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Ausência de corpo é principal ponto de debate entre defesa e acusação do Caso Bruno

Defensores vão tentar convencer júri de que Elisa está viva e que teria fugido do país. Já a promotoria quer ouvir uma testemunha-chave do processo, primo do ex-goleiro, através de videoconferência, durante o julgamento

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postado em 15/11/2012 10:34 / atualizado em 15/11/2012 11:00

Cristiane Silva

Reproducao de internet/www.8p.com.br
A quatro dias do julgamento dos cinco acusados do desaparecimento e morte de Eliza Samudio, a expectativa é de um confronto intenso entre a defesa e a acusação do goleiro Bruno Fernandes de Souza. A ausência do cadáver é um dos principais aspectos do caso.

De um lado, os advogados de ex-atleta sustentarão que se não há corpo, não há crime. Em um episódio recente desta verdadeira novela que se arrasta desde meados de 2010, a defesa afirma que quer ouvir o ex-marido da mãe de Bruno, que está preso em Governador Valadares. Os advogados apresentaram uma carta que teria sido escrita por Luiz Henrique Franco Timóteo, dizendo que ajudou a modelo a sair do país em março de 2010 usando documentação falsa. Rui Pimenta, um dos defensores do goleiro, disse que Eliza teria ido para a Bolívia e, em seguida, para o Leste Europeu.

 

Acompanhe a cobertura completa no Especial Caso Bruno

 

Do outro, a acusação corre contra o tempo para conseguir autorização para que uma testemunha-chave do processo que apura o crime preste depoimento: o jovem J.L.L.R, de 19 anos. O primo de Bruno foi arrolado como testemunha de ambas as partes, mas está inserido no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, de forma que não pode comparecer ao júri na próxima segunda-feira.

O promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro entrou com um requerimento junto à Justiça para que ele seja ouvido por videoconferência. O jovem, que era menor na época do crime, disse que Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e Bruno teriam trazido Eliza e o filho do Rio de Janeiro para o sítio em Esmeraldas, na Grande BH. O adolescente também informou que as partes do corpo da mulher foram jogadas para os cães. Outra testemunha que seria fundamental durante o júri, Sérgio Rosa Sales, foi assassinado a tiros em agosto deste ano por um crime passional, segundo a polícia.

Com esses argumentos, as partes tentarão convencer os jurados da inocência ou culpa de Bruno e dos demais réus do caso. Vários fatores podem influenciar a decisão do júri, desde um gesto, uma palavra e até o tom de voz dos envolvidos. Assim, segundo o jurista e criminalista Luiz Flávio Gomes, quem transmitir mais convicção aos jurados vence o confronto. “A expectativa é de que haverá um debate muito intenso. Se o promotor apresentar as provas de forma bastante segura, ele ganha. E o crime é mais favorável para a acusação por causa da pressão midiática. Mas este é um caso extraordinário para uma defesa histórica porque não há corpo”, analisa.

Crime sem corpo

De 2010 até este ano, as buscas pelo corpo de Eliza Samudio incluíram uma lagoa en Ribeirão das Neves, a casa do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola - os cães dele foram examinados para verificar se haviam ingerido carne humana -, a Lagoa do Nado, na Região Norte de Belo Horizonte. Os policiais também fizeram buscas em um poço no Bairro Planalto depois que uma mulher disse ter “sonhado” que o corpo havia sido desovado no local. E, em agosto, a polícia voltou ao sítio que pertenceu ao goleiro em Esmeraldas após uma denúncia. Com ajuda do Corpo de Bombeiros, foram feitas escavações em parte do terreno, mas, novamente, o trabalho foi fustrado.

Gomes destaca a falta do corpo como principal argumento da defesa mas, segundo ele, na ausência do primo do goleiro como testemunha do crime, valem as provas indiciárias para a acusação – análises periciais, depoimentos anteriores, vídeos, cartas, ligações telefônicas.

Ainda de acordo com o criminalista, vale lembrar que há outros casos na Justiça brasileira em que houve absolvição ou condenação mesmo sem o corpo da vítima. Luiz Flávio Gomes cita o caso dos irmãos Naves, na década de 1930, em que Sebastião e Joaquim naves foram torturados e condenados por ter roubado e matado um conhecido. O caso só foi esclarecido em 1952, quando a vítima, desaparecida por 15 anos, retornou à cidade de Araguari, no Sul de Minas. Há alguns anos, um policial militar de Brasília também foi condenado sem que houvesse corpo.

Já no caso que ficou conhecido como Dana de Teffé, no Rio de Janeiro da década de 1960, o advogado apontado como suspeito da morte da ex-mulher do embaixador brasileiro Manuel de Teffé, foi absolvido e o corpo nunca apareceu.

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