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Escola de Belo Horizonte abre biblioteca multilíngue ao público

Com quase 20 mil volumes, a Fundação Torino Escola Internacional abre hoje à comunidade as portas da instituição para consultas e empréstimos de suas obras

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postado em 06/10/2016 06:00 / atualizado em 06/10/2016 07:52

Junia Oliveira /

Cristina Horta/EM/DA Press
Poltronas para lá de confortáveis num canto, mesinhas, jarros de flores espalhados, computadores e arte para dar ainda mais charme. Ninguém falaria que essa descrição é de um espaço para leitura. Mas nesse ambiente convidativo e relaxante está a mais nova biblioteca disponível ao público de Belo Horizonte e região. Com quase 20 mil volumes, a Fundação Torino Escola Internacional, no Bairro Belvedere, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, abre hoje à comunidade as portas da instituição para consultas e empréstimos de suas obras infanto-juvenis, grandes clássicos da literatura e raridades. Com um diferencial: o público pode encontrar vários títulos em português, inglês, italiano, espanhol, francês e alemão – oportunidade e tanto para quem quer ter acesso ao universo dos livros e conhecer autores renomados do mundo inteiro.


A biblioteca Dante Alighieri foi pensada para não ser apenas capaz de abrigar os livros, mas de propiciar rituais agradáveis de leitura, além de promover o gosto pelas histórias e ampliar o repertório de seus frequentadores. No painel feito com pintura sobre livros didáticos antigos, frase do escritor argentino Jorge Luis Borges define bem: “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca”.

Dostoiévski, Shakespeare e Jorge Amado, por exemplo, estão disponíveis em mais de um idioma. O acervo com quase 20 mil volumes conta ainda com exemplares de catálogos de 18 exposições feitas na Casa Fiat de Cultura, como Rodin, Chagall, Guignard e Caravaggio. As páginas amareladas são o indicativo do tempo para a edição de 1927 de Sertões, de Euclides da Cunha, e Voici ton maitre, de Marcel Prévost, edição parisiense de 1930. Além de raridades, o acervo tem também obras contemporâneas. “Precisamos estar atentos à nova literatura, deixando clara a importância dos clássicos para a formação humana”, diz Márcia Naves, diretora-geral da Fundação Torino.

Indagada sobre o motivo de abrir a biblioteca ao público externo, ela devolve a pergunta: “Por que não?”. “Isso remete muito ao papel da escola de estar em todos os pontos de contato de uma pessoa que quer aprender. E ao meu sonho de que todos tenham a possibilidade de acesso à educação. Se é possível, por que não? Vai muito além dos muros da escola”, diz.

Uma versão de Dom Quixote feita para estudantes do ensino fundamental, com tradução de Ferreira Gullar e ilustrações de Gustave Doré, é uma das obras preferidas da diretora. “São poucas as escolas brasileiras hoje preocupadas em trazer os clássicos, importantes pois posicionam até nosso caráter. Trazer isso para um adolescente é muito interessante”, ressalta. A biblioteca se abriu ao público pouco a pouco. Em abril, os pais de alunos foram os primeiros a poder frequentá-la.

Depois do Atentado Poético, projeto feito desde 2003 no qual os alunos saem às ruas de BH para “abandonar” livros em diversos pontos da cidade de forma coordenada e simultânea, é hora de fazer o caminho inverso e convidar as pessoas a irem até a escola. A iniciativa é uma parceria do colégio com a Casa Fiat de Cultura, que doou várias obras para o acervo e ainda manterá em suas dependências, na Praça da Liberdade, um totem para consulta e reservas dos títulos disponíveis. Mas a retirada dos livros é feita exclusivamente na sede da Fundação, no Belvedere.

SENSIBILIDADE O lançamento oficial das atividades públicas da biblioteca será feito durante o projeto Divinas Conversas, uma inspiração do clássico Divina Comédia, do italiano Dante Alighieri. Trata-se de um ciclo de conferências que traz nesta quarta edição o poeta, letrista e roteirista Geraldo Carneiro falando sobre “Os 400 anos da morte de Shakespeare”. A palestra será hoje, às 19h30, no auditório da Fundação Torino, com entrada gratuita. O evento ocorre uma vez por mês e tem a contribuição dos professores da escola internacional.

Essa mistura de literatura, arte e sensibilidade é a síntese do espaço onde o público terá acesso para explorar o acervo da fundação. “O homem precisa cada vez mais trazer a sensibilidade para sua formação. Nas carreiras tradicionais, na música ou no cinema, é importante a formação literária, da arte, da cultura para ter essa visão sistêmica da vida. Temos dois lados, o direito e o esquerdo. Precisamos desse lado ambidestro, um pouco de razão e emoção na vida”, afirma Márcia. Falando em arte e literatura, nada mais justo que lembrar Guimarães Rosa. “O homem nasceu para aprender. Aprender tanto quanto a vida lhe permite. E como escola, temos que trazer isso em nossa mente e ajudar as pessoas a terem acesso a esse aprendizado.”

Carteira  de associado


Os interessados em empréstimos precisam fazer uma carteira de associado. Basta apresentar documentos pessoais e comprovante de endereço. A partir do cadastro, a pessoa tem direito a três publicações emprestadas por um período de sete dias. As normas para empréstimos e outros serviços estão no regulamento da biblioteca e podem ser acessadas pelo site: www.fundacaotorino.com.br. Ela funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h45. Mais informações
pelo e-mail: biblioteca@fundacaotorino.com.br ou pelo telefone 3289-4237.

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