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Metalúrgico e dona de casa testemunham depoimento de Bruno

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postado em 24/07/2010 11:05

Pedro Ferreira

Um metalúrgico aposentado de 58 anos e sua filha, de 36, que é dona de casa, passaram oito horas em companhia do goleiro Bruno Fernandes e do amigo dele Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão. Pai e filha, que moram no Bairro São Cristóvão, Região Nordeste de BH, voltavam de uma agência bancária, por volta das 14h de sexta-feira da semana passada, e ao passar em frente ao prédio do Departamento de Investigações (DI) foram chamados por policiais como testemunhas de leitura. Os dois ficaram até as 22h acompanhando depoimentos dos presos.

A dona de casa conta que, quando foi convidada, não sabia que um dos presos era Bruno. “Fiquei surpresa, mas ele não disse nada à polícia. Ele dava a mesma resposta para todas as perguntas, de que somente falaria em juízo”, disse a mulher, que ficou impressionada com a tranquilidade do goleiro. “Em momento algum ele abaixou a cabeça e sempre olhava firme para a delegada Ana Maria Santos. Macarrão, por sua vez, ficou o tempo todo cabisbaixo, nervoso”, contou a mulher.

O metalúrgico aposentado disse que ele e a filha foram chamados para garantir que os presos não seriam agredidos ou ameaçados, embora dois representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) estivessem presentes. Bruno foi ouvido primeiro, segundo ele. Depois, o goleiro foi levado para a sala do chefe do DI, Edson Moreira, e Macarrão foi interrogado. Ele recordou a infância com o amigo Bruno, falou do seu trabalho na Ceasa, da época em que ficou desempregado e o goleiro o chamou para trabalhar com ele, no Rio de Janeiro, e também do time de futebol mantido pelo goleiro em Ribeirão das Neves, o 100%. “Já Bruno não falou nada, sempre de cabeça erguida. De vez em quando, sorria”, disse o aposentado, que pelo Atlético e o Flamengo.

O metalúrgico conta que não pediu autógrafo ao Bruno por considerar o momento inoportuno. Mesmo porque, justificou, ele não fez isso nem quando o goleiro era do Atlético, seu time do coração. “Se Bruno errou, que ele pague pelo que fez. Se não errou, deve provar sua inocência”, acrescentou o aposentado.

Fome

A única reclamação das testemunhas é que a polícia não serviu nada além de café e água, nas oito horas de depoimento. A dona de casa havia deixado a filha de 8 anos sozinha e conta que se sentiu aprisionada. O pai dela, que é diabético, não bebeu o café por causa do açúcar. Um dos advogados comprou duas barras de paçoca e deu às testemunhas e Macarrão, mas o aposentado também não pôde comer. “Fomos liberados às 22h, com forme”, reclamou o metalúrgico.

A dona de casa disse ainda que não parou de pensar na filha sozinha em casa. “Me senti quase presa e nem podia telefonar para ela. Também seria difícil explicar a uma criança que a mãe estava numa delegacia, sendo testemunha. Quando os policiais cataram a gente na rua, disseram que não ia demorar nem meia hora.” (PF)