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Prova de Ciências Humanas exige capacidade interpretativa, olhar histórico e atualidade

Questões exigem a habilidade de análise. No entanto, engana-se quem pensa que é uma prova só de interpretação de textos

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postado em 15/10/2015 06:00 / atualizado em 15/10/2015 13:27

Márcia Maria Cruz /Estado de Minas

Bruno Granato/Divulgação

Quem pretende ter um bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deverá transitar com fluência pelos conteúdos de geografia, história, filosofia e sociologia. Na quinta reportagem da série sobre o Enem 2015, o Estado de Minas enfoca as provas de ciências humanas, que serão realizadas em 24 de outubro, no mesmo dia do exame de ciências da natureza. O aluno terá que responder a 45 questões objetivas de um teste bem diversificado em seus temas, interdisciplinar e muito exigente na cobrança interpretativa do candidato.


O Enem segue a tradição de não ser uma prova conteudista, em que o aluno precisa decorar uma grande quantidade de assuntos para conseguir resolvê-la. O professor de geografia do Colégio Elite Vale do Aço Gustavo Ribas lembra que a prova demanda compreensão e articulação dos conceitos. “O conceito é uma ferramenta, mas não é a única”, diz o professor, que também coordena o pré-vestibular Elite Minas.

As questões exigem a habilidade de análise. No entanto, engana-se quem pensa que é uma prova só de interpretação de textos. “Quanto mais domínio dos conceitos e contextos, melhor articulação e análise o candidato será capaz de fazer”, afirma. O professor lembra que o teste é bem-feito e consegue propor “distratativos”, que levam candidatos menos atentos a escolherem alternativas que parecem coerentes com a interpretação dos textos apresentados, mas que são inconsistentes conceitualmente.

O candidato também deve ficar atento aos temas da atualidade. No entanto, é importante ter em mente que a prova não é elaborada com assuntos que surgiram há uma semana, por exemplo. “É muito difícil ter tempo hábil para que fatos que ocorreram nos últimos dois meses entrem”, pondera. As manifestações de junho de 2013 e a crise hídrica, que não foram abordadas no último exame, são temas que podem ser explorados. A dica dos professores é que os candidatos acompanhem os noticiários diários para saber os fatos em destaque e suas consequências em diferentes campos da vida social.

A professora de história do Colégio Elite Vale do Aço Izadora Fernando reforça o caráter interpretativo das provas de humanas. Segundo ela, uma visão equivocada levou muitos estudantes a desconsiderarem os textos de abertura. “Muita gente achava que não precisava ler um dos textos para resolver a questão. Mas o Enem vem aperfeiçoando esses textos nos últimos anos”, alerta.

Ela reforça a necessidade de leitura atenciosa para ficar bem claro o que pedem os enunciados. A maior parte da prova trata da história do Brasil com foco no período do Império e Brasil República. O período da Ditadura Militar também é outro conteúdo recorrente. O estudante deverá ter conhecimento sobre as sete constituições brasileiras. Izadora lembra que os avaliadores costumam relacionar o conteúdo da matéria com questões da atualidade. Um exemplo pode ser a questão do racismo no Brasil, que é tipicado como crime na Constituição de 1988. “É um assunto muito em pauta. Tivemos diversos casos no esporte, como o envolvendo a torcedora do Grêmio e o goleiro Aranha e são divulgados também casos de racismo em shoppings”, diz. As guerras mundiais e a globalização são temas que costumam aparecer.

EMOCIONAL Para saber o que ocorre no Brasil e no mundo o aluno do 3º ano do Colégio Elite Vale do Aço Samuel Aguiar Cardoso, de 18 anos, criou lista de sites favoritos, com revistas e jornais. “Entro todos os dias e leio o que tem de relevante”, diz. Ele também participa de um grupo fechado no Facebook em que discute os assuntos da atualidade com os colegas de turma. Samuel pretende conquistar uma vaga no curso de ciência da computação da Universidade Federal de Minas Gerais. Nesta reta final, ele considera que é importante dar atenção especial ao aspecto emocional. “O candidato não tem possibilidade de fazer boa prova se não estiver preparado emocionalmente”, avalia.

No primeiro simulado que fez, o jovem conseguiu obter a pontuação bem próxima à nota de corte do curso que escolheu. Ele acredita que o desenvolvimento do agronegócio e a expansão das fronteiras agrícolas são temas que podem aparecer no teste. Também investiu tempo de estudo para entender o Descobrimento do Brasil e o período em que o país foi colônia de Portugal. Além disso, dedicou atenção especial para compreender o período do Império até a República.

Nos 10 dias que antecedem as provas, a estudante do 3º ano co Colégio Elite Vale do Aço Thais Fernandes Theophilo de Almeida Rodrigues, de 18, considera que é fundamental fazer atividades para relaxar a mente. A culinária é a válvula de escape da jovem, que adora preparar brigadeiros, biscoitos e outros doces. Ela pretende fazer pontuação suficiente para tentar vaga no curso de medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Ela conhece bem a prova, pois fez o exame como treineira quando estava no 1º e 2º anos do ensino médio. “Na primeira vez, fiz o que sabia. No segundo, melhorei a pontuação. Neste ano estou bem mais preparada.”

DICAS


» Fazer baterias de questões respeitando o tempo de 3 minutos para cada uma delas. Exemplo: 15 questões num intervalo de 45 minutos. Isso ajuda a aprender a lidar com a limitação de tempo no Enem.

» Revisão dos principais temas cobrados em ciências humanas: questão agrária; história do Brasil (especialmente República); movimentos sociais e cidadania.

» Reforce os pontos fracos. Não ignorar aquela parte da matéria em que há mais dificuldade. Ainda há tempo de aprender sobre Oriente Médio, Estado Islâmico, conflitos no Cáucaso.

» Fazer uma boa visita ao site do IBGE, especialmente do Sistema de Recuperação Automática (www.sidra.ibge.gov.br). Todos os principais e mais atualizados dados oficiais da economia e demografia brasileiras estão lá.

Na hora H


» Para que o candidato tenha condições de se concentrar para uma prova com tanta leitura é preciso que chegue o mais cedo possível ao local de prova. Isso ajuda a eliminar a ansiedade e tensão geradas pela angústia do deslocamento até o endereço indicado.

» Durante a prova, concentre-se mais no enunciado do que no texto de apoio. Muitas vezes o texto de apoio aborda um assunto e o enunciado fala sobre outro. É preciso ter clareza do que procurar dentre as alternativas. Portanto, releia o enunciado!

Depoimentos


Iara Arruda dos Santos,

18 anos, estudante do 2° período de medicina na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), campus Governador Valadares.

“Durante três anos, mantive estudos regulares. Estudava todos os dias no Elite, das 7h à 12h40. Depois, reiniciava às 14h e continuava até as 20h, com intervalos a cada uma hora e meia. Eu acertei 85% da prova de Ciências Humanas. Tenho certeza de que o mais importante foram as aulas. Eu anotava tudo o que o professor falava. Até gravava. Quando eu ia estudar, mesclava o áudio, as anotações e a resolução de exercícios. Para o dia da Prova de Humanas, minha dica é para você prestar muita atenção nos enunciados, pois são grandes e podem ter pegadinhas. No mais, um grande diferencial é chegar com confiança.”
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