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Promotor se mostra ainda mais confiante pela condenação dos réus

Responsável pela acusação reafirma que provas são suficientes para condenar todos os réus e destaca manobras da defesa como prejudiciais

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postado em 20/11/2012 20:59 / atualizado em 21/11/2012 10:01

Daniel Silveira

O promotor Henry de Castro avaliou como positivos os fatos ocorridos neste segundo dia de julgamento do goleiro Bruno Fernandes e outros dois réus acusados de envolvimento no sequestro e morte de Eliza Samudio. Para ele, manobras dos réus e de seus defensores não comprometeram o júri e ressaltou o respaldo da acusação nas provas documentadas no processo.

O representante do Ministério Público destacou que a nova mudança na defesa do ex-atleta foi uma manobra do próprio réu. "Muito perceptivelmente a defesa do Bruno foi tomada de surpresa. Penso que esta estratégia partiu exclusivamente do próprio acusado com sua índole manipuladora", disse. Para ele, o objetivo do goleiro seria ser julgado separadamente de Macarrão para que, caso o amigo de infância seja absolvido, seu julgamento seja realizado de forma mais amena.

Castro destacou que tantas manobras devem prejudicar os acusados. "Percebemos na verdade que do modo como a defesa tem procedido e também do modo como alguns acusados têm procedido até mesmo bastante emancipados do ritmo de suas defesas, os defensores não levarão deste julgamento nem pão nem glória", apontou.

Questionado se o pouco domínio dos autos do processo por parte dos advogados que foram constituídos recentemente pelos réus, especificamente o novo defensor de Bruno, Tiago Lenoir Moreira, poderá ajudar a acusação, ele foi enfático ao afirmar que não. "O que facilita o trabalho da promotoria de justiça não é quem está defendendo os réus. O que facilita o trabalho da promotoria é o trabalho sério do Ministério Público na defesa da sociedade no conhecer, sobretudo, das provas do processo", garantiu.

Sobre as provas, o promotor Henry de Castro ressaltou que a promotoria tem provas suficientes para condenar todos os réus. "Mas é justamente em torno de Macarrão que as provas são mais contundentes", disse. Ele adiantou que as principais provas que serão trabalhadas no júri são as marcas de sangue de Eliza Samudio encontradas na Land Rover de Bruno, usada por Macarrão para sequestrar a ex-modelo, o fato do celular de Eliza ter sido desligado pouco depois de uma ligação registrada entre o aparelho telefônico dela e o de Macarrão no dia em que ela foi sequestrada e ter sido religado na véspera do assassinato, além de todas as movimentações dos celulares de todos os envolvidos "para demonstrar que estas pessoas se articularam e se movimentaram pelos ambientes de execução do crime", destacou.

Testemunhas de defesa em cheque

De acordo com o promotor Henry de Castro, a acusação já está tomando providências em relação às testemunhas da defesa que foram flagradas infringindo a norma de permanecerem incomunicáveis até serem ouvidas no tribunal. Pretende a promotoria de Justiça, primeiramente, que estas pessoas, diante da quebra de sua incomunicabilidade, não sejam mais inquiridas pelo juzo, e que caso forem "que sejam ouvidas sem tomada de compromisso de dicçao da verdade”, esclareceu.

Nesta terça-feira Elenilson Vitor da Silva, que além de testemunha neste júri também é réu no processo e será julgado em outra data, foi flagrado no hotel onde está recluso fazendo uso de aparelho celular. Policiais militares que prestam apoio aos oficiais de Justiça que acompanham testemunhas e juradas no hotel procederam então uma busca e localizaram celulares com outras cinco pessoas arroladas pela defesa. “Podemos até cogitar que se trate de mais uma armação da própria defesa para provocar o adiamento, a suspensão ou o desmantelamento deste julgamento”, sugeriu o promotor. Ele garantiu que o ocorrido não promoverá a anulação do júri.

Castro destacou ainda que não restam testemunhas da acusação para serem ouvidas e que há aproximadamente 15 testemuhas arroladas pela defesa, que devem ser ouvidas antes dos réus serem interrogados. Posteriormente ocorrerá o debate entre acusação e defesa, cuja previsão é que seja realizado na sexta-feira ou no sábado, caso o julgamento se estenda pelo fim de semana.

Depoimento chave

A última testemunha ouvida neste segundo dia de júri foi o presidiário Jailson Alves Rodrigues, cujo relato é apontado pela acusação como primordial para elucidação do crime. Ele conviveu com o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, na Penitenciária Nelson Hungria e garante que ouviu do acusado a afirmação de que o corpo de Eliza Samudio foi tornado cinzas, que foram lançadas em uma lagoa.

O promotor Henry de Castro salientou que as declarações de Jailson são “extremamente relevantes”. Segundo ele, elas ratificam o suposto envolvimento de Bruno e Macarrão com o tráfico de drogas em Ribeirão das Neves. Uma das hipóteses sobre a execução de Samudio é queima de arquivo, por ela saber do atuação da dupla no narcotráfico.

Os advogados de defesa tentaram desqualificar o testemunho de Jailson com base na vida pregressa dele. “Jaillson não é Madre Tereza de Calcutá, nem Irmã Dulce dos Pobres. É uma pessoa que está presa e justamente em razão de sua condição de preso e convivente do Bola no ambiente prisional é que obteve do próprio Bola notícias do modo como o corpo de Eliza foi destruído e teve seus restos ocultados”, ponderou.