabendo o menor valor relativo ao Pantanal, com 15%.

Rio poluído na região metropolitana de Belo Horizonte (Beto Novaes/EM/ DA Press)
Rio poluído na região metropolitana de Belo Horizonte
Oxigênio dos rios brasileiros:
dois indicadores medem a qualidade das águas doces brasileiras: a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) e o Índice de Qualidade da Água (IQA). Os altos valores de DBO e baixos de IQA, nos trechos de rios que cortam zonas metropolitanas, como o Tietê (São Paulo) ou o Iguaçu (Curitiba), refletem o reduzido percentual de tratamento dos esgotos coletados e lançados em águas interiores (rios e represas).

De modo geral, houve uma pequena melhoria nos últimos anos: 77,3% dos pontos de monitoramento do Nordeste, 80% dos pontos do Sul e 80,6% dos pontos do Sudeste têm valores médios dentro do padrão do Conselho Nacional do Meio Ambiente (0 a 5,0mg/l). Quanto ao IQA, 68,0% dos pontos do Nordeste, 71,4% do Sul e 74,3% do Sudeste apresentavam boa qualidade de água.

Áreas protegidas- as Unidades de Conservação (UCs) e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) -, onde a exploração dos recursos naturais é proibida ou controlada por legislação específica cresceram. O país contava, em 2011, com 310 UCs, abrangendo 8,8% do território nacional e 574 RPPNs.

A Amazônia detém a maior área protegida, com 16% de sua área total em UCs, das quais 8% de proteção integral, abrigando também as maiores unidades em extensão. Na maior parte dos biomas, entretanto, a área protegida é relativamente pequena e fragmentada, ficando abaixo da média mundial, de 5%. As RPPNs estão concentradas no Centro-Oeste, com 61,7% da área total ocupada por essas reservas, sobretudo nos estados de Mato Grosso (36,6%) e Mato Grosso do Sul (18,4%).

Espécies invasoras - Além da destruição e fragmentação do habitat e das práticas de extração (caça, captura e coleta), sobressai, entre as principais causas de perda da biodiversidade, a introdução e dispersão de espécies exóticas invasoras. Elas são responsáveis também por prejuízos econômicos diretos e imediatos, como no caso do mexilhão dourado. Em 2010, foram registradas 330 espécies invasoras no Brasil, terrestres e aquáticas, das quais 180 animais - com predomínio de peixes (60) e mamíferos (18) - e 146 vegetais – com maior número de árvores (58), seguindo-se ervas e gramíneas (47).

Mais de 40% das espécies são originárias da Ásia (26,1%) e da África (15,5%), mas o Brasil também aparece como país de origem no segundo lugar da lista, reunido à América do Sul e à América Tropical (18,5%, os três juntos). O sagui-estrela é um exemplo de invasor brasileiro: originário do Nordeste, foi levado para as matas do Centro-Sul como animal de estimação e compete hoje com os micos locais.

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