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A coesão textual

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postado em 18/04/2015 13:02 / atualizado em 22/04/2015 17:46

Prof. Alison Leal

Um dos grandes desafios que os alunos encontram, no processo da escrita de redações, é o de escrever com clareza. Um texto claro requer do escritor, sobretudo, a habilidade de conectar as ideias, fazendo uso eficiente dos diferentes mecanismos coesivos. Ou seja, escrever de forma clara exige domínio da coesão textual. Mas o que é, então, a coesão textual?

É a ligação, a conexão, a relação entre palavras, expressões, frases, períodos ou parágrafos de um texto. Esse recurso manifesta-se por meio de elementos formais – conjunções, preposições, concordâncias verbal e nominal, relações de sinonímia e antonímia etc. – , que sinalizam o vínculo entre as partes do texto.

 

Devemos observar se, a cada frase enunciada, mantém-se vínculo com a anterior ou anteriores. Isso, para não perder o caminho do pensamento. Além de olhar para trás, é imprescindível também lançar os olhos à frente, visto que algum termo ou alguma ideia pode estabelecer-se apenas na frase, no período ou no parágrafo seguintes.

Esse cuidado é de inegável importância, porque a solidez da tessitura textual depende do rigor com que os enunciados mantêm, entre si, relações estreitas. A não observância dos mecanismos coesivos abala a estrutura textual, fazendo a escrita desabar-se: o texto torna-se confuso, repetitivo, cansativo, desinteressante; não cumpre, logo, seu papel comunicativo.

Observe, primeiramente, o parágrafo a seguir, cuja coesão foi mal estabelecida. Depois, a reescrita, que sugere caminhos para tornar o texto mais coeso e claro.

“A saúde dos brasileiros tem cada vez  mais preocupado as autoridades. Problemas como diabetes, obesidade entre outros  estão afetando cada vez mais em nossa sociedade . Apesar de muitos brasileiros acreditarem que fazer academia é questão de estética,não é; além de uma questão de estética, é também uma  questão de saúde .”

O candidato, nesse parágrafo – que era a introdução da redação – , comete uma série de inadequações coesivas, as quais fazem o leitor tropeçar no processo de leitura. As principais falhas representam-se pela repetição dos termos “cada vez mais”, que nos dois casos foram, inclusive, usados desnecessariamente; pela combinação do exemplificativo “como” com a expressão “entre outros”, a qual no contexto gerou uma redundância; pelas perífrases verbais “tem preocupado” e “estão afetando”, que geram prolixidade e configuram marcas de oralidade; pelo uso da primeira pessoa, representado pelo pronome “nossa”, o qual não combina com impessoalidade (terceira pessoa) predominante no parágrafo; pelas sobreposição de ideias no último período, a qual fez o período parecer fala, e não escrita, além torná-lo prolixo, repetitivo. Ao retirarem-se essas falhas, percebe-se a existência de ideias vagas, que necessitam ser completadas. O candidato perdeu-se em meio ao excesso de palavras e esqueceu-se do conteúdo. Não há, por exemplo, uma progressão, uma continuidade, de ideias entre os dois primeiros períodos e o último – parece haver uma mudança de assunto.

Corrigindo esses aspectos, assim ficaria o parágrafo:

A situação da saúde dos brasileiros preocupa as autoridades, pois o número de doenças, como diabetes e obesidade, aumentou. Algumas doenças estão diretamente associadas ao sedentarismo. Este é ainda muito presente no Brasil, porque muitos brasileiros associam academia e atividades físicas exclusivamente ao valor estético. É importante entender, todavia, que a prática de exercícios físicos é, antes de tudo, questão de saúde.

Agora, o texto está mais claro, mais coerente, consegue-se perceber que percurso argumentativo será desenvolvido.

É, então, primordial ser claro, objetivo. Mais primordial ainda é pensar sempre no leitor, em fazê-lo entender o que a escrita diz. O texto tem de comunicar.

Alison Leal é professor de Português no Percurso Pré-vestibular e Enem.

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