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2010

Esforço sustentável

Proteção à natureza e benefícios a comunidades são grandes diferenciais para os consumidores

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postado em 03/05/2010 10:00 / atualizado em 07/11/2012 20:02

A avaliação das marcas das maiores empresas mineiras sobre as práticas de responsabilidade socialeambiental, que, somadas a outras estratégias de gestão, caracterizam a sustentabilidade dos negócios, não trouxe novidades quanto às 10 primeiras colocadas. Todas as integrantes do ranking geral das 10 mais bem conceituadas aparecem também na lista desse atributo,o segundo em importância relativa. A diferença é que houve alteração nas posições, com destaque para a
recolocação das duas empresas públicas que figuram na relação.

A Cemig, que na lista geral é a segunda marca de maior prestígio entre os mineiros, assume a liderança no quesito. Já a Copasa salta da quarta posição, no top 10 final, para a vice-liderança quando o assunto são os cuidados com a sociedade e o meio ambiente. Para o professor e
pesquisador da área de sustentabilidade e responsabilidade corporativa Cláudio Boechat, da Fundação Dom Cabral (FDC), alguns fatores podem explicar o bom desempenho de ambas nesse atributo e na pesquisa, de um modo geral.

"São empresas públicas que lidam com recursos naturais e que, por isso, ganham mais visibilidade no que diz respeito às ações para uso e preservação desses recursos", diz Boechat. "Além disso,as duas lidam com demandas básicas da população e estão presentes no dia a dia dos cidadãos mineiros há décadas, o que lhes confere um histórico de prestação de serviços que pode até não ser uma maravilha, mas que também não é negativo", acrescenta.

PATRIMÔNIO INTANGÍVEL
No caso da Cemig, segundo o superintendente de comunicação empresarial, Luiz Henrique Michalick, os investimentos em sustentabilidade são significativos e bem distribuídos entre todos os setores da organização. Por meio de programas de pesquisa de alternativas energéticas, de recuperação e Preservação do meio ambiente, de apoio a comunidades ou de inúmeros projetos sociais, culturais e educacionais em que está envolvida, a companhia sempre busca reforçar seu patrimônio intangível.

"Na realidade, existe uma visão de longo prazo voltada para a sustentabilidade. Essa é a grande preocupação: tornar perene a empresa, longeva, e fazer com que possa sempre atender aos anseios dos acionistas e, por extensão, da comunidade", afirma Michalick, ressaltando que, não por acaso, a empresa participa, há uma década, do ranking do Índice Dow Jones de Sustentabilidade e, nos últimos dois anos, foi eleita líder mundial no setor de utilities, pelo mesmo levantamento.

Na Copasa, de acordo com o superintendente de comunicação Henrique Bandeira de Melo, a história é parecida. A empresa sempre participa de iniciativas de responsabilidade social e ambiental no estado, ciente de que os consumidores enxergam isso como um diferencial da organização. "No aspecto ambiental, por exemplo, a Copasa está presente hoje em todos os comitês de bacia de Minas e em todos os fóruns sobre preservação", diz ele. "Sem falar nos projetos de educação ambiental, nas obras de saneamento, no apoio ao Projeto Manuelzão, que trabalha para despoluir o Rio das Velhas, e em diversas outras iniciativas", afirma.


RESERVAS ECOLÓGICAS
Assim como a Copasa,a Cemig tem um grande número de projetos na área ambiental, com destaque para a manutenção de estações de preservação nas proximidades de usinas hidrelétricas.

Atualmente, segundo a empresa, são mais de 4 mil hectares de áreas protegidas. Há sete estações ambientais em operação, sem contar projetos em andamento para cuidar da biodiversidade e fazer a educação ambiental de crianças, jovens e adultos.

A Cemig também desenvolve ações para repovoar com peixes nativos rios nos quais estão instaladas usinas. Todos os anos, são produzidos milhares de alevinos para soltura em rios e represas, além de mudas de árvores diversas para reflorestamento.

Entre as Estações de Pesquisa e Desenvolvimento Ambiental (EPDAs) mantidas pela companhia, a de Peti merece atenção especial. Inaugurada em setembro de 1983, entre os municípios de Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo, a 100 quilômetros de Belo Horizonte, Peti se transformou em modelo para universidades e centros de estudo no que diz respeito a pesquisas sobre ecologia terrestre e aquática, reprodução e reintrodução de espécies nativas, monitoramento e manejo da fauna e flora e programas de educação ambiental, por meio de convênios com organizações não governamentais e escolas de ensino básico, médio e fundamental.

Situada em uma região limítrofe entre mata atlântica e cerrado, no contraforte ocidental da Serra do Espinhaço, a unidade abriga cerca de 600 hectares de mata nativa, entrecortada pelo Rio Santa Bárbara e mais quatro córregos, e tem infraestrutura completa para pesquisas e visitações.

Assim como ocorreu em outras estações ambientais da companhia, a região de Peti foi objeto de um inventário da fauna e da flora, durante dois anos. O estudo, em parceria com universidades, catalogou 556 espécies de insetos, 502 de vegetais, 256 de aves, 39 de mamíferos, 26 de répteis, 24 de anfíbios e dez de peixes. Quatro espécies inéditas foram observadas pelos cientistas, entre elas uma libélula, a Heteragion petiense, e a árvore de canela, denominada Licaria triplicalyx. Também foram identificados na área vários animais ameaçados de extinção, entre os quais o pavão-do-mato, transformado em símbolo da reserva, o lobo-guará, a onça-parda e o jacaréde- papo-amarelo.

PEIXES
Outro projeto de destaque, segundo a companhia, é o Peixe Vivo. Lançado em 2007, o programa, apesar de concebido e ensaiado desde 1976, prevê a criação e expansão de ações voltadas à preservação da fauna aquática em bacias hidrográficas do estado nas quais há usinas da empresa. As ações, principalmente, o peixamento – a reintrodução de peixes em reservatórios e rios –, não são feitas, de acordo com a gerência de responsabilidade social e ambiental da Cemig, de cima para baixo, a partir de decisões exclusivas da companhia, mas por meio de um processo definido como "diálogo sustentável com as comunidades".

Os estudos que antecipam os procedimentos incluem oficinas com a participação de representantes das comunidades ribeirinhas, de moradores das cidades no entorno das usinas e, sobretudo, dos pescadores, interessados diretamente no assunto.

Entre outros projetos ambientais, a Cemig desenvolve ainda iniciativas de cunho educativo, como o Terra da Gente, uma coleção de livros sobre o meio ambiente, produzidos em parceria com a ONG mineira Biodiversitas e distribuídos em dezenas de escolas mineiras.
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