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Julgamento de menor pode ser prorrogado

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postado em 27/07/2010 22:36

Landercy Hemerson

O julgamento do processo do adolescente de 17 anos, que denunciou o sequestro da modelo Eliza Samudio, de 25, pode se estender até o fim de agosto, a depender do juiz Elias Abdou Obeid, da Vara da Infância e Juventude de Contagem, na Grande BH. Há previsão era de que o magistrado defina ainda esta semana a aplicação ou não de medida sócioeducativa ao menor, acusado pelo Ministério Público de sequestro, cárcere privado e homicídio. Mas o juiz, que tem prazo inicial de cinco dias para julgar o processo, pode pedir prorrogação, caso entenda pela necessidade de novas análises. Ele tem 45 dias, contados a partir do depoimento do menor, no dia 13, para finalizar o processo.

Na última sexta-feira, o promotor de Justiça Leonardo Barreto Moreira Alves entregou as alegações finais relativas à acusação do envolvimento do jovem no sumiço e suposta morte de Elisa Samudio. Com base na confissão do adolescente e nas provas testemunhais colhidas ao longo do processo, o promotor pediu a aplicação de medida sócioeducativa de internação do acusado, que varia de seis meses a três anos.

Laonardo destacou que não há nos autos provas cabais e inequívocas da participação do adolescente na ocultação do cadáver. Por isso, pediu a aplicação da medida socioeducativa apenas para os atos infracionais de sequestro, cárcere privado e homicídio. Ele disse, porém, estar convencido da prática do ato por parte dos adultos indiciados no inquérito policial, a cargo da Delegacia de Homicídios de Contagem.

Leonardo Barreto esclareceu que a acusação do envolvimento do adolescente também no homicídio teve como base o dolo eventual. “Mesmo que o menor não desejasse diretamente a morte da vítima (dolo direto), contribuiu para a ocorrência desse evento. No mínimo, aceitando o seu resultado, já que a levou até o local da execução do crime, lá permanecendo, ainda que em cômodo ao lado, sem que, em nenhum momento, tenha se manifestado de forma contrária a esses graves atos ou sequer desistido do cometimento deles", completou.

Defesa

Ao entregar suas alegações finais, o advogado do menor, Eliézer Almeida, não desmentiu as informações dadas por seu cliente em depoimentos de que a jovem veio do Rio para o sítio do jogador. Eliezer afirmou que o adolescente foi “usado pelos adultos”. Segundo ele, as declarações dele são coerentes quanto ao sequestro da modelo. O advogado evitou polêmicas em relação aos comentários de seus colegas que defendem o goleiro e outros envolvidos, que definem as versões do adolescente como “fantasiosas”.

Eliezer conta que seu cliente já prestou seis depoimentos e pelo menos três deles sob forte pressão, já que na ocasião não era acompanhado por um advogado. De acordo com ele, houve divergências nas declarações, mas foi mantida uma essência que aponta para a participação dele na abordagem de Eliza no hotel no Rio de Janeiro e sua vinda para o sítio em Esmeraldas.
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