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Estudante de BH cria projeto para recuperar recursos hídricos poluídos e ganha prêmio

Aluno do 10º período de engenharia ambiental, Magno André de Oliveira conseguiu apoio para levar adiante projeto de tratamento de efluentes da indústria têxtil e recebeu premiação voltada a iniciativas universitárias

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postado em 30/12/2014 06:00 / atualizado em 30/12/2014 08:26

Junia Oliveira /

Edésio Ferreira/EM/DA Press


Da universidade saem ideias para resolver problemas diversos, melhorar a qualidade de vida da população e até tirar sonhos do papel. Nas escolas de ensino básico estão talentos prontos para serem lapidados, se deixar levar pela inspiração e fazer as palavras fluírem numa escrita gostosa e ritmada. No ensino superior ou no básico, são vários os exemplo de estudantes e professores que estão fazendo a diferença. Premiações em nível nacional estimulam e valorizam as iniciativas Brasil afora e fazem da eduçação um celeiro de talentos do conhecimento.

Aluno do 10º período de engenharia ambiental do Centro Universitário UNI-BH, Magno André de Oliveira conseguiu apoio para levar adiante projeto de tratamento de efluentes da indústria têxtil. Ele ganhou R$ 100 mil do Santander Universidades, além de cursos em Boston (EUA) e em São Paulo. A premiação ocorreu no mês passado, na capital paulista. O programa mantém mais de 1,1 mil convênios com instituições de ensino superior de todo mundo, dos quais 450 são acordos com estabelecimentos de ensino brasileiros. Em Minas, são 51 universidades públicas e privadas.

A inspiração de Magno foi um curso d’água em Ribeirão das Neves, na Grande BH, que tem na cor da água alterada e na falta de peixes reflexos dos dejetos recebidos de uma empresa. Veio a vontade de criar algo, pois o mercado não oferece produtos eficazes. “O mais usual é o ozônio, que é muito caro e precisa de quantidade grande para tratar efluente e, ainda assim, sem remover 100% da cor.”

Magno usou um preparo de catalisadores à base de óxidos de ferro e titânio impregnados em matrizes carbonáceas para o tratamento. E deu certo. Além da cor, o produto remove ferro e titânio e tem a capacidade de degradar e absorver, possibilitando o reuso. Assim, a água limpa volta ao ambiente e pode ser reaproveitada na indústria têxtil: “Obedece o tripé de sustentabilidade, sendo ambientalmente correto e justo. ” O dinheiro do prêmio será usado pelo estudante, que está se formando, e o orientador dele, professor Alan Rodrigues Teixeira Machado, para abrir o próprio negócio, voltado para a criação de novas tecnologias para minimizar o impacto das ações antrópicas.

O diretor da Divisão Brasileira do Santander Universidades, Jamil Hannouche, destaca a principal vantagem da parceria entre empresas e os centros de formação acadêmica: “É a construção de uma relação de confiança, que transcende temas comerciais entre a instituição financeira e a instituição educacional. Por meio de iniciativas que estimulam o desenvolvimento das universidades e dos universitários, estamos cada vez mais próximos dos nossos clientes, que se tornam nossos parceiros ao longo do tempo”. “É uma troca muito importante, na qual mantemos nossas portas abertas para conversarmos diretamente sobre as necessidades das reitorias, assim como ofertar nossos produtos, serviços e diferenciais junto ao público acadêmico.”

Até 2018, a Divisão Global Santander Universidades vai alocar 700 milhões de euros (cerca de R$ 2,1 bilhões) em projetos e iniciativas universitárias. Desse montante, 40% serão destinados a bolsas de acesso de mobilidade nacional e internacional de estudantes e professores; 30% a fomentar a pesquisa, inovação e o empreendedorismo universitário e os 30% restantes para apoiar projetos acadêmicos e iniciativas destinadas à modernização e incorporação das novas tecnologias na universidade.

ABERTURA Na categoria Universidade solidária foi vencedora pela segunda vez projeto da professora de enfermagem Mirtes Ribeiro, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). O projeto Apicultura: comunidade quilombola de Baú mudou a realidade da comunidade rural localizada a 30 quilômetros da cidade do Serro e a 100 quilômetros de Diamantina, sede da universidade. Os moradores do lugar cultivavam abelha, apoiados por uma ONG local, mas a atividade não gerava renda nem havia as condições estruturais exigidas pela legislação para a certificação de mercado.

O trabalho tem como base equipe de alunos de diferentes áreas da universidade. “Cada estudante identifica a necessidade e busca no conhecimento científico proposta para solucionar a demanda da comunidade”, diz Mirtes. Com o prêmio, o grupo terá recurso para dar andamento ao produto e gerar renda, com base no desenvolvimento sustentável.

O primeiro prêmio recebido pela educadora foi em 2011, com projeto também numa comunidade quilombola que trabalhava com a criação de galinhas caipiras. Em dois anos, foi possível inseri-los no mercado de trabalho e obter o registro no Instituto Mineiro de Agricultura (IMA). Além do negócio, a assessoria técnica e as visitas semestrais da equipe do Santander identificaram outra demanda daquele grupo de mulheres: a maioria era analfabeta.

“Como pesar galinha se não sabiam ler? O banco veio com aporte de recursos extra oferendo apoio pedagógico e psicólogo para que alfabetizássemos. Para criar e vender começamos do zero. Hoje, elas têm livro caixa, fazem capital de giro, vendem, compram.” A expectativa é que o mesmo ocorra em Baú, onde há um grupo de 100 analfabetos. “O interessante desse programa é que ele avalia a necessidade daquela comunidade e nos permite abertura para além do projeto original.”
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