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Documentário sobre o Caso Bruno faz resumo da história sem apresentar novidades

Episódio de série exibida por canal de TV pago relembrou tudo o que já foi exaustivamente noticiado ao longo dos dois anos do desaparecimento de Elisa Samudio

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postado em 20/06/2012 00:18 / atualizado em 20/06/2012 01:05

Daniel Silveira

Reprodução
Foi ao ar na noite dessa terça-feira pelo canal pago de TV A&E um documentário sobre o grande espetáculo que se tornou o chamado “Caso Bruno”, que trata do desaparecimento e suposta morte da modelo Elisa Samudio. Embora prometesse “detalhes que você ainda não viu”, o episódio intitulado “Penalidade Máxima” da série “Até que a Morte nos Separe” não trouxe nada de novo do que já foi veiculado no país desde junho de 2010, quando teve início essa trama na vida real.

Protagonizado por um dos ídolos de uma das maiores torcidas de futebol do país, o goleiro Bruno Fernandes, do Flamengo, o caso que chocou o país completa 2 anos e três dos oito acusados de envolvimento no crime seguem presos, aguardando julgamento. Além de Bruno, o amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, e o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, estão detidos preventivamente em penitenciárias da Grande Belo Horizonte. Todos negam o crime e, embora a atual defesa do jogador admita que Elisa está morta, o paradeiro do corpo permanece um mistério.

Na abertura do episódio da série televisiva, uma ilustração apresentava dados sobre crimes passionais no país e o número de mulheres vítimas de agressão. A narração da trágica história de Elisa Samudio tem início nas vozes do delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigações da Polícia Civil de Belo Horizonte, e da delegada Alessandra Wilke, responsável pelos primeiros passos das investigações. Ambos falam sobre as primeiras denúncias. Em seguida, a vida de Bruno começa a ser esboçada. Nenhum depoimento exclusivo ao canal foi exibido, apenas trechos de imagens e depoimentos do jogador em outras ocasiões.

O jornalista Juca Kfouri lembra a infância pobre do jogador, que nasceu em Ribeirão das Neves, na Grande BH, e foi abandonado pelos pais. Kfouri pondera que Bruno tinha três destinos possíveis para se dar bem financeiramente: ser jogador de futebol, sambista ou traficante. Revelado pelo Atlético-MG em 2005 e contratado pelo Flamengo em 2008, Bruno, que se tornou capitão do time, rapidamente passou a ser um dos jogadores mais bem pagos no país.

Jair Amaral/EM/D.A.Press
Foi na infância que o goleiro conheceu o Macarrão. O advogado Cláudio Dalledone, que defendeu o jogador no caso até meados de 2011, salientou no documentário a forte relação de amizade da dupla. O mesmo foi evidenciado pelo delegado Edson Moreira, dizendo que por Bruno o Macarrão seria capaz de morrer e matar. Já a delegada Wilke lembrou que chegou a perguntar à mulher de Macarrão se ele tatuou o nome dela em alguma parte do corpo. Afinal, chamou a atenção de todos a jura de amor e amizade registrada nas costas do fiel escudeiro de Bruno.

Em seguida é narrado como Bruno e Elisa se conheceram. A própria vítima conta, em vídeo de arquivo, sobre a festa em que foi convidada a participar e onde conheceu o capitão do Flamengo. Nas imagens ela afirma que se encantou com o porte físico do jogador e que naquela mesma ocasião eles iniciaram um envolvimento amoroso. Três meses depois ela revelou estar grávida.

Celebridade do futebol

O segundo bloco do programa começa com um depoimento emocionado da mãe de Elisa, Sônia de Fátima Mourão. Os pais da modelo se separaram pouco depois do nascimento dela, que foi criada pelo pai. Sônia chora ao falar das denúncias de que o pai de Elisa abusou sexualmente da filha e lamenta ter interrompido o convívio com ela tão cedo.

O interesse de Elisa por jogadores de futebol é evidenciado em vários depoimentos, inclusive dela própria. A modelo, que chegou a gravar ao menos quatro vídeos pornográficos, registrou em vídeo a revelação de que chegou a receber ligações de jogadores que sequer conheceu pessoalmente e que conseguiram o telefone dela com outros amigos jogadores. O psicanalista Jorge Forbes fala do deslumbramento de algumas jovens com a posição de fama e poder financeiro dos jogadores de futebol, condição que o delegado Edson Moreira citou como a popularmente conhecida “maria chuteira”.

