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Mineiros brilham

Estudantes e professor de BH são únicos brasileiros em evento da Unesco no Japão

Delegação participou de evento voltado para desenvolvimento sustentável. Mata da Mutuca foi pauta

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postado em 13/12/2014 07:00 / atualizado em 13/12/2014 07:45

Junia Oliveira /

Beto Novaes/EM/D.A Press

Eles bem poderiam estar ali como diplomatas ou até mesmo chefes de estado. A postura não enganava. Seriedade, discussão importante e assunto de interesse mundial. Eram apenas adolescentes, mas lidando com gente graúda, sem se intimidar, em território estrangeiro. Num dos eventos mais importantes da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que reúne, anualmente, escolas, governos e organizações não-governamentais de diversas partes do mundo, estudantes do ensino médio fizeram bonito. Do Brasil, a delegação saiu direto das montanhas de Minas para a terra do sol nascente. Três alunos e um professor do Colégio Magnum, na Região Nordeste de Belo Horizonte, única instituição de ensino do país selecionada para participar da edição deste ano, no Japão, viajaram com uma responsabilidade e tanto na bagagem: comparar matas urbanas e seus modelos de gestão, tendo como objetos a Mata da Tijuca, no Rio de Janeiro, maior floresta urbana do mundo, e a Mutuca, em BH.

Os estudantes do 2º ano Bernardo Nicolau do Carmo Gonçalves, de 17 anos, Nádia Eliza Ramos e Maria Karolina Matarelli Pereira de Almeida, ambas de 16, o aluno do 1º ano Rodrigo de Brito Prates, também de 16, e o professor de geografia do ensino fundamental Leonardo Luiz Silveira da Silva aprenderam, ensinaram e encantaram. O primeiro critério para participar do evento é ser uma escola associada à Unesco – no Brasil, são 200. A edição de 2014, ocorrida em novembro, fechou um ciclo de 10 anos de uma temática voltada à educação para o desenvolvimento sustentável. Em uma década, a principal bandeira foi desenvolver esse olhar das escolas.

Para os mineiros, houve duas etapas. Na primeira, em Okayama, houve o encontro de professores e estudantes das 40 delegações. Cada apresentação, de 20 minutos, podia ser feita em inglês, francês ou japonês. Em junho, a direção do Magnum orientou a equipe a fazer um projeto representando o Brasil de forma múltipla. Assim, surgiu a ideia de trabalho com a Mata da Tijuca, no Rio, e a Mutuca, em BH.

No modelo belo-horizontino uma área de empresas e do governo, é proibida a entrada do público. No outro, a população é convidada a vivenciar o espaço. Na Tijuca, os estudantes foram a campo para colher a impressão de brasileiros e de estrangeiros, por meio de questionários. Na Mutuca, o jeito foi visitar os arredores e fazer perguntas à vizinhança para saber as impressões dela sobre o local. Para a surpresa geral, muitas pessoas sequer sabiam da existência desse espaço verde. “O modelo de participação é pedagógico e faz com que o cidadão se torne um protetor daquele ambiente. As agressões sofridas pela Mutuca não encontram defensores, porque não há vínculo emocional da população com o ambiente”, explica Leonardo.

Terminada essa etapa, enquanto a maioria fazia as malas para retornar a seus países, os belo-horizontinos arrumavam a bagagem para seguir rumo a Nagoya, uma das mais importantes cidades japonesas, para uma conferência internacional. A delegação mineira e uma escola japonesa foram as duas únicas selecionadas para essa segunda fase. O professor Leonardo Silveira acredita que dois pontos foram fundamentais para essa escolha. “O primeiro é o que o Brasil é sede de grandes conferências de meio ambiente, como a Eco 92 e Rio + 20. O outro é o papel que o país representa entre as nações em desenvolvimento.”

