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Medicina da Universidade Federal de São João del-Rei recebe nota baixa do MEC

Em Minas, que abriga 23 cursos da carreira mais concorrida nos processos seletivos de faculdades e universidades, 17,4% ganharam alerta vermelho, entre eles, o da federal de São João del-Rei

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postado em 19/12/2014 06:00 / atualizado em 19/12/2014 07:24

Junia Oliveira /

NANDO OLIVEIRA/ESP. EM/D. A PRESS - 17/4/12


Quase um quinto dos cursos de medicina no país estão com a corda no pescoço no quesito qualidade do ensino ofertado. Dos 139 avaliados pelo Ministério da Educação (MEC), 27 (19,4%) tomaram bomba, ao receber notas 2 e 1, abaixo da média satisfatória instituída pelo Conceito Preliminar de Curso (CPC), o termômetro da graduação, que vai de 0 a 5. Em Minas Gerais, que abriga 23 cursos da carreira mais concorrida nos processos seletivos de faculdades e universidades, 17,4% ganharam alerta vermelho, entre eles, o da federal de São João del-Rei, na cidade homônima, no Campo das Vertentes. Os dados fazem parte dos resultados do Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (Enade) aplicado no ano passado, divulgados ontem no Diário Oficial da União (DOU).

O CPC avalia a qualidade dos cursos de graduação. O indicador é composto pelo resultado do Enade e pelas avaliações feitas por especialistas in loco. Eles verificam as condições de ensino, em especial o corpo docente, as instalações físicas e a organização didático-pedagógica. Já o exame avalia o rendimento dos alunos que estão entrando ou se formando na graduação. A prova é obrigatória para alunos selecionados e é pré-requisito para a obtenção do diploma. A avaliação é anual, mas cada curso é inspecionado trienalmente.

Nenhuma das instituições conseguiu excelência no curso – a nota 5. E nenhuma teve pontuação mínima (1). O mau desempenho tem suas consequências: equipes do MEC verificarão em cada instituição as condições do local e um prazo para adequações deve ser aberto para adoção de medidas. Caso contrário, a faculdade perde vagas e até o direito de abrir novas turmas. Além da UFSJ, estão na berlinda a Universidade José do Rosário Vellano, em Alfenas, no Sul do estado; a Presidente Antônio Carlos (Unipac), de Juiz de Fora, na Zona da Mata; e o Centro Universitário de Caratinga, no Vale do Rio Doce.

A única federal entre as quatro mineiras avaliadas a mostrar desempenho ruim, com nota 2, afirma, por meio de nota, que o número “não expressa a realidade do curso”. A Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) informou que, em outubro do ano passado, recebeu no câmpus Centro-Oeste Dona Lindu, em Divinópolis, a comissão de avaliadores especialistas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e atribuiu ao curso o conceito 4. Segundo o comunicado da universidade, o que mais influiu no resultado do CPC foi o Índice de Diferença de Desempenho (IDD). Ele mede a diferença entre o desempenho esperado do estudante, derivado da nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e o observado no Enade.

“Nos cursos de elevada demanda, com elevada nota de corte, como o de medicina, a experiência mostra que o IDD é desfavorável. Outro importante componente negativo foi o da organização didático-pedagógica, resultante de questionários preenchidos pelos estudantes”, informou a UFSJ. A instituição desconhece as razões para os estudantes terem respondido de forma negativa a essas perguntas. E destaca o doutorado em ciências da saúde como reflexo da qualificação do corpo docente e das condições de oferta do curso.

UFMG 
Entre as instituições que se destacaram, com nota 4, estão os cursos de medicina do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH), da Universidade do Vale do Sapucaí (Univás), em Pouso Alegre, no Sul do estado; e das federais de Minas Gerais (UFMG) e do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberaba. A outra federal avaliada, a de Juiz de Fora (UFJF), teve nota 3 em medicina, pontuação considerada satisfatória. A UFMG ainda obteve nota máxima – 5 – no Índice Geral de Cursos (IGC), segundo indicadores de qualidade da educação superior em 2013 divulgados ontem.

Em 2013, o Enade avaliou o desempenhos de alunos e das instituições de nível superior nas áreas de saúde e agrária. Foram avaliadas universidades, faculdades e centros universitários, nos cursos de agronomia, biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social, zootecnia, além dos tecnológicos de agronegócio, gestão hospitalar, gestão ambiental e radiologia. O MEC publicou ontem também as notas do Índice Geral de Cursos (IGC), composto pela média do Enade e CPC.
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