Também foi exibido o vídeo em que Elisa denunciava o jogador por agressão e cárcere privado, revelando ter sido obrigada a ingerir medicamentos abortivos. Por causa deste vídeo, Bruno foi condenado pela Justiça do Rio de Janeiro a 4 anos e 6 meses de prisão, pena que ele já cumpriu quase a metade e, por isso, recebeu o direito à liberdade condicional. No entanto, ele permanece preso por causa do processo sobre o desaparecimento e morte da ex-amante.

Em meio aos depoimentos sobre a vida pessoal de Elisa, a delegada Alessandra Wilke relembra o início das investigações. Ela é categórica ao afirmar que Bruninho, filho de Elisa, foi a garantia da elucidação do crime. Segundo ela, se o bebê não tivesse sido encontrado, Bruno permaneceria afirmando que a ex-amante sumiu sem dar notícias.

Pistas

Foi no terceiro bloco que as investigações sobre o desaparecimento e morte de Elisa passaram a nortear o episódio. Foi no dia 4 de junho de 2010 que Elisa saiu com Macarrão e um primo de Bruno, um adolescente, sob a promessa de encontrar o jogador e receber um alto valor em dinheiro para deixar de ameaçar o goleiro. Nesta ocasião Elisa e o menor brigaram dentro do carro e ambos ficaram feridos. Manchas de sangue dos dois foram encontradas na Land Rover do goleiro.

Segundo os investigadores, Elisa foi levada para a casa de Bruno no Rio de Janeiro. No dia seguinte, logo após uma partida do Flamengo contra o Goiás, foi que Elisa e Bruno se encontraram na residência. De lá, saíram em dois carros com destino a Minas Gerais. Multas de trânsito, registros de ligações, pagamento de motel com cartão do jogador foram algumas das provas recolhidas pela polícia para elucidar o caso.

Em Minas, Elisa foi levada para o sítio de Bruno em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. O filho dela foi levado para Ribeirão das Neves, onde foi entregue a uma mulher desconhecida. Uma festa chegou a ser realizada no sítio do jogador, com Elisa presa dentro da casa, numa tentativa de despistar suspeitas contra Bruno. Para a polícia, a modelo foi severamente espancada no local e no dia 10 de junho foi levada para a casa de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, em Belo Horizonte, onde foi morta no mesmo dia.


O grande mistério

À época, chocou a opinião pública o depoimento do adolescente, divulgado pela polícia, de que Bola enforcou Elisa quando ela reclamou não suportar mais ser agredida e que, em seguida, ele levou o corpo para um cômodo da casa, de onde saiu carregando um saco preto. Segundo o menor, no saco havia pedaços de carne que o ex-policial atirou para os cachorros. Ele citou no depoimento que viu uma mão humana ser arremessada aos animais.

Porém, a delegada Alessandra Wilke afirma, categoricamente, que o corpo de Elisa não foi devorado por animais. Ela garante que a descrição do adolescente foi uma encenação de Bola, que tomou o cuidado de não deixar nenhum dos envolvidos informados sobre o paradeiro do corpo. Para a investigadora, ninguém nunca saberá como e onde o corpo da modelo foi ocultado.

Outra situação evidenciada no documentário foi a denúncia feita por Bruno à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais de que o delegado Edson Moreira lhe pediu R$ 2 milhões para incriminar Macarrão e livrá-lo das acusações. Assim como na época em que a denúncia foi feita, o delegado sugeriu que aquilo era uma tentativa da defesa do jogador de desviar o foco das atenções.

reprodução
No quarto e último bloco do documentário foi destacada a estratégia do novo advogado de Bruno, Rui Pimenta, que logo ao assumir a defesa do jogador decidiu assumir que houve o assassinato de Elisa, fato negado pela defesa anterior, mas afirmando que o mandante do crime foi Macarrão, e não o jogador. O defensor sugeriu que o amigo de infância é homossexual e decidiu matar Elisa por ciúmes e vingança, o que foi negado pelo defensor de Macarrão. Para finalizar o episódio, a mãe de Elisa relata o drama de criar o neto sozinha e a tristeza pelo curto convívio que ela teve com a filha e a dor provocada pelo crime.

 

 

Nas mãos da Justiça

Bruno, Macarrão e Sérgio Rosa Sales, primo do jogador, respondem por sequestro e cárcere privado (pena de 1 a 3 anos), homicídio qualificado ( 12 a 30 anos) e ocultação de cadáver (1 a 3 anos). Bola é acusado de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Os quatro irão a júri popular e apenas Bruno, Macarrão e Bola aguardam presos o julgamento.

Em liberdade, além de Sérgio estão Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do goleiro, que responde por sequestro e cárcere privado de Eliza e do bebê. Dayanne dos Santos, ex-mulher de Bruno, Wemerson Marques de Souza, amigo, e o caseiro do sítio, Elenilson Vitor da Silva, são acusados de sequestro e cárcere privado do menor.