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Minas Gerais tem 5,4% da população de 4 a 17 anos fora da escola

Mo­vi­men­to To­dos pe­la Edu­ca­ção sustenta que, ape­sar de avan­ços, nú­me­ro de cri­an­ças e ado­les­cen­tes sem es­tu­dar é alto: são 2,5 milhões em todo o país

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postado em 05/04/2017 06:00 / atualizado em 05/04/2017 07:37

Junia Oliveira /

Leandro Couri/EM/D.A PRESS
De­fa­sa­gens que co­me­çam a se acu­mu­lar nos pri­mei­ros anos de vi­da es­co­lar e cul­mi­nam nu­ma si­tu­a­ção alar­man­te no fim do en­si­no médio. O re­sul­ta­do des­sa equa­ção são qua­se 2,5 mi­lhõ­es de cri­an­ças e jo­vens no país, a mai­o­ria de­les ado­les­cen­tes, fo­ra da escola. Os da­dos são do mo­vi­men­to To­dos pe­la Edu­ca­ção (TPE) e di­zem res­pei­to ao aces­so de bra­si­lei­ros de 4 a 17 anos à es­co­la e à con­clu­são da edu­ca­ção bá­si­ca por jo­vens com ida­de até 19 anos.

Mi­nas Ge­rais se des­ta­ca nes­sa tris­te re­a­li­da­de co­mo a se­gun­da uni­da­de da fe­de­ra­ção do país com o mai­or con­tin­gen­te des­sa po­pu­la­ção lon­ge das car­tei­ras escolares. Do to­tal de 4.180.789 mi­nei­ros nes­sa fai­xa etá­ria, 5,4% (226.981) es­tão afas­ta­dos das sa­las de aula. Em ou­tros in­di­ca­do­res, o es­ta­do se man­tém em ní­veis intermediários. Na ava­li­a­ção do TPE, ne­nhu­ma uni­da­de da Fe­de­ra­ção con­se­guiu avan­çar co­mo de­ve­ria e, se no pas­sa­do, a fal­ta de va­gas nos es­ta­be­le­ci­men­tos pú­bli­cos de en­si­no im­pac­ta­va a edu­ca­ção no Bra­sil, ho­je, a fal­ta de qua­li­da­de é que­si­to determinante.


O To­dos pe­la Edu­ca­ção, fun­da­do em 2006, de­fi­niu cin­co me­tas pa­ra que até 2022, ano do bi­cen­te­ná­rio da in­de­pen­dên­cia do país, o Bra­sil ga­ran­ta a to­das as cri­an­ças e jo­vens o di­rei­to à edu­ca­ção de qualidade. Os da­dos que es­tão sen­do di­vul­ga­dos ho­je são do acom­pa­nha­men­to das me­tas 1 (to­da cri­an­ça e jo­vem de 4 a 17 anos na es­co­la) e 4 (to­do jo­vem com en­si­no mé­dio con­cluí­do até os 19 anos). O le­van­ta­men­to tem co­mo ba­se os re­sul­ta­dos da Pes­qui­sa Na­ci­o­nal por Amos­tra de Do­mi­cí­lio (Pnad), de 2015.

A ta­xa de aten­di­men­to de cri­an­ças e jo­vens en­tre 4 e 17 anos au­men­tou 4,7 pon­tos per­cen­tu­ais des­de 2005, atin­gin­do 94,2% em 2015, mas de for­ma ain­da in­su­fi­ci­en­te pa­ra al­can­çar a Me­ta 1 pa­ra es­se ano, que era de 96,3%, e tam­pou­co a uni­ver­sa­li­za­ção de­ter­mi­na­da pa­ra ser atin­gi­da até 2016. O cres­ci­men­to na ta­xa de aten­di­men­to foi pu­xa­do, es­pe­ci­al­men­te, por um sal­to no per­cen­tu­al de cri­an­ças de 4 e 5 anos ma­tri­cu­la­das, que saiu de 72,5% pa­ra 90,5% no período. Já o ín­di­ce de me­ni­nos de 6 a 14 anos na es­co­la fi­cou em 98,5% em 2015, cres­ci­men­to de ape­nas 1,8 pon­to per­cen­tu­al des­de 2005 – em­bo­ra se­ja ti­da co­mo uni­ver­sa­li­za­da no Bra­sil, ain­da há 430 mil cri­an­ças e jo­vens des­sa fai­xa etá­ria fo­ra da sa­la de aula.

