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Dois dos sete réus do Caso Bruno serão julgados separadamente

Por ser permitido a cada acusado dispensar três jurados, há impossibilidade de realizar o julgamento dos sete ao mesmo tempo

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postado em 08/10/2012 20:35 / atualizado em 08/10/2012 21:14

Daniel Silveira

Sidney Lopes/EM/D.A Press. Brasil - 08/10/2010

 

Começa em 19 de novembro no Tribunal do Júri de Contagem, na Grande BH, o julgamento do goleiro Bruno Fernandes e outros quatro envolvidos no desaparecimento e morte de Eliza Samudio. A data do Júri Popular foi marcada na última sexta-feira e divulgada nesta segunda-feira. Inicialmente a informação era de que todos os réus seriam julgados ao mesmo tempo, mas em seguida o Tribunal de Justiça informou que houve desmembramento do processo.

A defesa de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, havia pedido que o processo fosse desmembrado. A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, que presidirá a sessão, entendeu que não há possibilidade matemática para realizar um único julgamento. Isso porque o Tribunal do Júri é composto por 25 jurados e cada um dos réus pode dispensar, sem justificativa, três jurados. Assim, se cada um dos sete acusados dispensasse sua cota, não haveria possibilidade de conduzir o julgamento com apenas cinco jurados.  Portanto, Elenilson Vítor da Silva e Wemerson Marques de Souza serão julgados em outra data, ainda não definida.

No júri que terá início em 19 de novembro serão julgados o goleiro Bruno, o amigo dele Macarrão, a ex-mulher do jogador, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, a ex-namorada dele Fernanda Gomes de Castro e o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Bruno e Macarrão respondem por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de métodos que dificultaram a defesa da vítima). Já Bola responde por homicídio duplamente qualificado (meio cruel e sem permitir defesa da vítima), e ocultação de cadáver. Já Dayane e Fernanda respondem por sequestro e cárcere privado do bebê.

Sidney Lopes/EM/D.A Press. Brasil - 08/10/2010
A defesa de alguns dos réus havia pedido para que fossem arrolados como testemunhas do caso os delegados da Polícia Civil Edson Moreira, Alessandra Wilke e Ana Maria dos Santos, responsáveis pelo inquérito policial que subsidiou a denúncia dos acusados. O pedido foi negado pelo Tribunal de Justiça. No entanto, a juíza Marixa Rodrigues ressaltou que os investigadores poderão apenas prestar esclarecimentos sobre eventuais dúvidas que as partes possam ter no Júri.

Os advogados tentaram ainda afastar a juíza Marixa do caso e apresentaram um pedido de suspeição contra ela, o que também foi negado pelo Tribunal. A magistrada enfatizou que no julgamento em Plenário a decisão final é dada pelos jurados, cabendo ao juiz apenas presidir a realização da instrução. Ela fez questão de destacar ainda que não tem interesse na condenação ou absolvição de nenhum dos réus.

Entenda o caso

– De acordo com a denúncia oferecida à Justiça pelo Ministério Público, em 4 de junho de 2010 Macarrão e um primo de Bruno, na época ainda adolescente, sequestraram Eliza e o bebê, a agrediram e a levaram para a casa do goleiro no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro.
– No dia seguinte, Eliza foi levada para Contagem, na Grande BH, e depois para o sítio do goleiro, em Esmeraldas, onde teria sido mantida em cativeiro até ser morta, em 10 de junho.
– O homicídio teria ocorrido à noite, em Vespasiano, num imóvel do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que teria estrangulado Eliza com a ajuda de Macarrão. O ex-policial também sumiu com o corpo, que ainda não foi encontrado.
– O filho de Eliza foi levado de volta ao sítio. Lá, Bruno, Macarrão, Sérgio Sales e o adolescente queimaram a mala e as roupas da vítima.
– Os acusados foram para Ribeirão das Neves e de lá para o Rio em um ônibus que transportava o time mantido por Bruno.
– Dayanne, ex-mulher do goleiro, ficou com o bebê no sítio. Em 18 de junho, ela viajou e deixou a criança com Elenilson e Wemerson. O garoto foi entregue para uma mulher, que o repassou para outra.
– O bebê foi localizado pela polícia, depois de denúncia da morte de Eliza. Todos os envolvidos foram presos e denunciados à Justiça.
– Atualmente, apenas Bruno, Macarrão e Bola aguardam julgamento em penitenciárias.

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