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O crime segundo Luiz Henrique Romão

Macarrão surpreende a todos e responsabiliza Bruno pelo desaparecimento de Eliza Samudio

"Se tem alguém que acabou com a vida de alguém, foi o Bruno, que acabou com a minha vida", declarou o braço-direito do goleiro nesta madrugada

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postado em 22/11/2012 01:31 / atualizado em 22/11/2012 20:49

Daniel Silveira, João Henrique do Vale e Emerson Campos

Paulo Filgueiras/EM/D.A.Press

Um testemunho de amizade grafado na pele. "Bruno e Maka. Amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir, amor verdadeiro". A tatuagem feita nas costas pelo melhor amigo do goleiro Bruno, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, fomentou especulações sobre um relacionamento homossexual entre os dois e de uma possível confissão de Luiz para livrar o amigo. No entanto, Macarrão quebrou todas as expectativas e surpreendeu o júri ao confirmar, durante depoimento nesta madrugada, em Contagem, que o goleiro Bruno foi o único responsável por arquitetar o sumiço da modelo Eliza Samudio. Durante o interrogatório da juíza Marixa Rodrigues, ele disse que as acusações que recaem sobre ele são parcialmente verdadeiras, afirmou que não é um monstro como tem sido tratado e ressaltou que só não falou nada antes porque os advogados não o permitiam. A principal parte da confissão foi feita em meio a muito choro do réu.

Confira como foi a 3ª sessão no blog do em.com.br

Em seu depoimento, Macarrão desmentiu a versão prestada anteriormente à Justiça, na qual contava ter deixado Eliza em um ponto de táxi, e revelou que levou a modelo até um homem que desembarcou de um Palio preto na Região da Pampulha. Ele não soube dar detalhes da suposta execução e do que aconteceu depois, mas inocentou Elenilson, Wemerson e Fernanda. "Por ter complicado a vida deles por tanto tempo, peço perdão. Que possam me perdoar", declarou, após dizer que também pedia perdão à mãe da vítima. Macarrão ainda contou que, pressentindo que iriam executar a modelo, tentou aconselhar o amigo. "Eu falei com ele, Bruno, estou te falando como irmão, deixa essa menina em paz, deixa essa menina", contou. O goleiro, no entanto, teria respondido, batendo no peito: 'deixa comigo'.

Ao fim do interrogatório da juíza Marixa Rodrigues, Macarrão desbafou. "Se tem alguém que acabou com a vida de alguém, foi o Bruno, que acabou com a minha vida", declarou. Desde o início de seu depoimento, ele se referiu ao goleiro, na maior parte do tempo, por "meu patrão", não pelo nome. Transpareceu certa mágoa quando disse que o ex-atleta o viu chorar dirariamente durante os dez meses em que partilharam cela na cadeia, mas jamais admitiu a possibilidade de revelar a trama e inocentar os demais envolvidos no caso.

Macarrão começou a responder às perguntas da magistrada por volta das 23h20. Às 1h20 a mãe de Eliza Samudio, Sônia de Fátima Moura, que prestou depoimento pela manhã e acompanhou todo júri atentamente, deixou o plenário. A advogada que a representa, Maria Borges Gomes, esclareceu que pediu à Sônia que voltasse para o hotel ao perceber que Luiz Henrique estava arrastando o relato. Para ela, a presença da mãe de Eliza estaria constrangendo o depoente, que acabou revelando que a modelo foi de fato enviada à morte por Bruno vinte minutos depois que Sônia se ausentou.

Bola é retirado de cena

Em momento algum Macarrão citou o nome do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, apontado pela promotoria como o matador contratado por Bruno para dar fim à vida de Samudio. Ele afirmou que não viu quem era o homem no Palio preto que recebeu a vítima na Pampulha. Destacou que ela foi iludida por Bruno, que disse para ela acompanhar o amigo de infância porque iria ser levada, por uma terceira pessoa, até um apartamento que o atleta comprou para ela. Ele ainda garantiu que desconhece como se deu a execução da jovem, embora o adolescente primo do goleiro tenha narrado, com riqueza de detalhes, a cena macabra de asfixia e esquartejamento da vítima, na presença dele e de Macarrão.

"Se eu soubesse onde estava o corpo, teria assumido o crime sozinho, há dois anos, pelo vínculo de amizade com Bruno, a quem tinha como um irmão", declarou ao júri. Chorando muito, ele disse que sofreu a angústia de ser responsabilizado por um crime que não arquitetou durante "dois anos, quatro meses e 22 dias", destacando que teme ser morto daqui em diante. Ele falou claramente que teme represália por parte do próprio goleiro.

