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Jurados do caso Bruno já foram pré-selecionados

Lista com 25 nomes, 13 mulheres e 12 homens, foi sorteada em outubro. Do grupo sairão os sete responsáveis pelo futuro dos acusados pelo assassinato de Eliza

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postado em 16/11/2012 07:17

Paulo Filgueiras/EM/D.A Press
O destino do goleiro Bruno Fernandes e dos outros quatro réus no processo sobre o sequestro e morte de Eliza Samudio, ex-amante do jogador, está nas mãos de sete dos 25 jurados já listados pela juíza do Tribunal do Júri de Contagem, Marixa Fabiane Lopes Rodrigues. Em 23 de outubro foi feito o sorteio dos nomes que vão servir às sessões de julgamento de novembro e dessa relação sairão os integrantes do corpo de jurados do julgamento que começa segunda-feira. A escolha de quem vai participar do júri de Bruno, do seu fiel escudeiro, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, da ex-mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, da ex-namorada do atleta Fernanda Gomes de Castro, e do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, será feito pouco antes do início do julgamento.

A responsabilidade pela condenação ou absolvição dos réus caberá a pessoas comuns, 12 homens e 13 mulheres. Entre os convocados estão cinco professores, quatro comerciantes, três bancárias, um segurança, dois agentes comunitários, dois servidores públicos, dois aposentados, um autônomo, um gerente, um técnico de laboratório, um mecânico industrial, um auxiliar administrativo e um auxiliar de secretaria. Os nomes dos jurados já constam do processo e foram afixados na secretaria do Tribunal do Júri.

O ritual de escolha dos jurados é bem detalhado. Depois do sorteio dos 25 selecionados para atender a Justiça este mês, as cédulas com estes nomes foram guardadas em uma urna trancada, cujas chaves ficaram em poder da juíza Marixa Fabiane. Caberá a ela, na segunda-feira, fazer o sorteio dos sete nomes que vão decidir o futuro dos reús. A partir do sorteio, os defensores poderão descartar três jurados cada um. A promotoria também tem esse direito. Pessoas que participaram semana passada do julgamento de Bola, acusado da morte de um carcereiro, em 2000, fazem parte da relação. Neste julgamento, o ex-policial foi absolvido. Por enquanto, os advogados de Bruno e dos demais réus, bem como a acusação, não se pronunciaram sobre a estratégia que vão adotar para vetar este ou aquele jurado.

TESTEMUNHA DE FORA Além da preocupação com a escolha do corpo de jurados, promotoria e defesa terão que preparar seus argumentos já sabendo que a principal testemunha da morte de Eliza Samudio não vai depor no Tribunal do Júri. A juíza indeferiu o pedido do Ministério Público para ouvir por teleconferência o primo de Bruno que contou à polícia como a ex-amante do jogador teria sido morta por Bola. J. era menor à época do crime e já cumpriu medida socioeducativa. Ele integra o Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes e, apesar de seu depoimento ser importante tanto para a promotoria quanto para a defesa dos réus, a magistrada entendeu que ele poderia ser substituído pela delegada Ana Maria dos Santos Paes da Costa, como sugeriu o MP. Em seu despacho, a juíza diz que J. não quer colaborar, considerando que foi condenado pela participação no crime que envolve os demais pronunciados. Sendo assim, ele seria ouvido na condição de informante – decisão facultada ao juiz.

Para a defesa de Bruno, J. é indispensável ao processo. “Ele tem que vir, é peça fundamental. Foi o embrião de tudo isso. Ela (juíza) negou a oitiva dele, mas nós vamos apresentar nossas armas na hora certa”, disse o advogado Francisco Simim, que também representa a ex-mulher de Bruno, Dayanne Souza, e não descarta recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Os advogados de Fernanda Gomes de Castro e de Bola também estavam interessados no depoimento do menor. Segundo o defensor de Bola, Fernando Magalhães, a falta desse depoimento é um “prejuízo muito grande” e a ausência de J. vai ser uma das primeiras discussões no plenário, na segunda-feira.

“Os advogados dos réus poderão argumentar cerceamento de defesa pela falta de depoimento chave. Essas observações em ata devem causar reviravoltas no processo, como um pedido de novo júri após conclusão da sessão. Os defensores podem tentar também a suspensão do júri”, explicou o advogado.

Foi J. quem trouxe o caso à tona, em julho de 2010. À polícia, ele contou que acompanhou todos os passos do sequestro e morte de Eliza, desde que ela foi retirada do Rio até sua execução, que, de acordo com J., teria ocorrido na casa de Bola, em Vespasiano, na Grande BH. Ele disse que a jovem foi estrangulada pelo ex-policial e teve o seu corpo esquartejado por Bola. No curso das investigações, J. contou ainda que viu quando Bruno e Macarrão queimaram a mala e as roupas de Eliza.

