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Sucesso do adiamento depende de Macarrão

"É difícil prever os atos humanos de maneira categórica. Muito mais complicado ainda no plenário do júri, porque o estado emocional das pessoas fica bastante alterado..."

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postado em 21/11/2012 21:34

Por Luiz Flávio Gomes, jurista e professor*

Todos os atos protelatórios que foram chamados de 'manobras' pela juíza que preside o julgamento do caso Bruno, aparentemente, tinham um objetivo muito certo: favorecer a situação processual do goleiro, que ocorreria caso o acusado Luiz Henrique Ferreira Romão, o "Macarrão", viesse a assumir a responsabilidade pelo assassinato de Eliza Samudio, como demonstração do sua anunciada amizade e fidelidade ao citado acusado. Essa é uma possibilidade que se tornou plausível e é a única coerente com todo o estardalhaço feito.

É difícil prever os atos humanos de maneira categórica. Muito mais complicado ainda no plenário do júri, porque o estado emocional das pessoas fica bastante alterado. Caso "Macarrão" venha a assumir a responsabilidade pelos fatos incriminados, isso não significaria automaticamente a absolvição do goleiro Bruno. Os jurados podem muito bem condenar "Macarrão" e, depois, não aceitar a tese absolutória do goleiro, no julgamento que será realizado no dia 4 de março de 2013.

De qualquer maneira, o adiamento do seu processo, que acabou acontecendo de forma tumultuada fazia parte, ao que parece, de uma grande estratégia, que pode trazer ou não benefícios para Bruno e "Bola". Tudo dependerá do conteúdo da possível confissão do "Macarrão", que até hoje não declarou "oficialmente" absolutamente nada no processo.

Os depoimentos colhidos em plenário no segundo e no terceiro dia de julgamento foram desfavoráveis aos acusados. Portanto, mesmo que não haja a confissão de "Macarrão", ainda assim o promotor de justiça poderá alcançar a condenação com base nas provas indiciárias existentes no processo. Tudo dependerá do grau de convencimento que ele transmitirá para os jurados. Restando dúvida, seja sobre a morte, seja sobre a autoria, a tendência é a absolvição.

* Luiz Flávio Gomes é jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil e coeditor do atualidadesdodireito.com.br. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001).
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