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Ideb mostra rede pública mineira no topo do ranking do ensino fundamental

Desempenho no nível médio retrocedeu. Índice caiu também nas escolas particulares

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postado em 06/09/2014 00:12 / atualizado em 06/09/2014 07:35

Valquiria Lopes

Marcos Michelin/EM/D.A Press - 12/6/13

O resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referente ao ano-base de 2013 mostra que Minas vai bem quando o assunto é ensino fundamental. Os dados, divulgados ontem pelo Ministério da Educação, colocam a rede estadual em primeiro lugar no Brasil, tanto para os anos iniciais (1º ao 5º ano), quanto para os finais (6º ao 9º ano). No primeiro quesito, a educação pública mineira repetiu o histórico de três anos de liderança e saltou do índice 6, em 2011, para 6,2, em 2013. A novidade do primeiro lugar no ranking foi para os anos finais, em que o índice dos alunos de escolas estaduais mineiras passou de 4,4 para 4,7 no mesmo período. Os números indicam, no entanto, que o ensino médio continua sendo o maior desafio. Nessa faixa, houve queda de 0,1 ponto e o Ideb passou de 3,7 para 3,6, o que fez o desempenho do estado retroceder ao patamar de 2009. Com o resultado, Minas se manteve na quarta posição na escala nacional, dividindo espaço com Pernambuco, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Já na rede particular, os números mostram um cenário de queda de desempenho. Enquanto em 2011 a rede privada alcançou no ensino médio Ideb de 6,1, o índice caiu para 5,8 em 2013. A retração também foi observada no país, com a nota passando de 5,7 para 5,4 no mesmo período. No ensino fundamental, o índice no anos finais (6º ao 9º ano) também caiu e passou de 6,5 para 6,3. A boa notícia ficou apenas para os anos iniciais dessa faixa da educação, com nota que subiu de 7,4 para 7,6, índice previsto como meta pelo MEC para o estado.

No que diz respeito à rede estadual mineira, na comparação com os dados nacionais, o estado superou as médias do Brasil e também as metas propostas pelo Ministério da Educação (MEC). Nos primeiros anos do ensino fundamental, o índice 6,2 de Minas é superior aos 5,4 alcançados nas redes estaduais do Brasil e também aos 5,9 estabelecidos como meta pelo ministério para a educação mineira. Nos anos finais, o patamar de 4,7 da rede estadual também está à frente dos 4 pontos do Brasil e da meta do MEC para o estado que era de 4,4 pontos. A nota estabelecida pelo ministério para o Brasil era de 4,2 pontos. “Enquanto o país não atingiu a meta, Minas foi numa contramão positiva. Passamos para o primeiro lugar, superando a meta do Brasil e elevando a rede estadual no ensino fundamental. Nos anos iniciais, consolidamos a posição e melhoramos nossos índices”, afirmou a secretária de estado de Educação, Ana Lúcia Gazzola. Ela ainda destacou que a rede estadual de Minas foi a primeira a atingir o índice 6, nota considerada pelo MEC como de países desenvolvidos.

De acordo com a secretária, os bons resultados alcançados no ensino fundamental são resultado dos investimentos, do trabalho conjunto dos profissionais da educação e do acompanhamento presencial de equipes nas escolas estaduais de todo o estado. Segundo a representante do estado, foi por meio do Programa de Intervenção Pedagógica (PIP), implantado em 2007, que toda a rede nessa faixa de ensino passou a contar com serviço de orientação para montar o plano de ensino, com novas propostas para o cotidiano na sala de aula, além de receber apoio pedagógico para professores e alunos. Atualmente, o programa atende a 1.262 milhão de estudantes em mais de 3,3 mil unidades escolares.

