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Crianças da rede de ensino fundamental de BH aprendem a cuidar do meio ambiente

A importância de evitar degradação e desperdício de recursos naturais em benefício da qualidade de vida é ensinada na sala de aula

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postado em 05/06/2014 06:00 / atualizado em 05/06/2014 06:41

Junia Oliveira /

Beto Novaes/EM/D.A Press
A pequena Míriam Raquel da Silva Cassemiro, de 8 anos, aluna do 2º ano do ensino fundamental, sempre foi encantada pelas plantas do quintal da casa da avó, mas foi num canteiro muito especial que ela viu a oportunidade de saber mais sobre aquele mundo mágico. Especial porque, na horta da Escola Municipal Agenor Alves de Carvalho, no Bairro Nazaré, na Região Nordeste de Belo Horizonte, quem cuida das verduras e ervas medicinais é a meninada. Plantar, aprender e viver na prática as consequências do desperdício de água, manter limpos os ambientes, separar o lixo para reciclagem e consumir menos. Nas instituições de ensino da capital, as crianças carregam muito além de livros e cadernos. Levam na mochila a responsabilidade de transformar uma sociedade em nome de um mundo melhor.

A horta orgânica é exemplo de como o trato com o ambiente pode mudar o cotidiano e as atitudes de crianças e adultos. Criada há dois anos, a iniciativa, que começou com mudas em garrafas PET, resultou num canteiro de encher os olhos, com alface, couve-chinesa, couve-manteiga, salsinha, cebolinha e almeirão-roxo. Embora seja uma das oficinas da escola integrada, programa desenvolvido fora do turno normal de estudo, a iniciativa foi abraçada pela escola. A monitora Andréa Benedita dos Santos recorda do início do projeto. “Achei que não daria certo. Os meninos não se interessavam, não levavam a sério, não gostavam de plantas e tinham até nojo de tocar a terra. Com o tempo, aprenderam a gostar e hoje têm carinho e interesse pela horta. Minhas preocupações acabaram.”

Os alunos tomam conta mesmo e botam a mão na massa. Molhar a terra, fofar, plantar e colher. Cada um batiza sua plantinha e, no meio de tantas, sabem exatamente qual lhe pertence. As verduras abastecem a cantina da escola e são também levadas para casa pelos “legítimos donos”. A diretora Márcia Cristina Figueiredo Costa acredita que o trabalho com a terra, feito com cada turma durante uma hora, é um antídoto ao estresse das cerca de 100 crianças e adolescentes, com idade entre 6 e 15 anos, que participam da oficina diariamente. “Os mais agitados são os que mais gostam.”

Transformação
As mudanças não afetaram apenas os alunos, mas a própria monitora, que não prestava atenção ao tema ambiental até começar a se envolver com o assunto e a fazer cursos de aperfeiçoamento, como relata o vice-diretor Valdeci de Campos França: “É impressionante como isso muda a pessoa. Transformou a monitora, que viu a possibilidade de mudar também os meninos”.

É esse o sentimento de Tatiana Natália Pimenta, de 13 anos, do 8º ano do fundamental. A garota, que antes não tinha contato com plantas, conta que as aulas de ciências ficaram mais interessantes com a possibilidade de ver na prática o que mostram os livros. “Passei a vir aqui depois de descobrir que eu gostava mais de plantas do que qualquer outra coisa.” Cuidar do ambiente para viver e se alimentar entrou para a ordem de suas prioridades. “As pessoas estão mais interessadas em mexer com tecnologia do que com vegetação. E isso pode ter consequências ruins.”

O adolescente Bruno Felipe Barbosa Vieira da Rocha, de 15, aluno de inclusão do 8º ano do fundamental, recebeu com orgulho a responsabilidade de deixar as plantas vistosas, molhando-as sem falhar um dia sequer, pontualmente, às 17h20. “As pessoas não se preocupam com o meio ambiente e isso é grave.” A garota Míriam Cassemiro tem palavras repletas de convicção, permeadas do jeito criança de entender e explicar os problemas. “É muito bom cuidar da natureza. Bom para a gente, porque respiramos o ar das plantas, e bom para elas, porque a folha é a comida da flor”, diz ao se referir aos nutrientes formados naturalmente pela queda das folhas.

 

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