Minas tem o melhor ensino básico do Brasil

Estudantes do estado se destacam no índice que mede desempenho na educação básica. Nas primeiras séries do ensino, nota é a melhor do país, considerando conjunto das redes pública e privada

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postado em 15/08/2012 06:00 / atualizado em 15/08/2012 07:10

Luciane Evans /

Minas Gerais tem a primeira rede estadual do país a atingir, nas séries iniciais da educação, nota 6 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), conforme os dados de 2011, divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC). O desempenho fez com que o estado alcançasse a nota recomendada como padrão de qualidade, inclusive em países da comunidade europeia, superando o Ideb nacional, que foi de 5. Escolas municipais mineiras também se destacaram. Com a nota de 8,6, a Escola Municipal Carmélia Dramis Malaguti, de Itaú de Minas, com pouco mais de 15 mil habitantes, no Sul do estado, alcançou o mais alto Ideb do Brasil na primeira fase da educação. Na média, os alunos mineiros obtiveram 5,9 nas séries iniciais, o melhor desempenho do país até a 4ª série; 4,6 nas séries finais (5ª a 9ª); e 3,9 no ensino médio.

O índice, criado pelo MEC em 2005, faz uma radiografia da qualidade da educação, com divisões entre as três etapas. É calculado com base em taxas de aprovação das escolas municipais, estaduais e federais que integram a rede pública e também na nota dos alunos em provas de português e matemática feitas pelo ministério, como a Prova Brasil, avaliação aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) a cada dois anos.

No último Ideb, medido em 2009, a rede estadual mineira já ocupava a primeira colocação nas séries iniciais, com índice de 5,8. Com a nota 6, deixou para trás a meta estabelecida para 2011, de 5,7, e ultrapassou a estipulada para 2013, de 5,9. No total, 767 escolas estaduais mineiras apresentaram Ideb igual ou superior a 6 nos anos iniciais em 2011.

Considerando o Ideb de todas as redes — estadual, municipais e privada — Minas Gerais também conseguiu destaque. O índice geral de 5,9 na primeira fase do ensino ultrapassa igualmente a meta estipulada para 2013, que é de 5,7. Na rede privada, a nota nas séries iniciais foi de 7,4, ultrapassando da mesma forma a média nacional, de 6,5, e a meta, que era de 6,6 para o ano passado.

Nos anos finais, que compreendem da 5ª à 9ª série, a rede estadual mineira também apresentou evolução. No Ideb 2011, as escolas dos anos finais alcançaram a média de 4,4, o que valeu o segundo lugar entre as escolas estaduais de todo o país, atrás de Santa Catarina, com 4,7. “Com Ideb de 4,4, a rede estadual mineira alcançou antecipadamente a meta estipulada para 2013”, afirma a secretária de estado da Educação, Ana Lúcia Gazzola. No índice geral, que considera todas as redes, o estado é o terceiro do país, com 4,6, atras de São Paulo (4,7) e de Santa Catarina (4,9). “As escolas municipais, estaduais e particulares estão de parabéns”, comemora a secretária.

NACIONAL Se o Ideb 2011 fosse uma avaliação do país, o Brasil apareceria na média. Isso porque, de acordo com os dados, em uma escala de 0 a 10, a nota atribuída aos anos iniciais do ensino fundamental foi 5. O resultado supera a meta estabelecida para 2011, de 4,6 pontos, 0,4 ponto acima do verificado em 2009. Nos anos finais, a melhora é mais lenta: a nota passou de 4 pontos em 2009 para 4,1. No caso do ensino médio, na média nacional a meta de 3,7 pontos foi atingida, mas nove estados tiveram desempenho pior que em 2009.

A nota mineira no ensino médio é a quarta melhor do país, de acordo com o Ideb 2011, tendo alcançado o índice de 3,9 e cumprindo a meta estipulada para o período. Mas, em comparação com 2009, o crescimento foi de apenas 0,1. A rede estadual mineira ficou atrás de Santa Catarina, na primeira posição, com Ideb de 4,3, e São Paulo, que ficou em segundo, com Ideb de 4,1, e Paraná, com 4. “O ensino médio está assim no mundo inteiro. É um problema grave, pois trabalhamos nesse período com uma geração mais difícil. É o momento em que os estudantes deixam de ser crianças”, avalia a secretária Ana Lúcia Gazzola.

De acordo com ela, a intenção do estado é conseguir que haja, nessa etapa da vida estudantil, mais alunos nos turnos da manhã do que à noite. “Já atingimos 76,4% do ensino médio diurno. A meta é chegar a 85%, mas um grande problema é a evasão escolar nessa etapa, que no Brasil alcança 48%. Em Minas, temos 38%”, comenta, acrescentando que um programa mineiro para mudar o quadro está sendo aplicado em 11 escolas da rede estadual, o chamado Reiventando o Ensino Médio. “É um projeto-piloto, que pretende atrair mais esses estudantes, mudando a grade e a carga horária. A esperança é de que, no ano que vem, 122 escolas mineiras recebam o programa e, em 2014, isso passe para as 2,2 mil.”

BELO HORIZONTE O Colégio Militar de Belo Horizonte, da rede federal, obteve a sétima nota mais alta do país no Ideb, consideradas as séries finais, com 7,2. Escolas municipais da capital também tiveram destaque. Em 2009, a nota nos anos iniciais da cidade era de 5,3 e dos anos finais, 3,8. Em 2011, a nota dos iniciais passou para 5,4 e, nos finais, 4,5. “O interessante é que essa nota era a nossa meta de 2013. O desempenho de BH foi muito bom e reflete a ampliação da escola infantil integral e as melhorias na qualidade do ensino”, comenta o prefeito Marcio Lacerda.

Palavra de especialista
Daniel Cara
coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação


“O Ideb não é um indicador perfeito, mas é um índice importante, porque é o que o Brasil tem para fazer análise de como está a qualidade da educação básica. O problema é que ele sozinho não consegue responder se o sistema de ensino melhorou ou não. Com esses resultados, podemos inferir que o ensino fundamental nos anos iniciais tem recebido maior atenção do poder público, especialmente da esfera municipal e da União. O melhor desempenho nesse período, comparado aos seguintes — no fim do ensino fundamental e no médio —, mostra que esse esforço não está sendo correspondido ou se aperfeiçoando. É como se estivéssemos falhando nessa etapa. De modo geral, podemos dizer que o Brasil começa a acertar no início da alfabetização, mas falha muito no fim do processo, o que reflete a incapacidade do Estado de ser sistêmico. É como se o país estivesse ficando bom de largada e ruim na chegada. Fica a certeza de que para garantir educação de qualidade desde a creche até a universidade, que nem entra na avaliação do indicador, é preciso políticas novas para que, de fato, os estudantes possam aprender.”