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Busca de novos hábitos » Rio+20 discute economia verde e desenvolvimento sustentável Tema central da Conferência, exemplos da economia verde em escala local já existem em vários municípios mineiros

Letícia Orlandi

Publicação: 30/05/2012 12:12 Atualização: 01/06/2012 13:31

Desde a Rio 92, a população do planeta cresceu 26%, atingindo sete bilhões de pessoas em 2011. A aceleração do consumo, no entanto, foi muito maior. A produção de comida aumentou 45% nos últimos 20 anos e a extração de materiais, 41%. O mundo chega à Rio+20 com o dobro de produção de plástico e elevação de 40% na emissão de gases poluentes. Segundo o relatório Living Planet, divulgado pela WWF em maio, se a demanda por recursos naturais utilizados na Terra continuar a expandir, como ocorreu nos últimos 20 anos, precisaremos de quase três planetas em 2050 para suprimir as necessidades da população. Ainda assim, alguns sinais são positivos, como o uso mais eficiente dos recursos naturais e a redução do desmatamento de florestas.

 (Arte: Soraia Piva/EM/DA Press)

Os dois temas centrais da Rio – a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e a estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável – fazem do evento uma oportunidade para que a busca das boas práticas seja renovada. A ONU indica que investimentos de 2% do PIB global em dez setores-chave bastariam para tornar a economia mais sustentável. Mas as discussões incluem o temor de que novas exigências reforcem a situação atual de dominância dos ricos em relação aos pobres – países com menos recursos para investir em tecnologia, que acabariam tendo que importar painéis solares e turbinas eólicas, por exemplo. Uma parcela dos movimentos sociais e pesquisadores das áreas de meio ambiente e desenvolvimento têm questionado também o que consideram a banalização do conceito de desenvolvimento sustentável e o privilégio às práticas capitalistas.

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No documento de referência da Rio+20 “Rumo à uma economia verde”, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), a ONU defende que o conceito não substitui o de desenvolvimento sustentável. “A sustentabilidade continua sendo um objetivo vital a longo prazo, mas é preciso tornar a economia mais verde para chegarmos lá. Talvez o mito mais difundido seja o de que há uma troca inevitável entre preservação ambiental e progresso econômico. Mas há evidência substancial de que o ‘esverdeamento’ de economias não inibe a criação de riqueza ou oportunidades de emprego”, defende o documento.

Janos Pasztor, Secretário Executivo do Painel de Alto Nível do Secretário-Geral da ONU sobre Sustentabilidade Global, afirma que sustentabilidade não é só meio ambiente, mas engloba também as dimensões social e econômica. Melinda Kimble, vice-presidente do Fundo para as Nações Unidas, defende que a grande virada da economia verde é deixar claro que, apesar de requerer mais investimentos a curto prazo — assim como a maioria das iniciativas de sustentabilidade —, o sistema proposto se mostra lucrativo no futuro. “Existe um outro mito: a economia verde é um luxo que apenas países ricos têm condições de sustentar, ou pior, uma imposição do mundo desenvolvido para perpetuar a pobreza. Ao contrário, há uma plenitude de exemplos de transições verdes acontecendo em vários setores do mundo em desenvolvimento, que merecem ser copiadas em outros lugares”, explica a executiva da ONU.

Enquadrar essa questão social na discussão é justamente a grande preocupação do Brasil, que tem como uma das propostas para a Rio+20 acrescentar uma palavra ao termo, que passaria a ser economia verde inclusiva.

Conheça, nesta série de reportagens produzidas pela equipe do EM.COM exemplos de iniciativas que já colocam em prática as recomendações da ONU para que a economia verde possa se materializar em dez setores: silvicultura, água, construção civil, turismo, agricultura, gerenciamento de lixo, energia renovável, pesca, indústrias e transporte.

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