 Beto Magalhaes/EM/D.A Press
A confissão continuou com o interrogatório do promotor Henry Castro, que saudou o réu pela coragem de quebrar o silêncio. Foi nesta etapa que o nome de Bola foi citado pela primeira vez. Quem o citou foi o representante do Ministério Público, que quis saber se Macarrão o conhecia. O réu garantiu que só conheceu o ex-policial civil durante banho de sol na Penitenciária Nelson Hungria.

Os registros das ligações telefônicas entre os aparelhos celulares de Bola e Macarrão foi o ponto mais abordado pelo promotor. Macarrão disse que falava muito com o ex-policial, cuja identidade e nome desconhecia, porque, a pedido de Bruno, buscava negociar o ingresso do filho de Marcos Aparecido no time 100%, patrocinado pelo atleta. Macarrão afirmou que só tratava o interlocutor por 'parceiro', 'irmão' ou 'cara'. Disse ainda que seu celular era usado por todos do círculo de convivência de Bruno, o que justificaria o grande volume de ligações feitas e recebidas.

Concluído o interrogatório do promotor, a juíza concedeu aos assistentes de acusação e à advogada que representa a mãe de Eliza formularem poucas perguntas ao réu. Em seguida, ela leu três perguntas formuladas pelos jurados. Havia ainda uma quarta pergunta dos jurados, mas a magistrada disse que não a formularia porque ela tinha tom sugestivo.

Confissão parcial e inteligente


Já na parte externa do Fórum de Contagem, o promotor Henry de Castro conversou com os jornalistas sobre a confissão de Macarrão. Ele avaliou a atitude do réu como inteligente e diz que já esperava a confissão, pois a defesa já havia sinalizado isto. "Pela primeira vez, nós temos entre os acusados que permanecem vivos, a imputação deste assassinato ao Bruno", declarou. Em sua análise, Castro afirmou que se Macarrão não fizesse a revelação de que o goleiro foi o único mentor do plano, seria o próprio Macarrão o único articulador do crime.

Segundo o promotor, Macarrão responderá pelo crime de homicídio simples, não qualificado como definia a denúncia do Ministério Público. "Único delito que o Macarrão de alguma maneira se implicou foi no próprio delito de homicídio como partícipe. Todavia o que a acusação sustenta é que o réu é mais do que um partícipe, é um autentico coautor e coarticulador desse delito", disse.

O promotor ressaltou também que as palavras de Macarrão inocentaram alguns réus. "Ele inocenta a Fernanda, o Elenilson, o Wemerson, e tenta também afastar as responsabilidade do Bola, e implica tudo diretamente ao Bruno. Nem a si mesmo ele implica de maneira completamente direta, por isso é uma confissão parcial", explicou. Entretanto, ele fez questão de destacar que a promotoria não tem dúvida de que Macarrão participou de todo o trâmite na execução de Eliza, conforme depoimento prestado pelo adolescente primo de Bruno à época.

A ex-mulher de Bruno continua sendo apontada pelo promotor como uma das personagens principais do crime. "A Dayanne não é mandante. Ela é uma das protagonistas deste delito", conta Henry, explicando que o filho de Eliza não foi morto porque a ex-companheira do goleiro assumiu que iria garantir de alguma maneira a guarda do bebê.

Por fim, o promotor afirmou, categoricamente, que os restos mortais de Eliza jamais serão encontrados. "O corpo de Eliza foi totalmente destruído", garante. Ele disse que a modelo foi esquartejada e teve os pedaços tornados cinzas, que foram espalhados em um areal onde, inclusive, foram encontrados vestígios de sangue.

Sobre o temor de Macarrão em ser assassinado, o promotor disse que, após o cumprimento da pena, quando o condenado tiver direito ao regime aberto ou ganhar a liberdade, poderá, caso solicite, ser incluído no Serviço Nacional de Proteção à Testemunha.

Defesa fala em pena branda

O advogado de Macarrão, Leonardo Diniz, acredita que a confissão de seu cliente vai fazê-lo responder apenas por co-participação no crime de homicídio. "Ele só vai responder o crime por levar Eliza Samudio para o local da morte. Compete agora o conselho de sentença decidir qual é o crime e a importância dele. Macarrão é réu confesso de ter participado de um crime de homicídio", explicou o defensor, que disse esperar uma pena branda, embora tenha preferido não sugerir qual será a sentença dada pela juíza após a conclusão do júri.

