SIGA O EM
 col-xs-12

Marcas engajadas podem fortalecer imagens para aproximar pessoas e fazer o bem

Com cidadãos cada vez mais conectados, as marcas podem fazer mais do que oferecer serviços

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 15/11/2012 10:07 / atualizado em 15/11/2012 11:22

Alysson Lisboa Neves

A sociedade em rede precisa apenas de um bom motivo para começar a colaborar. Hoje em dia, a reputação nas redes sociais é tão importante quanto fora dela. Pesquisa revela que 80% dos usuários de redes se conectam às empresas via Facebook. A força de uma marca se mede também por sua reputação e de que maneira ela atinge as pessoas com ações sociais. Autor do livro Você é o que você compartilha, Gil Giardelli discute o poder das redes no mundo corporativo. Para ele, inovação é a palavra de ordem do século 21. Hoje, pequenas ações individuais em rede podem ganhar adeptos no mundo inteiro. "Vivemos agora a generosidade coletiva, o social good", conceitua Giardelli, que participou na semana passada em Belo Horizonte, como palestrante, da 28ª Inforuso, evento promovido pela Sucesu, que discutiu os rumos da tecnologia da informação e seus impactos nas empresas. Especialista em mídias digitais e professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) – Centro de Inovação e Criatividade e Miami Ad School, Giardelli é um dos maiores especialistas em experiência digital do Brasil, consultor de sociedade em rede, colaboração humana, economia criativa e inovação digital. O professor, que se considera "tecnotimista", falou sobre as oportunidades e o novo entorno que a sociedade conectada vive hoje. Siga os principais pontos abordados por ele.

Marcas espertas
Não é possível mais um modelo de negócios focado somente em resultados. O termômetro hoje é a utilidade e o quanto o serviço pode ajudar pessoas a se conectar. Para Giardelli, muitas ações empreendedoras ocorrem no Brasil, mas temos sempre a ideia de valorizar o que vem de fora. "As grandes inovações de hoje vêm de pessoas que estão observando as ruas e trazendo facilidades. A marca pode caminhar junto nessa esteira", conclui. Algumas empresas já estão tirando proveito das redes sociais e, assim, fortalecendo suas marcas. Um exemplo disso é a empresa aérea KLM, que lançou o Meet and Seat, programa que permite que o check-in seja feito utilizando uma conta no Facebook ou no Linkedin. Assim, você pode escolher se sentar ao lado de alguém que seja de sua rede de amigos ou que tenha interesses comuns. O usuário pode optar por mostrar menos ou mais dados de seu perfil no momento de escolher um assento no avião. É uma oportunidade de conhecer pessoas, compartilhar experiências e, quem sabe, até dividir um táxi na saída do aeroporto.

Koen Van Weel/AFP


A reinvenção da escola

A grande discussão que se faz hoje também envolve o futuro da escola. Alunos, pouco estimulados, se interessam cada vez menos pelo modelo tradicional de ensino. Para Giardelli, a função do professor nunca foi tão importante e desafiadora: "O professor é um grande maestro. O aluno, muitas vezes, já tem o conteúdo, que está acessível ao toque dos dedos, e o professor precisa ressignificar tudo isso". Existem alunos que gostam de anotar tudo e aprendem dessa forma; outros gostam de conversar e interagir mais com seus pares; por fim, há ainda um novo modelo de aluno que precisa tocar nas coisas. Para estes, o conhecimento é táctil. "O modelo de aula cronometrada em espaços físicos fechados está com os dias contados", alerta o pesquisador. Preparar os jovens para competir ou liderar grandes empresas nunca foi tão importante. O que ocorre hoje é a verdadeira corrida do ouro. Startups, geralmente conduzidas por jovens empreendedores, competem de igual para igual com empresas de grande porte. A Microsoft está sendo obrigada a se reinventar.

Simin Wang/AFP


Conexão X Hiperconexão

A reeleição de Barack Obama é um exemplo de como um evento em outro país ganha visibilidade em todo o mundo. "Parecia até uma eleição global, todo mundo estava vivendo aquilo", afirma. Por outro lado, ele reconhece que as pessoas, hiperconectadas, estão exagerando no consumo de tecnologia. “Tudo que é excesso faz mal e o efeito disso pode ser nocivo”, alerta. Outro problema, segundo Giardelli, é a fragmentação, não da internet, mas dos laços familiares. Muitas delas estão "terceirizando" a educação dos filhos. "É preciso impor um limite. Existe um hospital em São Paulo que está tratando doenças ligadas à tecnologia. São crianças que ficam on-line jogando por até 14 horas por dia", acrescenta o especialista. Na Alemanha, alunos de 6 e 7 anos têm na grade curricular uma disciplina que aborda o estudo sobre o uso da tecnologia, exatamente para conseguir equilibrar e evitar os excessos.

