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Bola pede clemência à juíza enquanto advogado de defesa o humilha diante do júri

O ex-policial disse à juíza que está desesperado, pois não cometeu o crime e teme ser condenado. Enquanto ele respondia às perguntas da promotoria, defensor o agrediu verbalmente e foi repreendido

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postado em 06/11/2012 20:35 / atualizado em 06/11/2012 21:57

Daniel Silveira , Clarisse Souza

Edesio Ferreira/EM/D.A Press.

 

Os ânimos estiveram exaltados neste segundo dia do julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que responde pelo assassinato do carcereiro Rogério Martins Novelo, ocorrido em maio de 2000. Visivelmente nervoso e chorando várias vezes durante a sessão, o réu chegou a pedir clemência à juíza Marixa Fabiane Rodrigues, que preside o Júri Popular. Já o advogado Ércio Quaresma, um dos defensores do acusado, chegou a humilhar o próprio cliente, sendo repreendido pela magistrada.

O júri foi retomado na manhã desta terça-feira com o depoimento do delegado Edson Moreira, arrolado como testemunha pela defesa de Bola. Ele respondeu às perguntas por mais de três horas. Houve o intervalo para o almoço e a sessão recomeçou à tarde com o depoimento de outras duas testemunhas de defesa, um carceireiro colega da vítima assassinada e o sargento da Polícia Militar que assinou o Boletim de Ocorrência do homicídio.

Concluídas as oitivas das testemunhas, chegou a vez de Bola ser ouvido. Antes disso, o réu, que em vários momentos chorou e chegou a passar mal, tendo de interromper a sessão por cerca de dez minutos, enviou um bilhete à juíza Marixa, pedindo clemência e afirmando ser inocente. Ao interrogá-lo, a magistrada perguntou se ele cometeu o crime. De imediato ele respondeu “jamais excelência”, e afirmou que é vítima do delegado Edson Moreira.

Bola contou a história sobre o envolvimento com Moreira. Eles se conheceram na década de 90, dentro da Academia da Polícia Civil e afirmou que lá surgiu uma grande desavença entre eles. Segundo o ex-policial, Edson dizia ter sido integrante da Rotam, quando integrava a Polícia Militar em São Paulo. Por chacota, Bola disse que ele deveria ter feito parte da cavalaria da PM. A brincadeira, segundo ele, resultou numa briga sem trégua.

O ex-policial afirmou que o delegado, que chefiava o Departamento de Investigação em BH, lhe garantiu que “todo cachorro morto rolando morro a baixo seria jogado nas minhas costas”. Isso significaria que todo corpo de vítima assassinada cuja autoria não fosse identificada o crime seria atribuído a ele pelo delegado.

A promotoria começou a questionar Bola a respeito dessa desavença entre os ex-colegas de corporação e fazer outras perguntas relacionadas ao próprio depoimento do réu, o que a defesa protestou, dizendo que a acusação queria fazer o acusado cair em contradição. Bola respondia prontamente as perguntas quando Ércio Quaresma se alterou, agredindo-o verbalmente.

“Você tem problemas de audição ou cerebrais? Já disse mais de dez vezes que não é pra responder nada, nada, sem que as peças dos autos sejam lidas”, bradou o defensor. Houve intensa discussão entre o advogado, a acusação e o réu, até que a juíza Marixa interviesse. Ela repreendeu Quaresma, ordenando que ele se contivesse e criticando a postura dele por humilhar o próprio cliente.

Ao longo desta noite Bola continuará sendo ouvido. Terminado o debate entre defesa e acusação, a juíza conduzirá o término do julgamento, quando os sete jurados sorteados para compor o júri votarem pela absolvição ou condenação do ex-policial. A expectativa é que termine no começo da madrugada desta quarta-feira.

Defesa otimista

Para o advogado Ércio Quaresma, Bola já está condenado. O defensor afirmou que a postura de Bola diante do júri, ignorando as orientações dos advogados, atrapalha a defesa dele. Além disso, ele considera que devido ao caso da modelo Eliza Samudio, cuja execução é atribuída ao ex-policial, a sociedade o considera um assassino e já o condenou pelos crimes aos quais responde.

Já o advogado Zanone Emanuel, que também defende Bola neste processo, acredita que são grandes as chances de absolvição. O principal argumento da defesa é relacionado à maior habilidade de Bola: atirar. O ex-policial é atirador de elite, e chegou a treinar outros atiradores.

O carceireiro foi morto com um tiro de pistola 765 no peito, disparado, segundo a perícia, a pouco mais de um metro de distância. Os advogados insistem na tese de que Bola tem conhecimentos suficientes para saber que uma arma com este calibre tem pouca precisão e escolheria uma arma 40 ou 380. Além disso, argumentam que se ele foi contratado para matar, atiraria na cabeça, com possibilidade mínima de errar o alvo, dada sua habilidade.

Prévia do Caso Bruno

Por várias vezes o nome de Eliza Samudio foi citado durante o julgamento. Nos dois dias a juíza colocou em votação entre os jurados se eles queriam que o suposto envolvimento de Bola na morte da ex-amante do goleiro Bruno fosse tratada na sessão. Os sete foram unânimes em não tratar do assunto e limitar os depoimentos ao crime que está sendo julgado.
Bruno, Bola e outras três reús serão submetidos ao Júri Popular pelo desaparecimento e morte de Samudio no próximo dia 19, também no Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem, na Grande Belo Horizonte.