META Mi­nas Ge­rais tam­bém fi­cou abai­xo da me­ta (96,2%), com 94,5% de cri­an­ças e ado­les­cen­tes den­tro do sis­te­ma de en­si­no e aprendizagem. De acor­do com o le­van­ta­men­to do TPE, en­tre as uni­da­des da fe­de­ra­ção, aque­las que têm as mai­o­res po­pu­la­çõ­es de 4 a 17 anos fo­ra da es­co­la são tam­bém as mais po­pu­lo­sas: São Pau­lo (338.519), Mi­nas (226.981) e Bahia (211.379). Do to­tal de mi­nei­ros que não es­tão ma­tri­cu­la­dos, 66,2% têm en­tre 15 e 17 anos e 17,8% en­tre 4 e 5 anos. Já o nú­me­ro de me­ni­nos de 4 e 5 anos sem ma­trí­cu­la saiu de 192.425 em 2015 pa­ra 40.565, fa­zen­do Mi­nas pu­lar do se­gun­do pa­ra o quar­to lu­gar en­tre os es­ta­dos com o mai­or nú­me­ro de cri­an­ças lon­ge dos ban­cos da escola.

Quan­do ve­ri­fi­ca­da a si­tu­a­ção da me­ni­na­da de 6 a 14 anos, fai­xa pa­ra a qual o aces­so ao co­lé­gio é ti­do co­mo uni­ver­sa­li­za­do, os es­ta­dos mais po­pu­lo­sos in­ver­tem posições. Mi­nas ocu­pa a ter­cei­ra po­si­ção no país, 36.075 cri­an­ças e ado­les­cen­tes fo­ra da es­co­la, atrás de Bahia (47.130) e São Pau­lo (46.837). No en­si­no mé­dio, as dis­pa­ri­da­des aumentam. Mi­nas tem a mai­or ta­xa de aban­do­no re­gis­tra­da na Re­gi­ão Su­des­te, com 6,7%, pou­co abai­xo da mé­dia na­ci­o­nal, de 6,8. A Se­cre­ta­ria de Es­ta­do de Edu­ca­ção (SEE) foi pro­cu­ra­da, mas co­mo não re­ce­beu os da­dos, não pô­de co­men­tar o levantamento.

De acor­do com o TPE, tal qua­dro im­pac­ta di­re­ta­men­te no flu­xo es­co­lar, re­tar­dan­do a con­clu­são da edu­ca­ção bá­si­ca por par­te dos alu­nos que en­fren­tam di­fi­cul­da­des de apren­di­za­gem e, con­se­quen­te­men­te, o cum­pri­men­to da me­ta 4 do mo­vi­men­to, cu­jo con­teú­do es­ta­be­le­ce que, até 2022, 95% ou mais dos jo­vens bra­si­lei­ros de 16 anos de­ve­rão ter com­ple­ta­do o en­si­no fun­da­men­tal, e 90% ou mais dos jo­vens bra­si­lei­ros de 19 anos de­ve­rão ter com­ple­ta­do o en­si­no médio. Ape­sar de o Bra­sil es­tar mui­to dis­tan­te das me­tas par­ci­ais es­ta­be­le­ci­das pe­lo To­dos pe­la Edu­ca­ção, o flu­xo es­co­lar do sis­te­ma na­ci­o­nal de en­si­no vem me­lho­ran­do des­de 2005. Na­que­le ano, ape­nas 58,9% con­cluí­am o en­si­no fun­da­men­tal aos 16 anos e so­men­te 41,4% ter­mi­na­vam o en­si­no mé­dio aos 19. Em 2015, es­sas ta­xas sal­ta­ram pa­ra 76% e 58,5%, res­pec­ti­va­men­te – au­men­tos de 17,1 pon­tos percentuais.

