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Bom exemplo em BH » Projeto que produz energia elétrica a partir do lixo reduz emissão de gases Centros de Capacitação em Energia Solar Térmica são coordenados por universidade mineira

Letícia Orlandi

Publicação: 30/05/2012 15:20 Atualização: 01/06/2012 13:29

Pioneira no estado, Central de Aproveitamento Energético do Biogás queima 100% do gás metano produzido no antigo aterro sanitário de Belo Horizonte (Fabio Liberato/Divulgação)
Pioneira no estado, Central de Aproveitamento Energético do Biogás queima 100% do gás metano produzido no antigo aterro sanitário de Belo Horizonte


Mais de um bilhão de pessoas vivem sem acesso à eletricidade, segundo a ONU. De acordo com o presidente da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, quanto mais energia disponível para as comunidades, maior o impacto sobre a segurança alimentar, saúde, educação, transportes, comunicações, água e saneamento. "Nosso apelo é em favor da adoção de um novo modelo de consumo e de produção, projetado para limitar as emissões de gases de efeito estufa; melhorar a eficiência energética e garantir que tecnologias limpas sejam aplicadas a combustíveis fósseis", defende o presidente. Em Belo Horizonte, o maior projeto mitigador do efeito estufa da capital é também gerador de energia com baixo custo. A Central de Aproveitamento Energético do Biogás, localizada no antigo aterro sanitário da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) na BR-040, no bairro Jardim Filadélfia, processa e queima o gás metano produzido a partir da decomposição do lixo aterrado, gerando energia elétrica, que é comprada pela Companhia Energética do Estado de Minas Gerais (Cemig).

O biogás é utilizado como combustível para fazer funcionar três motores capazes de gerar energia elétrica de 1,426 megawatts cada, totalizando 4,278 MW de potência, o suficiente para abastecer até 20 mil casas de consumo inferior a 100KWh/mês. A Prefeitura recebe 6% do valor da energia comercializada com a Cemig. A estação, pioneira em Minas Gerais, contribui para a redução das emissões responsáveis pelo efeito estufa, deixando de lançar na atmosfera o equivalente a quatro milhões de toneladas de CO2, em dez anos. A planta da Central de Aproveitamento Energético do Biogás foi projetada e construída pelo Consórcio Horizonte Asja, vencedora da licitação realizada pela Prefeitura. O consórcio tem concessão para explorar o local durante 15 anos, já tendo pago à Prefeitura, em 2008, R$ 16 milhões, referentes ao contrato de concessão para a exploração do biogás gerado no aterro sanitário da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos da BR-040.

Apenas 5% do gás produzido no aterro de 100 hectares eram queimados antes da instalação da usina. Segundo Rogério Siqueira, diretor operacional da SLU, o local esteve em operação por 25 anos e recebeu 25 milhões de toneladas de lixo. Apesar de não receber mais resíduos, os impactos para a comunidade do entorno eram grande, como o mau cheiro, o risco de explosões e incêndios. "Agora, com a queima de 100% do gás, não há mais odor na região, que sempre foi reclamação dos moradores; e o processo é feito de forma controlada", explica Siqueira. Em vez de jogar energia fora, a central de aproveitamento energético transforma o material descartado em um produto rentável e que minimiza a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa. "É fundamental que os resíduos gerados por pessoas e indústrias deixem de ser vistos como lixo", conclui Siqueira.

Cooperação nacional

De acordo com a recomendação da ONU para a energia na economia verde, a colaboração entre governos, universidades, setor privado e sociedade civil é fundamental para ampliar o acesso às energias renováveis, principalmente entre a população de baixa renda. A Rede Nacional de Cooperação em Energia Solar Térmica - Rede Procel Solar, mantida pela Eletrobrás atua com essas perspectiva e é liderada pelo Instituto Politécnico do Centro Universitário Una, de Belo Horizonte, desde junho de 2011. O grupo oferece capacitação profissional relativa a sistema de aquecimento solar em Universidades e Escolas Técnicas. Até 2014, duas mil pessoas serão treinadas. A capacitação é oferecida em diversos níveis, contemplando engenheiros, arquitetos, instaladores, estudantes.

Com investimento total de R$3,9 milhões, o convênio contempla a formação de Centros de Capacitação em Energia Solar Térmica, a realização de verificação de sistemas solares para o "Minha Casa, Minha Vida" e o Projeto Procel Energia Solar. Pelo Centro Universitário Una participam seis professores e sete universitários dos cursos de Engenharia de Produção, Engenharia Química e Engenharia de Controle de Automação. Para a coordenadora do projeto, Elizabeth Marques Duarte Pereira, pesquisadora que se dedica às energias renováveis há 30 anos, a disseminação dessas tecnologias no país não pode continuar sendo deixada para o futuro. "É possível ampliar o acesso de forma sustentável e competente", defende. Sete centros de capacitação, sendo um deles na Una, serão criados, inicialmente, em cinco regiões brasileiras. Além da Una, participam da rede a Faetec/RJ, o Instituto Federal da Bahia, o Instituto Federal de Santa Catarina, a Universidade Federal do Pará, o Centro Estadual de Educação Tecnológico Paula Souza (SP) e a Universidade de Brasília-UNB.

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