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Corrente do bem e da água » Campanha recolhe óleo de cozinha e doa sabão caseiro a entidades Sabão caseiro fabricado pelo funcionário público Rogério Castro leva apenas óleo usado, soda cáustica e água. Produção chega a duas toneladas e evita poluir milhões de litros de água

Letícia Orlandi

Publicação: 27/06/2012 11:24 Atualização: 23/04/2013 10:27

Em cinco anos, deixaram de ser poluídos quase dois bilhões de litros de água, segundo o idealizador do projeto (Arquivo pessoal)
Em cinco anos, deixaram de ser poluídos quase dois bilhões de litros de água, segundo o idealizador do projeto
O funcionário público Rogério Carvalho de Castro realiza, há cinco anos, uma campanha muito simples e barata, que transforma um resíduo extremamente poluente – o óleo de cozinha - em um novo produto, o sabão caseiro, reduzindo os gastos de instituições assistenciais. Agora em julho, com as doações de óleo recebidas, de 119 pessoas, ele vai completar a marca de duas toneladas de sabão produzidas.

As doações vêm de amigos, parentes e colegas de trabalho do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que recolhem o óleo e a gordura utilizados em casa. Ele ensina a receita para quem está disposto a aprender e doa o sabão caseiro a oito entidades assistenciais de Belo Horizonte.

O óleo, se despejado diretamente no ralo, provoca a retenção de sólidos, entupimentos e problemas de drenagem nas redes coletoras de esgoto. Nos rios, a película dificulta a troca de gases com a atmosfera, causando a morte de peixes. As estatísticas variam, mas um litro de óleo é suficiente para poluir, no mínimo, 20 mil litros de água.

Além disso, o resíduo aumenta em até 45% os custos do tratamento do esgoto. Rogério explica que, diante dessa situação, seu principal desafio é ampliar o alcance da campanha e divulgar a receita do sabão caseiro, aprimorada após várias experiências. “Meu desejo é que as pessoas possam replicar o modelo em seus círculos de relacionamento”, explica.

Resultados
A iniciativa "Troque seu óleo por sabão caseiro" foi lançada em 2007 e surgiu de uma necessidade particular: ter uma alternativa de destinação adequada para o óleo/gordura de cozinha. Os testes foram realizados com um grupo bem reduzido de parentes de Rogério. Mais e mais pessoas passaram a doar o óleo e a cada lote de sabão produzido, ajustes eram feitos na receita, agregando novas técnicas de fabricação e armazenamento, além de equipamentos de segurança.

A fórmula final foi alcançada em 2010, com apenas três ingredientes: óleo e/ou gordura usados, soda cáustica e água. “A cada dia tenho recebido notícias de pessoas e entidades que estão multiplicando a ideia em sua comunidade”, comemora Rogério, adepto da filosofia do “pensar global, agir local”.

Em cinco anos, deixaram de ser poluídos, potencialmente, quase dois bilhões de litros de água, segundo o idealizador do projeto. Foram recolhidos mais de mil e duzentos litros de óleo, que poderiam ir parar no esgoto doméstico. Em seus contatos com os participantes da campanha, Rogério sempre lembra a importância de reduzir a produção de lixo, reutilizar os materiais que forem possíveis e somente em último caso enviar para reciclagem ou descarte.

Essa combinação de conservação ambiental e mobilização social se mostrou uma ótima fórmula para a revitalização das águas.

Confira a receita do sabão caseiro:

 (Arquivo pessoal)
Ingredientes

7 litros de óleo de cozinha/gordura descartado, coado (Rogério sugere usar duas peneiras sobrepostas: a de cima, daquelas de plástico, redondas; e uma embaixo, daquelas de inox, cônicas, a mais fina possível);

1 kg de soda cáustica, em escamas, com 96 a 99% de pureza (em BH, pode ser encontrada no Mercado Central);

2 litros de água

Utensílios
1 balde de plástico, com capacidade ideal de 20 litros, para fazer o sabão;
1 balde de plástico, com capacidade mínima de 5 litros, para misturar a água na soda;
1 pá de plástico ou madeira, com cabo comprido, para mexer, desde que fique só para este fim (pode improvisar com uma ripa de madeira. Rogério não recomenda o uso de cabo de vassoura, pois não mistura adequadamente;
1 forma de plástico, de aproximadamente 54 cm X 38 cm X 7 cm de altura. Pode-se improvisar com uma caixa (de madeira ou papelão resistente, forrada com plástico inteiriço e sem nenhum furo);
Proteção para os olhos, mãos, braços, pernas e pés, para se evitar acidentes com a soda cáustica (luvas, óculos, máscara...)

Preparo
-Coloque o óleo/gordura já medido, no balde maior;
-Em local bem ventilado (de preferência ao ar livre), coloque a soda no balde menor, adicione a água cuidadosamente e mexa até dissolver - muito cuidado nesta hora, pois esquenta e levanta vapor, avisa Rogério;
-Logo em seguida, despeje toda a soda dissolvida sobre o óleo/gordura e mexa até mudar a consistência (creme ralo). Isso deverá acontecer por volta de 5 a 20 minutos, aproximadamente;
-Despeje na forma, cuidadosamente;
-Quando a massa já estiver firme, o que deve acontecer no dia seguinte ou até o terceiro dia - verifique apertando o dedo na massa e cuidado pra não deixar endurecer demais - corte os tabletes com uma faca inox, ainda na forma.

Rogério sugere fazer tabletes menores, pois há menos desperdício na hora do uso.

-Cortar e deixar na forma até os tabletes ficarem bem duros, para não amassarem na hora de desenformar, entre o quinto e o oitavo dia após a fabricação.
-Vire a forma sobre um pano ou plástico, no chão;
-Depois de desenformados, deixe os tabletes em local bem arejado, seco e na sombra, bem espalhados, forrados com um plástico. Você pode empilhá-los na própria forma, dispondo os tabletes para que fiquem bem arejados.

Dicas
Nunca use utentsílios de alumínio, pois a soda cáustica corrói;
Uma receita rende, aproximadamente, 8,8 kg de sabão;
Só comece a utilizar este sabão após 30 dias de fabricado;

Este sabão caseiro é especialmente indicado para lavar louças, talheres, inox, vidros, alumínios, plásticos, mármores, pisos, azulejos, banheiros, box, panos de chão, panos de prato e meias brancas.

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