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Advogados que abandonaram defesa de Bola são autorizados a retornar ao Caso Bruno

Ércio Quaresma e Fernando Magalhães abandonaram a defesa de Bola no primeiro dia do júri, mas pediram para reassumir o posto duas semanas depois de concluído o julgamento. Próximo júri popular começa em 4 de março

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postado em 11/01/2013 20:31 / atualizado em 11/01/2013 20:49

Daniel Silveira

Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
O ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, volta a ser defendido pelos advogados Ércio Quaresma e Fernando Magalhães no processo sobre o desaparecimento e morte de Eliza Samudio. A dupla de defensores abandonou o caso no primeiro dia do júri popular, em 19 de novembro passado, deixando o réu sem defesa. Bola recusou ser representado por um defensor público e, por isso, seu julgamento foi adiado. O retorno dos dois advogados foi autorizado nesta semana pela juíza Marixa Fabiane Rodrigues, que manteve a multa estabelecida em mais de R$ 18 mil a cada um pelo abandono do júri.

O começo do primeiro dia do julgamento do goleiro Bruno e outros quatro réus foi marcado por muito tumulto, protogonizado pelos defensores de Bola. Quaresma chegou a brigar por cadeira no plenário do Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem. Houve muito bate-boca no local. Era clara a tentativa dos defensores em adiar o início da sessão. Alegando que a juíza tolhia o direito de ampla defesa de Bola, Quaresma, após muita ameaça, decidiu deixar o plenário, sendo seguido pelo colega de profissão. Pelo abandono do júri, ambos foram multados em 30 salários mínimos, o equivalente a mais de R$ 18 mil, penalidade que a magistrada não revogou. O pedido para reassumir a defesa de Bola foi protocolado pelos dois advogados  duas semanas após o término do julgamento.

Bola será julgado a partir de 4 de março, juntamente com o goleiro Bruno e a ex-mulher do atleta, Dayane Rodrigues. Numa manobra para adiar o julgamento, o ex-jogador destituiu seus defensores no segundo dia do júri. Como Dayanne era representada pelo mesmo defensor, Bruno alegou que ela poderia ser prejudicada. O processo dela foi, então, desmembrado, atendendo pedido feito pelo promotor Henry Vasconcelos de Castro.

Apenas Luiz Henrique Romão, o Macarrão, amigo de infância do goleiro, e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do jogador, foram julgados e condenados em novembro. Ele foi condenado a 20 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, praticado por motivo torpe, asfixia da vítima e pela impossibilidade de defesa dela e a outros três anos pelo sequestro e cárcere privado da ex-modelo. Porém, ele acabou beneficiado pela confissão que apresentou durante o julgamento, na qual atribuiu ao amigo toda a responsabilidade por arquitetar o assassinato de Eliza Samudio. A pena de homicídio foi reduzida a 12 anos, totalizando 15 anos de reclusão. Já Fernanda foi sentenciada a três anos pelo sequestro de Bruninho e a dois pelo de Eliza, em regime aberto. Como a somatória das penas chega a cinco anos, ela terá de cumpri-las no regime semi-aberto, já que a legislação prevê que acima de quatro anos de sentença sua execução não pode ser no regime aberto.

"Bruno já está condenado"

Edesio Ferreira/EM/D.A.Press
A confissão de Macarrão comprometeu ainda mais a situação de Bruno. A afirmação foi feita pelo promotor Henry Vasconcelos de Castro, responsável pela acusação, pouco após o término do júri. O amigo de infância foi enfático ao dizer que chegou a aconselhar o atleta a não dar andamento ao plano de matar Eliza, que lhe cobrava o reconhecimento da paternidade e pagamento de pensão alimentícia para o filho. "Se tem alguém que acabou com a vida de alguém, foi o Bruno, que acabou com a minha vida", declarou no plenário, ressaltando saber que encerrava ali a amizade que ele registrou na própria pele com uma tatuagem.

Os mesmos advogados que abandoraram o júri tentam por meio de recursos anular o julgamento de Macarrão e Fernanda. Eles alegam, entre outros motivos, que foram impedidos de acompanhar o restante do júri. Ércio Quaresma e Fernando Magalhães querem tornar sem efeito todos os atos praticados no julgamento sem a presença deles. O pedido foi negado, em caráter liminar, pelo desembargador Delmival de Almeida Campos, da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).