CELEBRIDADE E o que já estava bom, ficou ainda melhor. Bernardo foi o indicado para representar estudantes de todo o mundo numa plenária lotada. Ele integrou mesa redonda, entre outras personalidades, com o ministro da educação de Gana. E Bernardo foi uma atração à parte. Virou celebridade, a ponto de ser tietado para fotos. Além da fluência no inglês, impressionou pelo carisma, usando e abusando das frases de efeito. No dia seguinte, não faltou palestrante usando frases dele em seus discursos. “Foi uma surpresa e alegria. Sempre quis participar desse tipo de evento, é a situação que quero para minha vida. E realizar tão cedo foi fascinante.”

Experiência, sonhos e
esperança na bagagem


Para quem foi ao evento da Unesco no Japão, oportunidade de aprender e lidar com culturas e povos diferentes são experiências que ficarão para sempre.

Estudante do 2º ano do ensino médio, Bernardo Gonçalves, de 17 anos, acabou atuando como um líder no evento. O nervosismo ficou de lado quando chegou em Nagoya, para a grande conferência internacional. “Senti-me à altura do papel que me foi dado de representar sonhos, desejos e esperanças daquelas pessoas, os mesmos sentimentos que os meus.”

Aluno do 1º ano , Rodrigo Prates, de 16, leva consigo uma nova maneira de encarar a vida: mesmo diante das adversidades, com paciência, diálogo e compreensão pode-se chegar a um denominador comum para melhorar a realidade atual. “Os objetivos pontuais de todos eram diferentes, mas estávamos reunidos com propósito comum, que era ampliar e espalhar a educação para a sustentabilidade e tornar o mundo um lugar mais sustentável.”

 Outra aluna do 2º ano, Nádia Eliza Ramos, de 16, também teve papel de destaque no Japão, ao ser selecionada para participar de uma coletiva de imprensa em Nagoya. Respondeu a perguntas de jornalistas e falou, entre outros assuntos, sobre a diferença da educação para desenvolvimento sustentável para aquela recebida pelos pais. “Respondi que  a maior diferença é que, no primeiro caso, é dada mais voz ao aluno, que pode opinar e se expressar. No regime antigo, era preciso seguir as regras do professor.”

TRANQUILIDADE Também do 2º ano, Maria Karolina Matarelli Pereira de Almeida, de 16, diz que foi uma experiência única. A tranquilidade de que se saíram bem, apesar da pressão, é certeira. “Participamos de workshops com ministros e representantes de ONGs, e, no entanto, participávamos de igual para igual, discutindo, sem nos intimidar.” Canadá, Grécia, Turquia, Gana. O mundo passou por seus olhos. (JO)

Enquanto isso...

…site da biblioteca da UFMG é hackeado

Quem tentou acessar ontem o site da Biblioteca Central da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) se surpreendeu ao se deparar com música e um aviso que dizia, em inglês, “hackeado por desconhecido”. A assinatura era de um grupo intitulado Muslim Cyber Corporation (corporação cibernética muçulmana), da Indonésia. Na página do Facebook, eles se dizem uma organização comunitária e pregam que o islamismo não é um terrorista. O feito do grupo ao sistema de bibliotecas da maior instituição de ensino superior mineira foi postado na rede social às 10h e recebeu quatro curtidas e um comentário. Uma delas tinha um fundo musical em inglês e, o outro, uma animada música árabe. A universidade informou que está trabalhando para restabelecer o serviço e que não houve prejuízos à instituição.

Detentos medalhistas

Dois detentos da Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba, no Vale do Rio Doce, foram medalhistas de ouro na Olimpíada Internacional de Matemática. Frank Zappa Oliveira Araújo, de 25 anos, e Valdeir Lopes Nunes, de 30, alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), receberam o prêmio ontem, em cerimônia no auditório da escola estadual instalada dentro da unidade prisional. A olimpíada é promovida pela entidade francesa Association Mathématiques Sans Frontières e organizada no Brasil pela Rede do Programa de Olimpíadas do Conhecimento (Rede POC). A escola tem ainda 12 detentos cursando o ensino superior a distância, nos cursos de administração de empresas, turismo e ciências contábeis.
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