Spencer Platt/Getty Images/AFP


O fim da web

Mais gente conectada e menos tempo para visitar sites, quase sempre difíceis de serem acessados por meio dos novos dispositivos móveis. Em 2010, a revista Wired anunciou o fim da web. Era a aposta de que as pessoas trocariam sites por aplicativos, e eles estavam certos. Estudos mostram que o usuário de tablets têm em seus dispositivos uma média de 20 aplicativos, mesmo com uma gama de mais de 1 milhão de aplicativos disponíveis nas app stores. Com esses programas eles quase não recorrem mais à web para buscar o que precisam. A maioria dos aplicativos para dispositivos móveis – cerca de 95% – são gratuitos. O Google faz isso muito bem. Se houvesse cobrança para usar seu buscador, fatalmente não haveria uma difusão tão grande quanto a que tem ocorrido nos últimos anos. Cobrar por produtos ou serviços é uma prática que funcionou no século 20, mas hoje não mais. Atualmente, o mundo é móvel. Segundo pesquisa da ComScore, 30% dos adultos norte-americanos já têm um tablet. Até 2017, serão 3 bilhões de smartphones no mundo. Não basta ter uma boa ideia na cabeça e um site na web. É preciso observar as pessoas, perceber o que elas precisam efetivamente para desenvolver aplicativos úteis.

Andreas Solaro/AFP


Social good
Outra observação importante para uma marca hoje em dia é estar engajada a ações sociais e soluções que fazem a diferença na vida das pessoas. Estamos mudando nossa relação com a cidade e com organizações não governamentais. Sindicatos estão perdendo espaço para os cidadãos conectados, que filmam ou fotografam o cotidiano das cidades e utilizam as redes sociais para chegar até as autoridades e promover mudanças. Pessoas com os mesmos sonhos e desejos se conectam e fazem as coisas acontecerem em sua cidade ou país. Gil Giardelli chama isso de empreendedorismo social, referindo-se aos sonhos que unem pessoas com objetivos comuns.O futuro é colaborativo e emerge agora uma nova sociedade, que vive em rede e inova em rede. A análise do comportamento dos nativos digitais mostra que o consumo de informação e produtos em dispositivos móveis cresce em razão exponencial. Segundo ele, o digital invade o real e é cada vez mais difícil separar uma coisa da outra. Na sociedade em rede, empresas e pessoas nunca estiveram tão próximas. Se você convidar as pessoas a participar, elas vão aceitar o convite. Não existe imposição. Tudo faz parte de um jogo lúdico e divertido. As marcas estão ganhando visibilidade e, melhor, ganhando a simpatia das pessoas. Para o especialista, a posição de uma marca nas redes sociais e o engajamento das pessoas a essas marcas são cruciais hoje em dia.


AÇÕES QUE FAZEM A DIFERENÇA


Teto para o meu país
Organização latino-americana nascida no Chile em 1997. Sem fins lucrativos, é liderada por jovens voluntários universitários e profissionais que se unem para melhorar a qualidade de vida a partir da construção de casas de emergência e programas de habilitação social. Já foram construídas mais de 85 mil moradias.
» clubedareforma.com.br/um-teto-para-o-meu-pais

Almoço coletivo
Projeto que começou no Reino Unido, tem como objetivo reunir pessoas para almoçar com seus vizinhos uma vez por ano. Em um simples ato de amizade, comunidades inteiras fecham ruas, se relacionam e melhoram o convívio social.
» thebiglunch.com/

Corrente do Bem
A Corrente do Bem busca conscientizar as pessoas com ações simples entre amigos. O movimento começou no Brasil em 2011. É um dia marcado para fazer boas ações em larga escala.
» acorrentedobem.org/

Adote um sorriso
O programa de apadrinhamento envolve crianças de Nairóbi, capital do Quênia. O projeto 50 Sorrisos começou com o trabalho de uma brasileira. Você pode contribuir com R$ 20 por mês.
» 50sorrisos.com/como-ajudar/torne-se-um-padrinho/

Para se inspirar

Quem se importa, filmado em nove países, é um documentário sobre empreendedores sociais ao redor do mundo. São ações inovadoras de políticas públicas que causam impacto social. Vale a pena conhecer essas histórias.

Tags:
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação
600