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Entrada da UFMG no Sisu gera explosão no número de aprovados de outros estados

Número saltou de 4% em 2011 para 17% este ano. A maioria é de São Paulo, com 10% dos 3.535 selecionados

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postado em 21/01/2014 06:00 / atualizado em 21/01/2014 12:11

Junia Oliveira /

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) agora é do Brasil. Num vestibular de concorrência nacional, estudantes de outros estados se destacam entre os aprovados. A estreia da instituição no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) veio acompanhada de uma explosão desses candidatos. Em 2011, eles representavam 4% dos selecionados, chegaram a 9% em 2012 e ficaram em 7% no ano passado, mas saltaram para 17% agora. Em meio a vários sotaques, o paulista é o mais presente. Alunos de São Paulo representam quase 10% de todos os 3.535 selecionados para o primeiro semestre na UFMG. São esperados 349 estudantes para confirmar a matrícula da primeira chamada, 117 a mais do que em 2013.

No processo seletivo do ano passado, quando foram oferecidas 6.670 vagas, 93% dos aprovados na UFMG (6.231) eram de Minas. Agora, com metade das vagas em jogo – o restante será oferecido no Sisu do segundo semestre –, esse índice caiu para 83% (2.955). Depois de São Paulo, o estado com o maior número de aprovados é o Espírito Santo (60). Entre os futuros calouros, existe gente de todo o Brasil, exceto da Paraíba.

O número de inscrições triplicou em relação ao ano passado. Foram 186.123 inscrições e 146.101 inscritos, já que cada candidato podia fazer até duas inscrições. Em 2013, foram 60.264. Os “forasteiros” ajudaram ainda a aumentar a relação de candidatos por vaga, que cresceu 4,5 vezes no Sisu, em comparação com o último vestibular. Antes, eram nove estudantes na disputa pela mesma cadeira. Nesta edição, esse número subiu para 41,32.

O reitor da UFMG, Clélio Campolina, disse que este crescimento era esperado. “Isso dá uma dimensão mais nacional ao exame, algo de que a universidade precisava. A UFMG é a segunda instituição a mandar estudantes para o exterior, atrás apenas da Universidade de São Paulo (USP). Na avaliação trienal da pós-graduação, estamos no topo, com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ou seja, estamos bem, mas a dimensão nacional é muito importante”, avalia.

Para o reitor, o aumento de alunos de outros estados será um processo natural, proporcionado por um sistema de seleção que acabou com a barreira geográfica dos vestibulares. “Acompanharemos as experiências de outros países, como EUA, Inglaterra, França e Alemanha, onde há essa mobilidade. O aluno traz experiências novas, mostra outros padrões culturais. É enriquecedor para o estudante e para a universidade, uma tendência natural na medida em que se introduz um exame nacional”, disse, referindo-se ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Campolina lembra que o método anterior de seleção atraía muitos alunos em nível regional. A necessidade de deslocamento para fazer o vestibular e o custo com inscrições, entre outros fatores, contribuíam para que estudantes de outros estados não se interessassem tanto em estudar em BH. “O Enem é nacional, gratuito e, portanto, é mais democrático e não há país desenvolvido  que não adote esse modelo único de seleção”, afirma.

Mas, apesar do aspecto positivo do Sisu de permitir a mobilidade de estudantes, a moradia é o grande entrave na opinião do reitor. “Nos outros países, as universidades têm moradia estudantil. No Brasil, ainda é difícil. Mudar de casa é caro. Essa é a única dificuldade a ser enfrentada”, relata. A UFMG conta atualmente com 600 moradias e está construindo mais 300.

‘A UFMG
TEM NOME’


Apesar de uma aparente “invasão”, Campolina acredita que o cenário ainda pode mudar, porque o resultado da Fuvest, que seleciona alunos para a USP e a Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, além da Unicamp, ainda não foi divulgado. “É normal que o bom aluno que fez opção por aqui espere o resultado das estaduais paulistas e acabe mudando”, diz.

É o caso do estudante Ygor Arthur César de Jesus, de 19 anos. Morador da cidade de São Paulo, ele aguarda o resultado da Unicamp e a segunda chamada da Universidade Federal do ABC Paulista. Na UFMG, o ex-aluno do cursinho da Poli passou em engenharia ambiental. No ano passado, ele não fez o vestibular na UFMG e animou este ano por causa da entrada da instituição no Sisu. “Como sou do Sudeste, escolhi uma federal desta região. A UFMG tem nome e tenho vários colegas que estudam nela”, conta.

Ygor não pretende se matricular, pois está confiante no resultado positivo da Unicamp. “Fiz a prova de segunda chamada na mesma época em que saiu o resultado do Sisu. Por mais que eu não vá estudar na UFMG, vi que meu trabalho teve frutos e fiquei até mais tranquilo para o outro vestibular”, conta.

Nos últimos anos, os candidatos de São Paulo têm sido os mais fortes na disputa na UFMG. Em 2011 e 2012, eles estiveram no topo da lista de inscritos. No ano passado, o maior número de aprovados era de paulistas. E não é apenas porque São Paulo é o estado mais rico e populoso, é próximo geograficamente. O reitor Clélio Campolina atribui a questões familiares o interesse pela instituição mineira. “São Paulo é formado por imigrantes, sendo Minas e o Nordeste os grandes exportadores de pessoas para lá na década de 1950. Boa parte dos moradores daquele estado tem raízes familiares em outros estados e esses laços, de certa forma, cumprem o papel de atrair estudantes.”

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