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Corte de verba ameaça expansão de mestrados e doutorados na Ufop

Universidade dobrou área de pós-graduação em 10 anos, mas teme agora adiamento de abertura de mais mestrados e doutorados. Em Viçosa, técnicos em greve relatam falta de material

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postado em 11/07/2015 06:00 / atualizado em 11/07/2015 07:26

Márcia Cruz - Enviada especial

Fotos: Leandro Couri/EM/D.A Press

Viçosa e Ouro Preto - Os cortes de 70% do Programa de Apoio às Pós-graduações (Proap) poderão frear o crescimento da pós-graduação na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), que esperava receber R$ 1 milhão em 2015. Em 10 anos, a pós-graduação dobrou de tamanho na universidade. A criação de um mestrado profissional em humanidades e um doutorado em educação é estudada, mas, com a redução de verbas, o pró-reitor adjunto de pesquisa e pós-graduação da Ufop, Alberto Fonseca, teme um adiamento. “Para criar programas, precisamos de recursos. A gente fica sem saber”, disse. Na avaliação de Fonseca, o governo lida de forma “improvisada” com a crise. Atualmente são 38 cursos de pós-graduação na federal de Ouro Preto.

Depois de um momento de expansão, com a abertura de novos cursos, ampliação de câmpus e até abertura de novas universidade com o Reestuturação e Expansão das Universidades (Reuni), as universidade vivem o pior momento financeiro dos últimos 10 anos. Na Ufop e UFV, os técnicos administrativos estão parados, o que impacta todos os setores das universidades. “Todos os departamentos estão com dificuldades por causa da greve. Até material de limpeza está faltando, como papel higiênico e água sanitária”, diz o técnico administrativo Luciano Rosa, do Departamento de Engenharia Agrícola da UFV. O orçamento previsto para UFV era de R$ 122,3 milhões, mas com os cortes anunciados pelo MEC, a universidade terá que trabalhar com R$ 92,4 milhões.

Outros problemas Desde o início do ano, as universidades operam com menos recursos devido aos cortes na Lei Orçamentária (LOA), o que fez a UFMG suspender o pagamento de contas de água e luz e demissão de funcionários terceirizados de segurança, portaria e limpeza. Na UFMG, o corte foi de R$ 30 milhões. As bolsas de estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado são pagas pelas agências financiadoras e ainda não há relatos de suspensão, mas alunos reclamam de atrasos no pagamento. Outra fonte de recursos é o Programa de Excelência Acadêmica (Proex), para programas com notas 6 e 7 (nível internacional) na avaliação feita pelo MEC. “É um efeito cascata. Os estados dependem do repasse do governo federal. A crise financeira inicia na união, afeta também as agências de fomento nos estados e a ponta são as universidades”, diz Alberto Fonseca, da Ufop. O professor Versiani Leão, do Departamento de Engenharia Metalúrgica da Ufop, considera que a pesquisa no Brasil passa por um “péssimo momento”. Em sua avaliação, os cortes também tornam mais difícil o início para novos pesquisadores. “A competição ficará mais crítica. Vai ficar muito mais difícil se tornar pesquisador.”

Por meio de nota, a Capes confirmou que enviou esta semana comunicados aos programas de pós-graduação sobre o repasse de recursos para o ano de 2015. A instituição informou que serão liberados, inicialmente, recursos de custeio da ordem de 25% do valor originalmente previsto para 2015 e que repasses adicionais serão avaliados ao longo do segundo semestre, mas informou que as bolsas de estudo serão mantidas, bem como as cotas dos programas de pós-graduação.
Fotos: Leandro Couri/EM/D.A Press

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