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Corregedoria quer ouvir detetive aposentado que ligou para suspeitos da morte de Eliza

Polícia diz que mudança nas investigações da morte de primo do goleiro traz transparência e vai ouvir detetive aposentado que ligou 23 vezes para suspeitos no dia do sumiço de Eliza

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postado em 28/08/2012 07:32

Paula Sarapu

A Corregedoria-Geral da Polícia Civil assumiu ontem as investigações sobre a morte do primo do goleiro Bruno Fernandes, Sérgio Rosa Sales, assassinado a tiros quarta-feira no Bairro Minaslândia, na Região Norte de Belo Horizonte, e que havia ajudado a polícia a recontar os últimos passos da modelo Eliza Samudio, ex-amante do atleta. Em novembro de 2010, Sérgio afirmou à Justiça que seu depoimento na polícia foi influenciado por agressões físicas que teria sofrido dos delegados e investigadores da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP).

Por isso, na sexta-feira o Ministério Público recomendou que outra unidade apurasse a execução do rapaz. Segundo o corregedor-geral de Polícia Civil, delegado Renato Patrício Teixeira, esses policiais poderão ser chamados a prestar novo depoimento. O delegado disse ainda que vai investigar as suspeitas de envolvimento do policial civil aposentado José Lauriano de Assis Filho, o Zezé, que apresentou Bruno e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, ao ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Responsável pelo inquérito, o delegado Edson Moreira, então chefe do Departamento de Investigações, diz ter certeza da participação dele na morte da Eliza, embora não tenha conseguido provar.

“Isso vai ser checado também. Nenhuma linha de investigação será abandonada. O Ministério Público ponderou que seria conveniente outra unidade investigar a morte do Sérgio, já que ele alegou em juízo que teria sido alvo de arbitrariedades por parte das autoridades policiais da DHPP, para que ele prestasse aquele depoimento. A morte dele guarda algum vínculo com o fato anterior e por isso a Corregedoria, que investiga todos os fatos atribuídos a policiais civis, resolveu avocar este caso”, acrescentou.

Zezé envolvido

De acordo com as investigações sobre a morte de Eliza, Bola se encontrou com Zezé duas vezes na noite do crime: antes e depois de asfixiar a modelo até a morte. O policial aposentado foi ouvido duas vezes pela polícia e, no primeiro depoimento, não contou que esteve com o colega na noite do crime. Na segunda versão, Zezé disse que Bola o procurou para pedir R$ 50 emprestados.

Os dois foram da mesma turma da Polícia Civil e, segundo as investigações, há indícios de que Zezé também tenha estado no motel onde Bruno e Macarrão passaram a noite, horas depois de sequestrar Eliza em um hotel de luxo no Rio de Janeiro. Como mostram as apurações, Macarrão e Zezé se falaram 23 vezes por telefone. Naquela noite, um homem que a polícia não conseguiu identificar à época, foi autorizado a subir até o quarto de Macarrão, onde permaneceu por 40 minutos.

“Bruno era o detentor do motivo para matar Eliza e Macarrão, como seu procurador, assumiu o motivo também. Bola foi o matador e Zezé o responsável pela aproximação para resolver o problema. Eles eram amigos, foram da mesma turma. Para mim, Zezé participou pelo menos da ocultação do cadáver”, afirma Edson Moreira.

As investigações sobre a morte de Sérgio ficarão a cargo do subcorregedor Alexandre Campbell, da 2ª Subcorregedoria. De acordo com o delegado Renato Patrício Teixeira, os depoimentos dos pais e da namorada de Sérgio, ouvidos no fim da semana, serão aproveitados. Uma reunião já está marcada com investigadores da DHPP para troca de informações. O corregedor disse que os policiais vão às ruas para complementar as informações sobre a vida pregressa da vítima. “Nada do que já foi feito será perdido. Queremos saber, por exemplo, os últimos contatos que ele fez”, diz o corregedor-geral.
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