Alívio


A advogada Maria Borges Gomes, que representa Sônia Fátima de Moura, mãe de Eliza, disse que sua cliente não tinha dúvidas de que a filha tenha sido morta e que já não tem esperanças de que os restos mortais sejam encontrados, já que a execução foi feita por um matador profissional. Porém, afirmou que a família da modelo fica aliviada com a confissão, porque garante, enfim, que a justiça seja feita.

Confira os principais pontos do depoimento de Macarrão durante o interrogatório da juíza:

* Por volta de 23h15, Macarrão retorna ao salão do júri e se senta de frente à juíza. Depois da leitura das acusações, Marixa Rodrigues pergunta: "Eu gostaria de saber do senhor se essas acusações são verdadeiras", diz a juíza. "Parcialmente", ele responde;

* Macarrão diz que sempre quis falar, mas foi impedido pelos advogados. Diz que não é um monstro e que responderá a verdade sobre tudo;

* Juíza lembra a data de 4 de junho e pergunta quem convidou Eliza para ir ao hotel no Rio. Ele diz que não foi a convite de ninguém. Macarrão afirma que Eliza quis ir ao Rio discutir a pensão com Bruno e ele providenciou hospedagem, pois tinha contatos na rede hoteleira;

* Macarrão conta que Bruno conheceu Eliza em uma orgia em um apartamento no Rio. Juíza pergunta como ele soube da existência da jovem. “Só fui saber o nome da senhorita Eliza em 2009, quando houve aquele fato no Rio de Janeiro" diz se referindo à denúncia de Eliza. "Infelizmente era uma vida de só loucuras. Muitas mulheres, muitos homens, muitas bebidas", completa;

* O réu destaca que não estava presente na orgia na casa de Paulo Victor, mas que Bruno comentou que fez sexo com Eliza em 15 minutos; 

* Macarrão diz que começou a trabalhar no Rio em janeiro de 2010. "Infelizmente meu patrão (Bruno) não tinha dinheiro nem para colocar gasolina no carro”. Macarrão afirma que a vida financeira de Bruno era completamente descontrolada, embora tivesse salário de um grande clube; 

* Macarrão diz que Bruno confiou a ele negociar repasse de dinheiro a Eliza. "Ele deu meu telefone para ela, meu ID", conta. "Infelizmente ela só me ligava para falar questões de dinheiro, reclamando que não tinha sido depositado", completa;

* Macarrão revela que o Flamengo devia R$ 325 mil a Bruno, pagos com três cheques. Ele afirma que o jogador devia cerca de R$ 400 mil.

* "Eu dei a ele (Bruno) um cheque de R$ 107 mil para pagar, é um absurdo, apenas roupas", conta o réu;

* Macarrão afirma que Eliza exigia, além de dinheiro, que Bruno conhecesse o filho. "Fui eu quem levei ela para conhecer o menino";

* Macarrão diz que não atendeu ligação de Eliza em 4 de junho de 2010 porque sabia que ela queria dinheiro e ele não tinha de onde tirar. Ele revela que foi jantar naquela noite no restaurante chamado Rosas, em companhia do adolescente, onde encontraram Eliza; 

* O acusado diz que Eliza começou a xingá-lo, exigindo dinheiro. "Calma coração, nós vamos resolver isso", e a levou ao banco. Macarrão conta que ele, o adolescente e Eliza foram na Land Rover para ele provar à jovem que não havia R$ 1.500 na conta;

* Macarrão conta que fez então um saque de R$ 800 da própria conta e passou para Eliza;

* Juíza pergunta da briga entre Eliza e o menor no carro. Macarrão conta que no trajeto de volta ao flat foi quando ocorreu a briga na Land Rover. "O adolescente estava muito alterado";

* Macarrão conta que o adolescente começou a agredir Eliza verbalmente na Land Rover. "Por que o Bruno foi mexer com este tipo de mulher?";

* Eliza revidou, dizendo "seu primo tá achando que é um Rogério Ceni? Seu primo é um filho da puta(sic)". Foi então que o menor bateu nela; 

* Macarrão diz que assustou quando viu o nariz de Eliza sangrando e que quase bateu o carro nesta hora;

* Ele disse que parou e discutiu com o jovem: “você viu o que você fez, cara? Amanhã essa mulher vai estar na imprensa”;

* Macarrão destaca que teve medo de deixar Eliza sozinha com o adolescente na casa, por isso chamou a Fernanda para ir até lá. Com Fernanda na casa, Macarrão saiu "no carro dela" para comprar remédio para dor de cabeça da modelo e curativo para o nariz dela;

