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Redes sociais são incorporadas em sala de aula e se tornam ferramentas de educação

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postado em 01/03/2015 06:00 / atualizado em 01/03/2015 08:01

Junia Oliveira /

Se as redes sociais tomaram mesmo conta da vida dos estudantes, em sala são aproveitadas da melhor maneira. No Colégio Padre Machado, na Savassi, Centro-Sul de Belo Horizonte, o carrinho de livros e dicionários que a professora de literatura e redação do 3º ano do ensino médio Cilea Tavares França carregava pelas salas de aula foi, literalmente, aposentado e incorporado ao modelo digital. Hoje, ela usa o celular como instrumento didático número 1 em sala. “Percebi que com alguns segundos gastos na pesquisa pelo telefone, eles memorizavam melhor o significado”, conta. Da consulta no dicionário, ela logo evoluiu para pesquisas no Ipad.

Tudo começou em 2012, depois de um estresse começado quatro anos atrás. “Os alunos não conseguiam se distanciar do celular, que era como uma extensão do corpo deles. Qualquer assunto da aula não tinha a menor importância. Mas se ouviam qualquer estampido, ficavam inquietos”, relata. Cileia cansou de tomar aparelhos de alunos. “Mexiam na carteira, num sinal de incômodo que se manifestava fisicamente, em nível inconsciente. Quando os telefones passaram a ter conexão com a internet, abriu portas para nós”, diz.

A professora parou de brigar, porque ninguém tinha caderno nem anotava nada. Foi criando alternativas e, agora, em vez de gastar 3 mil páginas de papel, passou a 1 mil. A redação semanal é no papel e, para evitar o que chama de “terceirização do cérebro”, uma espécie de memória na palma da mão, e garantir o aprendizado das informações, os alunos devem apresentar trabalhos pelo menos duas vezes ao mês.

Facebook é a ferramenta usada pelo professor de matemática Israel Roque Pereira, do Colégio Cotemig, para se aproximar dos alunos. Ao perceber que cerca de 90% de seus amigos na rede eram alunos ou ex-alunos, começou a direcionar posts e comentários para atendê-los sobre algum conteúdo. O objetivo é estimular o interesse pela matemática, postando algo que realce o rigor e a formalidade da disciplina, mas também dando a ideia de que ela pode representar muito além em termos de vida pessoal e profissional, como instrumento do cotidiano. Resolução de questões, orientações de trabalhos e pesquisas e até informações sobre data de provas também passam pela página. A preferência é por assuntos que despertam curiosidade, para não comprometer o tempo extraclasse.

Essa é também a ferramenta usada por ele na orientação dos grupos nos trabalhos de conclusão do curso técnico. “Venho batendo muito na tecla do uso consciente das tecnologias. Impedir que o aluno use em aula é muito complicado, ele tem que se conscientizar de que o uso das redes sociais, aparelho ou tecnologia traz dano para ele”, diz. Em sala, tudo isso é vetado. “O professor deve estar atento para achar essa linha tênue entre uso o correto e incorreto da tecnologia.” Para Israel, é uma questão de tempo até a tecnologia se tornar uma máxima da educação: “Se não conseguirem se adaptar ao novo modelo, que traz o advento das redes sociais e tecnologias, profissionais não conseguirão se manter no mercado”.
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