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Professores não sabem que educação ambiental em sala de aula é obrigatória

Dissertação de mestrado pondera que, apesar de legislação que impõe a educação ambiental em escolas, as ações estão longe do ideal porque ainda há desconhecimento da obrigatoriedade

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postado em 05/06/2014 06:00 / atualizado em 05/06/2014 06:43

Junia Oliveira /

Beto Novaes/EM/D.A Press

As ações de educação ambiental nas escolas estão previstas em lei há pelo menos 15 anos, mas, por enquanto, não passam de iniciativas pontuais, conforme dissertação de mestrado defendida em BH. Isso porque a maioria dos professores desconhece a obrigatoriedade de incluir o tema em sala de aula. Segundo a analista de educação e pedagoga Cleudes Dias Martins Andrade, autora do estudo, as ações de educação ambiental são sazonais e, muitas vezes, limitadas aos conteúdos de ciências e geografia. Por isso, impera o descumprimento da legislação que estabelece as diretrizes do Plano Nacional de Educação Ambiental (Pnea).

A dissertação Educação ambiental como função social da escola na perspectiva da Lei 9.795/1999 afirma que a maioria dos professores não domina o tema, o que inviabiliza o desenvolvimento de ações efetivas e constantes. “A educação ambiental é ligada, principalmente, a datas. A maioria dos educadores não conhece as diretrizes, porque a política de educação é voltada para avaliações de desempenho e as políticas de avaliação interna são de nível intelectual, não abrangem o social”, destaca Cleudes.

Para reforçar a Lei 9.795, os ministérios da Educação e do Meio Ambiente publicaram, em junho de 2012, resolução conjunta contendo as orientações curriculares e pedagógicas para a educação ambiental. Garantir a formação no tema é, aliás, uma das determinações do Pnea. Cleudes relata que os projetos de inclusão social existentes não são articulados às disciplinas. Assim, desobedecem critério da política nacional de educação ambiental, segundo o qual cada matéria deve transcender seu conteúdo e promover a interação social. “A falta de efetividade está ligada à ausência de formação. As poucas iniciativas são mérito da própria escola ou têm caráter intuitivo, porque não houve capacitação nesse sentido”, acrescenta a pedagoga.

Exemplo dessa formação é a oferecida pela Universidade Fumec, que trabalha a ecologia e o meio ambiente como ferramentas transversais do currículo. A coordenadora do curso de pedagogia e educação física da instituição, Alessandra Latalisa, diz que os temas são abordados em várias disciplinas. “O objetivo é formar um pedagogo com o cuidado que deve ter consigo e com o planeta, comprometido com a formação dos alunos. Assim, educadores compreendem o quanto é fundamental essa questão com as crianças.”

A coordenadora chama a atenção para o fato de que a educação começa em casa. Ações como guardar os próprios objetos, lavar as mãos e não desperdiçar água, e até a relação respeitosa com o outro, ajudam a compreender o assunto. “Tem que pensar global e agir local, porque para a criança faz sentido o aqui e o agora.”

A especialista acredita que escolas não alinhadas a essas diretrizes têm o projeto pedagógico comprometido: “Se houver seriedade e compromisso com as crianças, com o trabalho reforçado por hábitos em casa, as chances desse comportamento ficar para o resto da vida são maiores”.

AUTONOMIA


A Secretaria de Estado de Educação (SEE) nega que o tema não seja parte das diretrizes da rede. Resolução 2.197, de fevereiro de 2012, que dispõe sobre a organização e o funcionamento do ensino na educação básica, determina a articulação interdisciplinar e inclusão de temas transversais no currículo, entre eles a educação ambiental. Segundo a superintendente de Desenvolvimento da Educação Infantil e Fundamental da SEE, Vera Alice Temponi, os educadores passam por constante capacitação nos projetos de intervenção pedagógica.

Ela acrescenta que as escolas têm autonomia para escolher quando farão o trabalho, conforme necessidades específicas das instituições. Esta semana, a secretaria lança o projeto Educação para as águas, da Unesco, que vai preparar professores para trabalhar em sala com cartilhas e vídeos sobre o tema. Vera afirma que o reflexo dessas iniciativas é a mudança de comportamento dentro e fora da escola. “Percebemos o diálogo e como trabalham esses valores com a família e a comunidade. Acreditamos que todas essas ações contribuem para a sustentabilidade do planeta.”

Na Secretaria Municipal de Educação (Smed), a gerente de funcionamento escolar, Estelita Gonzaga, confirma que poucas escolas optam por trabalhar o tema numa disciplina específica. “Mesmo que a abordagem seja reconhecida como necessária, o fôlego dela não vai no contínuo, fica na transversalidade ou nas ações do contraturno”, relata.
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