* "Ela não tinha uma mala como todos falam. 'A mala vermelha, a mala branca', isso nunca existiu". Diz que tinha duas bolsas pequenas; 

* Uma das malas ficou no hotel. "Se eu tivesse fazendo algo escondido, entrava lá e pegava a bolsa. Eu tinha acesso livre no hotel", afirma; 

* Juíza pergunta se o menor se machucou na briga. “Foi uma briga feia. Ele ficou com o braço todo arranhado, até saiu sangue", conta Macarrão;

* Marixa então pergunta da suposta coronhada. "Nunca andei armado e o adolescente também não tinha arma", garante Macarrão, negando machucado na cabeça de Eliza;

* Macarrão responde que Eliza dormiu no quarto dele, com a criança. "A Fernanda pegou a criança quando ela estava passando remédio". Fernanda dormiu naquela noite no quarto de Bruno, segundo Macarrão. "Hora nenhuma eu coloquei a Fernanda para vigiar a Eliza"; 

* Filmes pornográficos feitos por Eliza foram assunto na manhã seguinte, quando todos acordaram na casa no Recreio dos Bandeirantes. A juíza pergunta por que o trabalho de Eliza foi assunto da conversa. "Eu vi o filme e fiquei curioso em saber se era verdade a cena", conta. Juíza pergunta se Eliza disse ter vontade de parar com filmes. "Não, ela disse 'meu ouro está ali'"; 

* Depois do café da manhã, Macarrão foi ao encontro de Bruno no hotel onde estava concentrado e contou todo o ocorrido na noite anterior. Macarrão diz que Bruno ficou assustado com o relato e o xingou por ter chamado a Fernanda. Depois da conversa, Macarrão voltou para casa; 

* Macarrão diz que estavam com viagem marcada para Minas, porque no dia seguinte teria jogo do 100% e convidou Fernanda para ir conhecer os jogadores do time; 

* Naquele sábado, 5 de junho, Macarrão não foi buscar o Bruno após o jogo do Flamengo, porque goleiro estava com carro emprestado por um amigo;

* Nesse dia Bruno conversou com Eliza. "Ele falou que ela pediu um dinheiro, sem falar para quê. Ele me falou que ela pediu R$ 50 mil";

* Macarrão disse a Bruno que tinha R$ 30 mil no sítio em Esmeraldas. "Já é mano (sic), pede o Elenilson para fazer um doc", disse;

* Macarrão afirma que Eliza recusou o depósito, dizendo que não confiava mais neles, e que iria para o sítio pegar o dinheiro em espécie;

* Macarrão faz questão de deixar claro que Eliza veio a Minas por livre e espontânea vontade. Diz que vieram em dois carros, porque era de praxe;

* Macarrão conta que no trajeto do Rio a Minas deram carona para um policial. Ele conta que chegando em Contagem, de madrugada, decidiram dormir em um motel pois não sabiam se Dayanne estava no sítio; 

* Macarrão conta que pela manhã Bruno ligou da porta do motel querendo entrar no quarto. "Liguei para a recepção e reservei suite ao lado". O goleiro se hospedou com Fernanda e Macarrão diz que não sabia que o Sérgio estava junto deles;

* Macarrão critica Sérgio e Jorge. "Eu não gostava do Sérgio, eu não andava com o Jorge. Sérgio foi no quarto mexer com ele";

* Após o jogo do 100%, foram comemorar em um bar e Eliza não quis ficar porque estava frio. Seguiram então para o sítio em Esmeraldas;

* Macarrão diz que se dividiram nos vários quartos e que não se recorda de muitos detalhes porque "estava muito bêbado";

* Segundo o réu, na segunda-feira, ele Fernanda voltaram para Rio de Janeiro. Pegaram o carro dela que ficou na casa do Recreio e foram comprar carne para a festa do 100%. Na terça, Macarrão deu entre R$ 8 e R$ 10 mil a Fernanda para ela organizar a festa e voltou a Minas de avião, no fim da noite;

* Macarrão conta que naquele dia soube da apreensão da Land Rover, por causa do IPVA vencido, e afirma que não mandou lavá-lo;

* Macarrão diz que quando chegou no sítio ocorria uma festa de "panelinha nossa". Pouco antes, soube de proposta do Milan a Bruno;

* De manhã, Dayanne chegou no sítio pois queria surpreender Ingrid, com quem Bruno já namorava. Ela não sabia de Eliza e todos se esconderam;

