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Estudo diz que pouco mais da metade do estudantes mineiros concluiu ensino médio

Para especialistas, situação indica que é necessário investir mais em atrair os alunos e mantê-los na sala de aula até o fim da educação básica.

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postado em 08/12/2014 07:27

Guilherme Paranaiba

Pouco mais da metade dos estudantes mineiros com 19 anos havia concluído o ensino médio no ano passado. O percentual, de 57%, apontado em estatística elaborada pelo Movimento Todos Pela Educação, está acima da média nacional (54,3%), mas ficou abaixo da meta estipulada para 2013 (64,5%) pela instituição, uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) mantida por grandes grupos empresariais e formada por integrantes de diferentes setores da sociedade.

A intenção é que pelo menos 90% dos estudantes até essa faixa etária terminem o ensino médio anualmente, conforme uma das cinco metas educacionais estabelecidas pela instituição, tendo como limite 2022, ano do bicentenário da Independência. Para alcançar um crescimento gradativo, foram definidos padrões intermediários desde 2007. E, embora Minas Gerais esteja evoluindo, o quadro representa um sinal de alerta, já que o estado tem se afastado das metas propostas no comparativo dos seis últimos anos (veja quadro). Para especialistas, isso indica que é necessário investir mais em atrair os alunos e mantê-los na sala de aula até o fim da educação básica.

As informações se baseiam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2013, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como a Pnad é feita por amostragem, os resultados trazem um intervalo de confiança, similar ao das pesquisas eleitorais. O limite de 19 anos leva em conta o máximo de dois anos de distorção entre a idade do aluno e a série que ocupa. Considerados todos os 26 estados e o Distrito Federal, Minas ocupa o sétimo lugar em percentual de conclusão do ensino médio.

O Movimento Todos Pela Educação estipulou cinco metas educacionais para serem alcançadas até 2022. A meta 4, cujos dados de 2013 estão sendo divulgados agora, diz que todo jovem com 19 anos deve ter concluído o ensino médio. “As metas foram estudadas pela nossa comissão técnica com base em debates e discussões com os organismos técnicos e critérios nacionais”, afirma Alejandra Meraz Velasco, coordenadora-geral do Todos Pela Educação. Ela explica que o cenário revelado pela pesquisa indica a necessidade de reformular o ensino médio.

“Temos um excesso de disciplinas obrigatórias e o formato atual é a única opção de trajetória. Diferente de outros países, o ensino médio no Brasil não permite uma concentração em áreas específicas, de interesse dos alunos, no último ano da jornada”, diz Alejandra Velasco. Com isso, a coordenadora lembra que, em uma fase de maior autonomia, o jovem acaba não vendo o valor que essa formação terá para seu futuro. “Ainda temos no ensino médio um problema de falta de professores com a formação adequada para as disciplinas. Física e química são as piores situações. A qualidade do ensino fica comprometida”, acrescenta.

Em Minas, apesar dos resultados fora da meta, o estado vem investindo em um programa que persegue as mudanças apontadas como necessárias pela coordenadora do movimento. O Reinventando o Ensino Médio flexibiliza o currículo, com a implantação de temas transversais, atividades extraclasse e integração de áreas do mercado de trabalho ao currículo, apesar de não serem disciplinas profissionalizantes.

Fundamental

Além de estipular idade para o nível médio, a meta 4 também diz que o ideal é concluir o ensino fundamental até os 16 anos. Nesse quadro, 78,9% dos alunos nessa idade completaram a fase no ano passado em Minas, colocando o estado em quarto lugar no ranking nacional. Mais uma vez, os estudantes mineiros estão em ritmo de crescimento e ultrapassaram a média nacional (71,7%), embora tenham se mantido abaixo do resultado projetado para o ano passado (86%). “É possível perceber crescimento ao longo dos anos da taxa no nível fundamental, porém em velocidade menor do que o necessário. O médio é mais preocupante, pois apresenta tendência de estagnação. O investimento e a melhora do ensino médio são urgentes”, completa Alejandra Velasco, lembrando que a evolução também depende de melhorias nos primeiros anos da educação básica.

Hoje com 22 anos, o atendente Reinaldo Lopes da Silva largou o ensino médio há quatro, quando tinha 18. Ele cursava o primeiro ano, com três reprovações no histórico escolar. Naquela época, a necessidade de trabalhar acabou pesando na decisão. “Eu era cobrador de ônibus e não costumava ter horário muito fixo. Isso acabou me prejudicando e precisei largar a escola”, afirma. Apesar das dificuldades, ele diz querer voltar aos livros. “Gostava de estudar. Pretendo voltar ano que vem.”

O vendedor de sanduíches David Campos, de 23, é um dos exemplos de evasão no nível fundamental. Hoje ele trabalha ao lado do pai na porta do Minas Shopping, no Bairro São Paulo, Nordeste da capital. “Larguei na oitava série, quando tinha 20 anos. Parei e voltei algumas vezes. Depois que fui para o turno da noite, os alunos não respeitavam e quase não havia aula. Perdi a paciência e resolvi largar, mas ainda espero retornar”, diz. O pai, Wesley Cazita, de 48, lamenta a situação e espera que o filho consiga concluir os estudos. “Hoje, os tempos mudaram muito. Para ter boas oportunidades, com um salário fixo e bom, ele precisa estudar”, afirma.

Boletim

54,3% - É a média de brasileiros que concluíram o ensino médio até os 19 anos em 2013.

57% - É o percentual de mineiros que concluíram o ensino médio até os 19 anos em 2013.
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