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Relacionamento entre personagens pauta quarto dia do julgamento de Bola

O advogado de defesa Ércio Quaresma e o delegado licenciado Edson Moreira voltaram a bater boca no plenário. A troca de farpas acabou com a cassação da palavra do defensor

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postado em 25/04/2013 23:45 / atualizado em 26/04/2013 00:02

Daniel Silveira , João Henrique do Vale

Renata Caldeira/TJMG

Relações pessoais estiveram em xeque neste quarto dia do julgamento do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de matar e ocultar o corpo de Eliza Samudio. Uma já declarada rixa entre o advogado do acusado, Ércio Quaresma, e o delegado licenciado Edson Moreira, que presidiu as investigações sobre o caso, estiveram ainda mais evidentes. A amizade entre defensor e réu também foi evidenciada em plenário. Com previsão inicial para durar três dias, o júri que trata da parte final da trama macabra do desaparecimento da amante do goleiro Bruno Fernandes pode terminar somente no começo da próxima semana.

Edson Moreira foi ouvido na condição de testemunha, arrolada pela defesa. Foi o interrogatório mais longo deste julgamento. Ao todo, foram mais de 13 horas. Quaresma demonstrou claro objetivo de desestruturar o depoente, que pediu licença para usar o banheiro várias vezes e acabou sendo chamado de “mijão” pelo irônico e polêmico advogado. Ignorando os pedidos da juíza para que dosasse as palavras ao inquirir a testemunha, Quaresma afirmou que Moreira estava em suas mãos e assim ficaria por mais 12 horas. Tal declaração promoveu um intenso bate-boca com a promotoria.

O promotor Henry Vasconcelos pediu à juíza Marixa Fabiane Rodrigues que cassasse a palavra de Ércio Quaresma. Chegou, inclusive, a ameaçar abandonar o júri caso não tivesse seu pedido atendido. A magistrada, então, determinou intervalo para almoço. Ao retomar os trabalhos, deferiu o pedido da acusação argumentado que o comportamento do advogado denotava “nítido contorno de ordem pessoal", e que isso não seria admitido dentro do plenário. O assistente da defesa, advogado Fernando Magalhães, prosseguiu com o interrogatório por mais meia hora, até que chegou a vez do promotor inquirir a testemunha.

Beto Magalhaes/EM/D.A Press
Vasconcelos buscou evidenciar aos jurados, ao interrogar Edson Moreira, que Ércio Quaresma, que já foi policial civil, mantém uma “sólida amizade de mais de 20 anos” com o acusado Marcos Aparecido. O delegado confirmou ter ciência desta relação. Em determinado momento, o promotor pediu à juíza que proibisse qualquer manifestação no plenário sobre a pergunta que faria, pois tal questionamento iria incomodar um dos presentes. Vasconcelos citou um número de celular e perguntou a Moreira se ele se lembrava a quem pertencia aquele telefone. A testemunha disse não saber.

O celular pertencia a Ércio Quaresma. Segundo o promotor, foi o defensor a primeira pessoa para quem Bola ligou na manhã seguinte ao resgate do filho de Eliza Samudio. “A criança foi achada na madrugada do dia 26 (de junho de 2010). Aí a casa começou a cair pra valer. A primeira ligação que o Bola faz na manhã é para o doutor Ércio. E aí, coincidentemente, o doutor surge defendendo logo quem? Dayane e Macarrão, depois o goleiro Bruno e a Fernanda”, disse o promotor. Ao ser interrogado no seu julgamento, Bruno respondeu ao promotor que havia sido um empresário que o apresentou a Ércio Quaresma.

“Parte da vida dele”

Ao conversar com jornalistas após o encerramento dos trabalhos nesta quinta-feira, o advogado Fernando Magalhães também evidenciou o envolvimento pessoal do colega Ércio Quaresma com o processo sobre o desaparecimento e morte de Eliza. “Todos sabem que ele vilipendiou parte da vida dele e que esse processo o tirou da advocacia por 90 dias. Isso é parte da vida dele, parte que lhe toca, que lhe ofende. Então, ele sabe minúcias, detalhes de cór e de coração e sabe o que lhe causa o sofrimento”, afirmou Magalhães ao comentar o prejuízo para a defesa representado pela cassação da palavra de Quaresma.

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
Entrave na estratégia

A intenção da defesa de desqualificar as investigações presididas pelo até então delegado Edson Moreira foi mantida nesta quinta-feira. Seriam expostos pontos que iriam provar, segundo os advogados, que as ERBs, que fazem a conexão entre celulares e as companhias telefônicas, estavam erradas. Porém, a atitude da testemunha fez com que a estratégia fosse deixada para um outro momento. “Iniciamos a apresentação dessas provas sim, mas infelizmente a autoridade policial que se aportou aqui diz que não conhecia relatório e que desconhecia a distância entre Esmeraldas, BH e Vespasiano. Desse jeito fica difícil. Uma autoridade que nada sabe e nada leu e que até confessou que não leu o relatório”, ponderou Fernando Magalhães.

Outro objetivo da defesa, que não necessariamente estratégico, é prolongar ao máximo o julgamento, talvez numa tentativa de gerar cansaço nos jurados. Assim, os advogados de Bola listaram à juíza Marixa Rodrigues a leitura de oito laudos periciais. A magistrada protestou, citando, a mudança no Código de Processo Penal, dizendo que o grande número de leituras não surtiria efeito, por ser muito cansativo, e pediu à defesa que reavaliasse a lista. Ela sugeriu que tantas leituras demandaria pelo menos mais dois dias de julgamento. Os defensores recusaram, salientando a relevância de tais laudos. Porém, quando os trabalhos já estavam encerrados, o advogado Fernando Magalhães admitiu que a solicitação pode ser revista. “O júri é popular. Não vejo inteligência neste procedimento da defesa. Ela só cativa nos jurados, ao assim proceder, antipatia”, avaliou o promotor. A leitura de peças abrirá o quinto dia de julgamento nesta sexta-feira.
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