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EXPEDIÇÃO CULTURAL 23/9/16

Trabalho inspirado em obra de Machado de Assis

Montagem de companhia de João Pessoa usa o romance Quincas Borba para criticar a elite brasileira e a exploração da mão de obra escrava

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postado em 23/09/2016 13:20 / atualizado em 23/09/2016 13:24

João Pessoa – Passando pela revolta popular paraibana, pelos desaparecidos durante a ditadura militar no Brasil e pela crise sistemática do capitalismo, agora é a vez do Coletivo de Teatro Alfenim se aprofundar em Machado de Assis. A sexta montagem da trupe de João Pessoa (PB), “Memórias de um cão” (2015), é uma obra inspirada no romance “Quincas Borba”.

Resultado do projeto Figurações Brasileiras, com patrocínio de manutenção da Petrobras, a peça tem como objetivo propor uma abordagem crítica do cinismo da elite brasileira da época em querer se tornar um país moderno mantendo a exploração da mão de obra escrava e o apoderamento da riqueza nacional por parte de sua elite econômica.

Isso é muito bem representado em pinturas expostas no piso que integra o cenário do espetáculo. Inspiradas em desenhos de Debret e Rugendas, o piso é uma característica forte da companhia. “A gente pegou algumas referências e pintou. É como se aquelas pessoas ‘machadianas’ estivessem pisando o tempo inteiro na cara dos negros. É essa modernização brasileira em uma estrutura escravocrata”, ressaltou Márcio Marciano, que assume a dramaturgia e a direção.

A história de um cão
Com uso de máscaras, elementos da elite e música ao vivo, a trupe conta a história do clássico da literatura brasileira. Rubião, um ex-professor primário, se muda para a corte às vésperas da abolição da escravatura, depois de receber uma herança de seu benfeitor, Quincas Borba – um filósofo que ocupa seus dias com especulações amalucadas sobre a “natureza humana”. Como condição para usufruir a herança, o recém-endinheirado deve cuidar do cachorro também chamado Quincas Borba.

Tornando-se capitalista da noite para o dia, Rubião busca inserir-se num círculo de relações marcadas pelo preconceito de classe e pela futilidade. E assim segue a narrativa mostrando a trajetória de ascensão e queda de Rubião.

O espetáculo teve sua estreia na Casa Amarela, e já conta com mais de 80 apresentações em menos de um ano em cartaz. Passando por vários estados brasileiros como Alagoas, Sergipe, Bahia e Minas. O Coletivo de Teatro Alfenim tem como princípio o desenvolvimento de dramaturgias próprias com base em assuntos brasileiros.
 
 
A peça Memórias de um cão mistura música e materiais como máscara para contar a história de clássico da literatura brasileira


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