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Escolas públicas se destacam pela qualidade do ensino

Ameaçadas por cortes de recursos, instituições federais de Minas se sobressaem por qualificação dos professores, parceria com universidades e sistema pedagógico diferenciado

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postado em 12/08/2015 06:00 / atualizado em 12/08/2015 07:19

Márcia Maria Cruz /Estado de Minas

Paulo Filgueiras/EM/D.A Press
Dirigentes de escolas públicas federais de Minas temem que a redução nos investimentos e os cortes em custeio interferim na fórmula de sucesso das instituições. Professores com mestrado e doutorado, produção de conhecimento, em estreita parceria com universidades federais, e sistema pedagógico focado no desenvolvimento das múltiplas competências dos estudantes são algumas das explicações da qualidade de ensino e dos bons resultados no ranking nacional do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014. “Nossos alunos são muito bons. O colégio é bom, porque atrai os melhores alunos, e os melhores alunos procuram o colégio, porque esta entre os melhores. É um ciclo que se retroalimenta”, diz o diretor do Cefet Minas, Márcio Silva Basílio.

As escolas de Minas se destacam até mesmo quando comparadas com as demais da mesma categoria localizadas em outros estados. É o caso do Colégio Militar de Belo Horizonte. A nota média dos alunos no Enem, além de colocá-lo no primeiro lugar entre as escolas públicas da capital, também o posicionou na liderança das outras 12 unidades militares do Brasil. Localizado ao lado do câmpus da UFMG na Pampulha, o colégio dispõe de ampla área verde, com quadras poliesportivas, pistas de atletismo, piscinas e até um centro hípico.

Voltado para os filhos de militares, o colégio abre poucas vagas para a comunidade em geral. No processo seletivo deste ano, com inscrições abertas desde o dia 10, são oferecidas 25 vagas para o 6º ano do ensino fundamental e 10 vagas para o 1º ano do ensino médio. “Nosso foco é oferecer ensino de qualidade baseado em educação e disciplina, os nossos valores”, afirma o major Mendonça Barbosa, chefe da supervisão escolar. Para conquistar cadeira tão cobiçada, os alunos não medem esforços. Muitos frequentam cursos preparatórios para passar pelo funil dos concorridos processos seletivos. Quando entrou no Colégio Militar, Ana Beatriz Araújo de Souza, de 17 anos, concorreu a vaga com outros 35 estudantes. “Estou desde o 6º ano aqui. É uma escola muito boa. Além do estudo, a gente aprende a ter disciplina”, afirma.

Todos os professores nessas instituições federais são concursados. No Colégio Militar, o corpo docente conta com militares e civis, sendo 9% com graduação, 52% com especialização, 36% com mestrado e 3% com doutorado. A qualificação dos professores também é alta no Coltec: 58% de doutores, 31% de mestres e 11% de graduados. No Coluni, doutores e mestres correspondem a 80% do quadro de professores; no Cefet Minas, 90%. “Temos mais de 30 doutores e boa parte deles já está no pós-doutorado. Buscamos sempre a qualidade. A qualificação é uma forma de melhorar a questão salarial e também faz com que sejamos um polo de produção de conhecimento, não apenas de transmissão”, destaca o diretor do Coltec, Carlos Eduardo Porto Villani.

OLIMPÍADAS Habituados ao ensino de alto nível e avalições regulares puxadas, os estudantes das melhores escolas públicas de Minas partem para competições extramuros escolares e não desapontam. É o caso de João César Campos Vargas, aluno do 2º ano do ensino médio do Coltec, que conquistou a medalha de bronze na Olimpíada Internacional de Matemática, realizada no ano passado na Tailândia. “As nossas aulas são muito dinâmicas. Os professores nos dão muita liberdade. Nós que temos que aprender como lidar com ela.”

Aluno do 2º ano do ensino médio do Colégio Militar Marcus Vinícius Faustino, de 18 anos, sonha em passar no mais concorrido processo seletivo de engenharia mecânica no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), ou no Instituto Militar de Engenharia, no Rio de Janeiro. Apesar de estar no ensino médio, o jovem é co-autor de artigo científico publicado em revista internacional, um feito buscado por vários estudantes de pós-graduação. Marcus Vinícius também participa de olimpíadas de conhecimento.

Dedicação Tanto o Coltec como o Cefet Minas, que oferecem uma formação técnica, trabalham com o conteúdo dado no ensino médio no primeiro ano do aluno. Nos dois casos, o aluno tem que ter dedicação integral, com aulas no período da manhã e tarde. “A nossa proposta pedagógica está baseada na valorização do conhecimento prático. Cerca de 60% das nossas aulas são práticas, nos laboratórios com turmas reduzidas”, pontua Márcio Silva. Nos dois anos seguintes, o conteúdo teórico é aplicado nos laboratórios, onde os estudantes aprendem a parte prática da profissão.

Foi esse diferencial que atraiu o estudante do 3º ano de eletrônica do Coltec Bruce Nunes Morrow, de 17 anos. Embora não tenha se preparado, conseguiu pontuação acima da nota de corte do curso de engenharia elétrica, que ele pretende concorrer na UFMG. “Não fiz estudo focado para o Enem. A nota foi obtida com o conhecimento que obtive até o ano passado, quando estava no 2º ano”, diz.

PROTESTO Cerca de 100 servidores públicos saíram ontem em passeata pelo Centro de BH para manifestar contra o corte de verbas na Saúde e Educação. Servidores técnico-administrativos, em greve desde 28 de maio, participaram do protesto. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores de Instituições Federais (Sindifes), o objetivo da manifestação é alertar a população para os cortes orçamentários.
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