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Ensino integral incrementa dia a dia nas escolas com atividades extraclasse

Glória Tupinambás -

Publicação: 12/04/2011 07:46 Atualização:


Igor Brant aprende truques de malabarismo, Thaís Vital faz aulas de violão, Júlio Gonçalves usa técnicas de grafitagem para colorir uma parede e Samara da Cunha ensaia coreografias de dança contemporânea. A surpresa para quem vê o dia a dia desses jovens de 14 anos é constatar que toda essa diversidade se passa no mesmo horário e local: a Escola Municipal Professor Paulo Freire, no Bairro Ribeiro de Abreu, na Região Noroeste de Belo Horizonte. A instituição onde estudam os quatro alunos do 9º ano do ensino fundamental mostra que o aprendizado ultrapassa as salas de aula e, como uma das pioneiras do projeto Escola Integrada na capital, vira exemplo para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e para a Fundação Itaú Social.

As duas entidades lançaram, ontem, em BH, a nona edição do prêmio Itaú-Unicef. Criado em 1995 para incentivar experiências de educação em tempo integral em todo o Brasil, o evento reuniu 210 projetos mineiros na última edição, em 2009, e este ano espera reunir mais de 10 mil iniciativas no país. Com o tema “Experiências que transformam”, a premiação está com inscrições abertas até 31 de maio. Podem participar organizações não-governamentais (ONGs) responsáveis por ações socioeducativas, articuladas com políticas públicas de educação e assistência social, voltadas para crianças e adolescentes de 6 a 18 anos.

No lançamento do prêmio, a Fundação Itaú Social apresentou análise detalhada de 16 experiências brasileiras em educação integral. Um dos destaques foi o programa Escola Integrada, implantado na rede municipal de BH, em 2006, e que hoje atende cerca de 35 mil estudantes, de 140 instituições públicas de ensino. Com atividades de acompanhamento escolar aliadas ao esporte, às artes e à cultura fora do turno escolar, o programa movimenta diariamente a rotina dos alunos e mostra que a aprendizagem não se restringe às disciplinas básicas do currículo.

“Foi-se o tempo em que a educação era apenas uma questão cognitiva e relacionada ao conhecimento formal. Hoje, entende-se a necessidade da formação completa do indivíduo, o que contempla outras dimensões, como ética, cidadania, cultura, política e o lado social. Por isso, o projeto tem grade curricular diversificada e transforma a escola num ambiente propício para a aprendizagem”, explica a coordenadora da Escola Integrada da Secretaria Municipal de Educação, Neusa Macedo.

As ações do programa têm o apoio de monitores e universitários de 13 instituições de ensino superior, além da Universidade Federal de Minas Gerais. Este ano, a grande novidade da Escola Integrada é a inclusão de ONGs nas atividades, o que vai permitir ampliar o atendimento para 55 mil estudantes até 2011 – num universo de 120 alunos da rede pública municipal.

FORMAÇÃO COMPLETA Na Escola Municipal Professor Paulo Freire, a permanência em tempo integral nas salas de aula, pátios e quadras da instituição é uma realidade para 600 alunos do ensino fundamental. Das 8h30 às 17h30, esse batalhão de jovens se reveza entre a sala de aula e oficinas de xadrez, futebol, lutas marciais, dança, música (violão e flauta), artes plásticas, fotografia e meio ambiente. Atividades de reforço escolar e preparação para provas de seleção de escolas técnicas de nível médio, como o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), também movimentam a rotina dos estudantes.

Para Igor Brant, de 14 anos, a formação em tempo integral é um passaporte para a realização do sonho de ser um grande engenheiro. “Faço parte da turma do pré-Cefet e sei que esses estudos vão ser um diferencial na minha carreira. Também participo de oficinas de malabares, dança, capoeira e futebol. Com isso, passo o dia todo na escola e me ocupo com atividades bacanas”, conta o aluno do 9º ano do ensino fundamental. Segundo ele, a Escola Integrada lhe abriu um novo caminho. “Entre os meus vizinhos, há vários garotos que passam o dia nas ruas e só chegam em casa de madrugada. Mas a escola me dá oportunidades diferentes.”

Ensaiando os primeiros acordes da música O sol, do grupo mineiro Jota Quest, a jovem Thaís Vital, de 14, lista os benefícios da longa permanência na escola. “Participo de várias oficinas e estou me tornando uma pessoa melhor. Já fiz muitos amigos no projeto e aprendi vários assuntos de cultura e arte que jamais imaginei existir. Além disso, meus pais saem para trabalhar tranquilos, sabendo que eu e dois irmãos passamos o dia na escola”, diz Thaís, que sonha em cursar medicina.

Serviço

Prêmio Itaú-Unicef

Inscrições: até 31 de maio

Informações: www.premioitauunicef.org.br

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