Arte/EM

Qua­li­da­de é ru­im, diz es­pe­ci­a­lis­ta


O ge­ren­te-ge­ral do To­dos pe­la Edu­ca­ção, Ola­vo No­guei­ra Fi­lho, res­sal­ta que o país es­tá mui­to dis­tan­te das me­tas, não ten­do ha­vi­do avan­ços re­le­van­tes em ne­nhum dos estados. Se­gun­do ele, os da­dos mos­tram du­as realidades. “A pri­mei­ra é que pre­ci­sa­mos ter cau­te­la com uma per­cep­ção que pa­re­ce es­tar for­te­men­te pre­sen­te no de­ba­te edu­ca­ci­o­nal, de que o Bra­sil já cum­priu uma eta­pa do de­sa­fio da universalização. Ain­da não con­se­gui­mos ven­cer es­sa etapa. Hou­ve avan­ços im­por­tan­tes na ga­ran­tia de aces­so nos úl­ti­mos anos, mas, ao mes­mo tem­po, ain­da que do pon­to de vis­ta per­cen­tu­al os nú­me­ros se­jam pe­que­nos, em nú­me­ros ab­so­lu­tos, fa­la­mos de um quan­ti­ta­ti­vo sig­ni­fi­ca­ti­vo”, afirma.

A se­gun­da diz res­pei­to aos avanços. “Os da­dos re­for­çam que, se du­as dé­ca­das atrás, o aces­so ti­nha a ver com a ofer­ta de va­gas, ho­je es­se pro­ble­ma é diferente. A não con­clu­são da uni­ver­sa­li­za­ção en­fren­ta ho­je um pro­ble­ma cha­ma­do qualidade. Não con­se­guir in­cluir alu­nos do fun­da­men­tal no en­si­no mé­dio se re­la­ci­o­na à qua­li­da­de ru­im da ofer­ta”, destaca. Se­gun­do Ola­vo No­guei­ra Fi­lho, o nú­me­ro tão al­to de es­tu­dan­tes lon­ge da sa­la de au­la, prin­ci­pal­men­te no en­si­no mé­dio, se re­su­me a três pontos.

Um de­les é o ce­ná­rio de re­pe­tên­ci­as múltiplas. O ge­ren­te-ge­ral lem­bra que pes­qui­sas mos­tram que po­lí­ti­cas de re­pro­va­ção do alu­no não só não sur­tem efei­to na me­lho­ria do apren­di­za­do, co­mo con­tri­bu­em pa­ra a eva­são escolar.

Ou­tro pon­to que ex­pli­ca a eva­são é a fal­ta de in­te­res­se do jo­vem pe­lo mo­de­lo em vi­gor e, as­sim, o que es­tá sen­do ofe­re­ci­do não faz sen­ti­do nem con­ver­sa com seu pro­je­to de vi­da, o le­van­do ao mer­ca­do de tra­ba­lho antecipadamente. O ter­cei­ro é a bus­ca por tra­ba­lho, ca­so do ado­les­cen­te Ma­theus Fer­nan­do An­dré de Je­sus, de 17, mo­ra­dor do Bair­ro Ser­ra, na Re­gi­ão Cen­tro-Sul de Be­lo Horizonte.

Ele pa­rou de es­tu­dar aos 14 anos, quan­do es­ta­va no quin­to ano do fundamental. A exem­plo de ou­tros tan­tos bra­si­lei­ros, ele in­ter­rom­peu os es­tu­dos pa­ra, ini­ci­al­men­te, ven­der picolé. De­pois, pas­sou pa­ra ou­tro ofí­cio, o de la­va­dor de car­ros, e é as­sim que aju­da a família. “Gos­ta­ria mui­to de con­ti­nu­ar a es­tu­dar, mas te­nho que cor­rer atrás do di­nhei­ro”, afir­ma o jovem. E qual pro­fis­são se­ria? Sem ti­tu­be­ar, ele responde. “O que der di­nhei­ro”.

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