Fora da meta A secretária, no entanto, admite que o ensino médio ainda é o ponto mais delicado da educação mineira. Ela, porém, ressalta que o desafio não se restringe a Minas, mas atinge todo o Brasil, bem como a outros países. “Entre os estados brasileiros, 23 dos 27 não atingiram a meta estabelecida pelo MEC”, disse. Com o índice de 3,6, Minas ficou 0,4 ponto abaixo da meta de 4 pontos determinada pelo órgão e, na média nacional, o índice de 3,4 do Brasil se manteve igual ao de 2011, também inferior ao previsto para 2013, que era de 3,6.

Ao explicar as causas do baixo desempenho mineiro no ensino médio, a secretária afirma ser impossível identificar uma única dificuldade. Mas, afirma, tudo está relacionado à difícil tareda de atrair o aluno do ensino médio para a escola e evitar o abandono que em 2012 (último dado disponível) foi de 10,1%. Entre os motivos, Ana Lúcia destaca a complexidade da fase pela qual passam os jovens. “É um momento de descobertas e é diferente oferecer escolaridade a um adolescente e a uma criança”, diz. Outro fator, segundo ela, são as mudanças tecnológicas. “O mundo mudou muito. As redes sociais disputam conosco a atenção do estudante e há outras influências negativas também. Às vezes, é muito difícil atrair o jovem. Mas, em Minas, não há nenhum jovem que procure uma escola de ensino médio e que não tenha uma vaga”, argumenta.

Segundo Ana Lúcia, resultados melhores poderão ser vistos em 2016, quando o programa Reinventando o Ensino Médio estará consolidado nos três anos dessa faixa escolar. Implantada em 2012, no primeiro ano de 11 escolas, a iniciativa foi expandida para o ano inicial do ensino médio de todas as 2.246 escolas e no segundo ano já chegou a 122 unidades. “O projeto foi criado com a participação dos jovens e muda a atuação da escola. Inserimos disciplinas pré-profissionalizantes que atraem e criam uma ponte entre a escola e o mundo do trabalho. Também usamos as redes sociais como parceiras. Entre as novas áreas estão tecnologia da informação, comunicação aplicada, empreendedorismo e gestão, turismo, meio ambiente e sustentabilidade, estudos avançados. Serão inseridos no cronograma, a pedido dos alunos, saúde familiar e coletiva e desenvolvimento agrário sustentável.”


METODOLOGIA


Feito a cada dois anos, o Ideb é um instrumento usado pelo Ministério da Educação desde 2005 para medir a qualidade do ensino no Brasil. O índice é calculado a partir da combinação do desempenho dos alunos no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e rendimento escolar (taxa de aprovação). O fator desempenho é medido com base nas notas dos alunos na Prova Brasil, nas disciplinas língua portuguesa e matemática, aplicada a todos os alunos do ensino fundamental no país. No ensino médio, a análise é feita por amostragem estatística. Em 2013, 75 mil estudantes foram avaliados nas provas do Saeb, nas redes pública e privada do país. Já os dados que indicam as taxas de aprovação são obtidos por meio do Censo Escolar.

Palavra de
especialista


Valéria Eugênia Silva
terapeuta e psicopedagoga, gestora pedagógica da Mind Lab Brasil

Para suprir
o vazio


Os resultados do Ideb em Minas mostram que investimentos e ferramentas voltados para o ensino fundamental são significativos, mas que ainda há um vazio no  ensino médio. Nessa faixa são poucas as ações que se concentram no desenvolvimento dos alunos, de forma a atender as necessidades dessa fase da vida. A escola precisa mudar para receber bem esses estudantes, que têm perfil seletivo, exigente e estão passando por um momento de descobertas. O foco é o Enem, enquanto poderia ser também voltado para metodologias com uso de ferramentas digitais, esportes e artes, por exemplo. É preciso valorizar as habilidades cognitivas, emocionais, sociais e éticas. Hoje, muitos laboratórios de informática estão subutilizados ou abandonados. Usadas de forma criteriosa, as ferramentas digitais podem ser grandes aliadas.
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