* Dayanne desconfiou que Ingrid estivesse lá e quis entrar no quarto de Macarrão para conferir. "Quero saber quem é a vagabunda (sic) que está aí"; 

* Bruno autorizou entrada de Dayanne no quarto, dizendo que ela já conhecia Eliza, para quem telefonava xingando e trocando ofensas;

* Segundo ele, para cada mulher Bruno fazia uma promessa. Para Dayanne, que reataria casamento. Para Ingrid, que morariam juntos. Macarrão diz que se afeiçoou à Fernanda e que achava 'sacanagem' que Bruno a enrolasse como fazia com as outras;

* Em 9 de junho, véspera da suposta morte de Eliza, Macarrão diz que ela estava no sítio e acompanhou os dois amigos jogarem videogame;

* Na mesma tarde, Bruno quis levar o bebê para que a mãe dele conhecesse o novo neto. Eliza não os acompanhou. Ficaram lá em torno de um hora;

* Na volta para o sítio, Dayanne e babá os acompanharam no mesmo carro. Chegaram lá à noite "e estava tudo normal, todos os meninos tavam (sic) lá";

* Juíza pede que Macarrão fale sobre a quinta-feira, 10 de junho, data da suposta execução. "Acordamos na correria, acho que fizemos compra";

* Macarrão garante que Eliza estava no sítio, que almoçaram todos lá, e diz que até o fim da tarde saiu várias vezes. Saídas foram para resolver detalhes do jogo e da festa do 100% marcados para o domingo no Rio de Janeiro;

* Macarrão revela que uma pessoa ligou várias vezes para o celular dele de um número desconhecido querendo falar com Bruno. Quando o atleta respondeu a ligação, Macarrão disse que notou o amigo estranho. "Notei a aparência dele estranha". Bruno, então, o orientou a levar Eliza para a Região da Pampulha. Contou com a voz embargada por choro;

* "Eu falei com ele, Bruno, estou te falando como irmão, deixa essa menina em paz, deixa essa menina";

* "Eu falei o Clayton já foi preso, o Jorjão também, o Canela, eu não quero ser mais um para entrar no sistema, pois não sou bandido...". 'Larga de ser bundão, é comigo', Bruno respondeu a Macarrão. O réu chora no tribunal;

* "Eu estava pressentindo que iria levar Eliza para ser executada". Bruno disse 'deixa comigo', batendo no peito, segundo Macarrão;

* "Eu falei: estou indo como seu funcionário, mas quero que você saiba que está acabando com a sua carreira e com a sua vida"; 

* Juíza pediu intervalo para o banheiro e restante da confissão demora um pouco mais; 

* Retomado o interrogatório. Juíza pergunta sobre o traslado de Eliza. Macarrão diz que foram apenas ele e o adolescente até o local indicado.

* Macarrão diz que não viu quem recebeu Eliza na rua. "Juro para a senhora que eu não vi. Posso falar que saiu de um Palio preto". A desculpa para que Eliza os acompanhasse foi que ela seria levada ao apartamento que Bruno daria a ela.

* Depois que Eliza entrou no Palio, Macarrão e o menor retornaram ao sítio. "Foi tudo muito rápido. Saí correndo, quase bati o carro";

* Diz Macarrão que na volta ao sítio o adolescente estava tranquilo, enquanto ele chorava muito. Relata que sempre foi chamado de 'bundão';

* Ao chegarem no sítio, contou como foi tudo para o Bruno, que disse "tá tranquilo";

* Todos arrumaram as malas, e foram para o Bairro Liberdade, de onde partiu o ônibus que levou o 100% a Angra dos Reis. "Cheguei apavorado e até viajei sem clima. Inclusive a testemunha afirmou que fui no banco da frente, nem participei da bagunça no ônibus"; 

* Macarrão reafirma que não sabe a quem entregou Eliza. "Por toda a situação, acredito que foi a mesma pessoa que falou com Bruno no telefone";

* Disse que Bruninho ficou sob os cuidados de Dayanne. Juíza insitiu saber qual o argumento usado para ela cuidar do bebê. "Eu não sei";

* "O senhor se sente mais aliviado com tudo que falou hoje?", pergunta a juíza. Chorando, responde: "guardei tudo isso por 2 anos, 4 meses e 22 dias". Diz ter sofrido por ser tratado por monstro ao longo deste tempo;

* "Se tem alguém que acabou com a vida de alguém, foi o Bruno, que acabou com a minha vida", declara Macarrão;

* "Hoje eu sei que sou um arquivo vivo e arquivo morto. Tenho medo de morrer, mas acabou tudo isso", desabafa Macarrão.