Edésio Ferreira/EM/D.A Press 5/11/12


Detalhes macabros de uma morte

O corpo de Eliza Samudio nunca foi encontrado, mas a Polícia Civil juntou aos autos do processo que acusa o goleiro Bruno Fernandes e outros réus um parecer com explicações de um médico-legista sobre o homicídio por asfixia mecânica (estrangulamento). O documento consta do quinto volume do processo, ao qual o Estado de Minas teve acesso, e toma como base os depoimentos do primo do goleiro, J., que disse ter acompanhado Luiz Henrique Romão, o Macarrão, à casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, na noite em que Eliza foi morta. Segundo J., Bola deu uma “gravata” na modelo e Macarrão amarrou suas mãos, aproveitando para chutá-la também. O perito João Batista Rodrigues Júnior, pós-graduado em estudos de criminalidade e segurança pública pela UFMG, entre outras qualificações, esclareceu que as descrições do menor para os golpes e as reações de Eliza são compatíveis com o tipo da morte, o que pode atrapalhar a tese da defesa de que sem corpo não há crime. Três dos acusados ainda respondem por ocultação de cadáver.

O parecer foi elaborado em 21 de julho de 2010, a pedido do então chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Edson Moreira. A ideia é provar que os relatos de J. sobre como Eliza foi assassinada fazem sentido e, por isso, ele de fato teria testemunhado o crime. Em depoimento aos investigadores, J. descreve que Bola segura a modelo por trás e cai no chão com ela, “agarrado ao pescoço na gravata”. Segundo o menor, a moça se contorcia e arregalava os olhos. Ele também conta que percebeu uma espuma branca saindo da boca de Eliza e que uma mancha vermelha apareceu no olho dela, “parecendo até que ia sangrar”. “Ela agonizou, estremeceu e, por fim, morreu”, afirmou o primo de Bruno no depoimento à polícia.

DESCRIÇÃO COMPATÍVEL
Para o legista, a informação sobre a forma como Bola deu a “gravata”, com o braço direito, é compatível com “a descrição leiga de uma constrição cervical, promovida com emprego do antebraço, o que em medicina legal é denominado esganadura”. O perito observa que o fato de Eliza ter arregalado os olhos, como consta no depoimento, tem como causa possível a “descarga adrenérgica”, comum em situações de medo extremo, segundo o legista. Sobre a espuma branca na boca, João Batista considera que o relato é compatível à descrição de exames de indivíduos que sofreram esganadura. Todas as suas respostas são embasadas com teorias e estudos acadêmicos.

“Ressalta-se que a asfixia acentuada pode levar a convulsões, que poderiam ser interpretadas como ‘contorções do corpo’. Ressalta-se ainda que a crise convulsiva pode, por si, levar a uma hipersecreção salivar, muitas vezes exteriorizada como espuma pela boca”, explicou o médico legista. João Batista destaca que a citação de J. de que “o sangue ficou vivo no olho dela” indica sufusões hemorrágicas pelo aumento da pressão venosa quando ocorre a esganadura.

Segundo o depoimento do primo de Bruno, Bola pegou e observou as mãos de Eliza, antes de mandar Macarrão amarrá-la. Essa poderia ser uma precaução, segundo o legista, uma vez que a reação ao estrangulamento pode resultar em escoriações produzidas pela vítima, numa tentativa de defesa. “Torna-se compatível com a antecipação desse evento, com averiguação do potencial lesivo das unhas”, comenta o perito, que exercia, à ocasião, o cargo de diretor em exercício do Instituto Médico Legal (IML). Ele também entende que as mãos de Eliza foram amarradas para diminuir a capacidade de reação da moça.

ENQUANTO ISSO...
... PADRASTO NÃO SERÁ OUVIDO


Em outro despacho, a juíza Marixa Fabiane indeferiu a inclusão do detento Luiz Henrique Franco Timóteo, que foi casado com a mãe biológica do goleiro, como testemunha no processo. Ele teria apresentado à defesa de Bruno uma carta informando que Eliza Samudio saiu do país com documentos falsos. Timóteo é preso federal e está acautelado no presídio de Governador Valadares. Como mostrou o EM na terça-feira, a avó materna do goleiro, a professora aposentada Lucely Alves de Souza, que mora no interior da Bahia, disse que Bruno e Timóteo não se conhecem. Segundo ela, o detento foi ao Rio de Janeiro em 2009 para tentar conversar com o goleiro sobre a mãe e os dois irmãos, filhos do casal, mas Bruno, por telefone, teria dito que não iria recebê-lo. A avó do jogador contou que Timóteo voltou chateado para Alcobaça, onde morava. “Ele disse que Bruno era arrogante e que a batata dele estava assando”, disse a professora aposentada. A mãe de Bruno, Sandra, hoje mora na Suécia.
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