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Traficante Nem pode ser ouvido por ameaças a juíza do Caso Bruno

As ameaças teriam partido do ex-policial civil, Marcos Aparecido, o Bola, que também teria a intenção de matar o delegado Edson Moreira e um advogado que atua como assistente de acusação do caso

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postado em 20/12/2011 18:01 / atualizado em 20/12/2011 19:21

João Henrique do Vale , Paula Sarapu

Cristina Horta/EM/D.A.Press
 

Um dos maiores traficantes do Rio de Janeiro, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o “Nem”, de 35 anos, preso em novembro deste ano quando fugia da Favela da Rocinha, pode ser ouvido sobre as ameaças sofridas pela juíza Marixa Rodrigues, que vai presidir o julgamento do processo do sequestro, morte e ocultação do corpo de Eliza Samudio. A intenção de matar a magistrada teria partido do ex-policial civil Marcos Aparecido, o Bola. O delegado Islande Batista, chefe do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), não descarta pedir um depoimento de Nem por carta precatória.

Em abril deste ano, um detento que dividia a cela com Marcos Aparecido na Penitenciária Nelson Hungria contou os planos do ex-policial sobre uma série de assassinatos. Segundo o homem, a lista tinha os nomes da juíza, do delegado Edson Moreira, que comandou as investigações do caso, além de José Arteiro, que atua como assistente de acusação do caso. Durante a revelação, o detento tinha informado que o plano dos assassinatos contariam com a participação de traficantes do Rio de Janeiro.

Nesta tarde o goleiro Bruno Fernandes foi encaminhado para o Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), no Bairro Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte. O atleta foi escoltado por agentes do Comando de Operações Especiais (Cope) e chegou ao local acompanhado por dois novos advogados - Francisco Simin e Walace Simin. Durante os depoimentos , Bruno disse que desconhece as ameaças sofridas pela juíza, o delegado e o advogado.

O delegado Islande Batista informou que Bola também será chamado para prestar depoimento, mas a data ainda não foi definida.

Relembre o Caso Bruno

De acordo com o inquérito, Eliza e a criança, suposto filho do goleiro, foram sequestrados por Luiz Henrique Romão e Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, no Rio de Janeiro, e trazidos para o sítio do atleta, em Esmeraldas, na Grande BH, em 4 de junho. A vítima teria sido mantida em cárcere privado até o dia 10, quando teria sido morta em outro local. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, é apontado como o executor. A criança foi entregue à ex-mulher, Dayanne de Souza.

Bruno, Macarrão e Sérgio respondem por sequestro e cárcere privado (pena de 1 a 3 anos), homicídio qualificado ( 12 a 30 anos) e ocultação de cadáver (1 a 3 anos). Bola é acusado de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Em liberdade, Fernanda Gomes de Castro responde por sequestro e cárcere privado de Eliza e do bebê. Dayanne, Wemerson Marques de Souza e o caseiro do sítio, Elenilson Vitor da Silva, são acusados de sequestro e cárcere privado do menor.