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Espécies bem diferentes podem viver sob o mesmo teto

Amante de animais inusitados consegue fazer com que animais tenham uma convivência harmoniosa

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postado em 10/10/2015 06:00 / atualizado em 08/10/2015 11:36

Gustavo Perucci

Jair Amaral/EM.D.A.Press

“O cão no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar...” A canção popular brasileira A velha a fiar ilustra bem a ordem natural das coisas no reino animal. Predador e presa. Caça e caçador. Mas todo mundo sabe que não é bem assim. E a convivência harmoniosa entre espécies diferentes, como no caso do golden retriever Bob e seus amigos, rende sempre imagens com altos níveis de fofura. Com a diversidade cada vez maior de bichos de estimação, combinações de pets inusitadas sob o mesmo teto podem ser bem divertidas. Agora, é bom tomar alguns cuidados na hora da interação entre eles.

Quem aprendeu isso na marra foi o estudante Arthur Viana, de 16 anos. Ele tem, além de vários peixes exóticos, duas tartarugas-tigre e uma chinchila. Na primeira vez que tentou fazer Sam e Ralf (as tartarugas) ficarem no aquário com seus peixes, o pior aconteceu: elas atacaram os coitados. Mesmo assim, Arthur, que pretende cursar veterinária após concluir o ensino médio, persistiu. Ele pesquisou e descobriu que as tartarugas não avançavam em peixes predadores.

Hoje, Sam e Ralf, com mais de 5 anos de idade, convivem perfeitamente já há algum tempo com seus amigos do aquário. Há oito meses, as duas ganharam a companhia da chinchila Cloud, que as acompanha durante seus banhos de sol. “A chinchila é muito agitada. Tenho que soltá-la todo dia para exercitar e correr. Chega perto das tartarugas, mexe com elas, mas nunca teve problema nenhum. As tartarugas estranham um pouco e entram no casco. Mas isso é normal”, explica. A Cloud, infelizmente, machucou recentemente a pata, e não está nos seus dias mais agitados.

A relação de Arthur com seus pets é bem próxima, inclusive com os peixes. “Os meus são bastante interativos. Ando pelo quarto e eles me seguem, se concentrando do lado do aquário mais próximo de mim. Quando viajo, minha mãe diz que eles não comem direito”, conta o estudante, que sempre gostou de animais diferentes. Por veto materno, o garoto não vai realizar a vontade de ter uma cobra de estimação.

Agora, imaginem uma cobra convivendo com uma chinchila... Segundo Victor Rezende, psicólogo e especialista em modificação comportamental de cães, existe muita fábula em volta do convívio entre espécies. “Essa história que todo mundo conta de que cachorro não gosta de gato não é verdade. Existem muitos casos de boa convivência entre esses animais. O que existe é um instinto natural de caça, e isso pode ocorrer entre cachorro e gato, com um hamster, uma galinha”, afirma Rezende, que está se especializando em comportamento animal.

Segundo Rezende, entre animais da mesma espécie e raça pode haver estranhamento e agressividade. Até a chegada de um bebê pode influenciar no comportamento do animal de estimação. “Quanto maior a diversidade de animais dentro de um mesmo ambiente, maior a chance de ocorrer algum problema.”
Instagram/Reprodução da Internet


Quanto mais cedo, melhor

Edésio Ferreira/EM/D.A.Press
A chave para um convívio mais tranquilo entre bichos diferentes é durante a fase de socialização deles. O ideal, segundo Rezende, é que os animais se conheçam novos, e o início do contato entre eles seja sempre monitorado. Mas é possível que um pet mais velho se comporte bem com a chegada de um novo membro à família.

“A gente tem que entender que o importante, quando as pessoas trazem animais para dentro de casa, é procurar entender sobre o comportamento das espécies. Busque estudar e compreender as necessidades e fases de desenvolvimento do animal. Isso pode minimizar as chances de problema. Normalmente, as pessoas compram bichinhos no impulso e não se preparam para isso. No caso dos cães, o ideal para trazer um novo animal é quando eles são novos ou na fase adulta, que é depois dos dois anos. Entre oito e nove meses os cachorros estão num momento de aguçar os instintos, e mexem em tudo”, completa Victor Rezende, psicólogo e especialista em modificação comportamental de cães.

CAÇADOR O criador de pássaros Jadir Costa apostou numa rixa antiga para se livrar dos ratos. Adotou o Sansão, gato que há sete meses empresta seus dotes de caçador ao criadouro Pôr do Sol, no Bairro Santa Mônica, na Região da Pampulha. Fazendo valer o conhecimento popular, Sansão não dá mole para os roedores. Mas gato não gosta também de caçar pássaro?

“É tão manso que meus amigos o chamam de Dalila. Os ratos ele pega, mas os passarinhos, mesmo se fugirem da gaiola, ele não ataca. Ele convivia tranquilo com as calopsitas da minha irmã, que ficavam soltas dentro de casa. Eram elas que avançavam nele. O Sansão é da paz”, conta orgulhoso.

Ex-artesão, Jadir tem uma doença degenerativa que limita seus movimentos e traz dores muito fortes. “Sou cadeirante. Essa doença me tira o sossego, mas a criação tem sido uma bênção na minha vida. Além de trazer certa remuneração, funciona como uma terapia.” A ideia de criar passarinhos foi, para ele, um talento desperdiçado por anos, pois sempre gostou desses bichinhos. “Fui descobrir meu talento depois de velho”, brinca.

Hoje, a vida do Jadir é bem mais feliz, já que o Sansão, além de combater pragas e se dar bem com seus protegidos, trouxe junto toda a sua simpatia. Mesmo com todas as dificuldades, a vida segue alegre no criadouro Pôr do Sol. E agora, sem ratos!
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