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Defesa de suspeitos sofre sucessivas derrotas na Justiça

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postado em 21/07/2010 07:07 / atualizado em 21/07/2010 18:00

Roney Garcia /Estado de Minas

Renato Weil/EM/D.A Press

A tentativa de esclarecer o desaparecimento e suposto assassinato da modelo Eliza Samudio, de 25 anos, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes de Souza, também de 25, foi marcada na terça-feira por derrotas judiciais para a defesa dos acusados e por reviravoltas que, no inquérito policial, pareceram sob encomenda para favorecer os advogados dos suspeitos. Tudo temperado por declarações do principal defensor do jogador, Ércio Quaresma, que decidiu terça-feira ressuscitar a tese de que Eliza está viva – mesmo sem apresentar qualquer indício que respaldasse a ideia e contrariando pistas coletadas na investigação policial, incluindo depoimentos reforçados por traços do sangue da jovem colhidos em perícias.

No campo da investigação, a mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo, de 23 anos, protagonizou uma reviravolta no caso, aparentemente sob medida para os interesses da defesa. Um dia depois de anunciar a troca de advogados, supostamente decidida a colaborar com a apuração, ela recuou. Em carta apresentada ontem pelo próprio Ércio Quaresma, Dayanne o reconduz ao caso e acusa policiais de irregularidades. Antes da decisão, ela deu uma informação que tumultuou as investigações. No período em que estaria ajudando a polícia, Dayanne afirmou ter visto Eliza viva em 10 de junho, um dia depois da data em que, segundo as apurações, a jovem teria sido assassinada.

Coincidência ou não, Quaresma – que anunciara na véspera, com a mesma certeza de que o Sol nasceria no dia seguinte, que Dayane voltaria a ser defendida por ele – retomou ontem a estratégia de desacreditar a investigação, sustentando que Eliza está viva. “Enquanto eu não verificar um atestado de óbito ou exame de necropsia, essa moça está viva”, afirmou. “A maior vingança de uma mulher é pôr o homem na cadeia injustamente. Há vários casos assim”, acrescentou, referindo-se à prisão de Bruno.

Dayane não foi a única a engrossar a lista de suspeitos de envolvimento no sumiço da modelo defendidos por Quaresma. Ontem, o advogado chegou ao Departamento de Investigações, no Bairro Lagoinha, na Região Noroeste de BH, escoltando Fernanda Gomes de Castro, de 31, ex-namorada do goleiro. Com ela, já são sete os interesses diferentes atendidos por ele, que defende também o próprio Bruno, cliente mais famoso, além de Luiz Henrique Romão (Macarrão), Elenílson Vitor da Silva, Flávio Caetano de Araújo e Wemerson Marques de Souza (Coxinha), todos detidos.

A mais nova testemunha que estaria disposta a colaborar com a polícia, segundo o próprio defensor, não responderia às perguntas dos investigadores. Sustentaria apenas, depois de orientada pelo advogado, a sua versão do que teria visto em relação a Eliza Samudio.

Negativas

Se no campo das apurações as novidades aparentemente favoreceram a defesa dos suspeitos, na Justiça o resultado não foi o mesmo. Mesmo depois da repentina decisão de colaborar com a polícia, Dayanne teve pedido de liberdade negado ontem. A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, do 1º Tribunal do Júri de Contagem, na Grande BH, indeferiu o relaxamento da prisão temporária da mulher do goleiro.

De acordo com a magistrada, a liberdade de Dayanne poderia prejudicar a coleta de provas. Ela entende que o decreto da prisão atendeu a todos os requisitos legais, "pois se trata de homicídio doloso praticado na forma qualificada". A juíza afirma ainda que a investigada esteve no sítio de Bruno na mesma ocasião em que a modelo lá ficou em cárcere privado.

No pedido, a defesa de Dayanne alegou não haver motivos que justificassem a manutenção da prisão e citou o princípio da presunção de inocência. Ela está detida desde o dia 7, sob suspeita de ter escondido o bebê que Eliza Samudio dizia ser de Bruno. A mesma juíza foi responsável pelo segundo revés de ontem na defesa dos investigados. À tarde, ela negou liminar em favor do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, identificado pela polícia como Bola, Paulista ou Neném, suspeito de ter executado Eliza. Na decisão, a magistrada afirmou não haver requisitos legais para embasar o pedido.

O advogado de Bola, Zanone Manuel de Oliveira Júnior, entrou com o pedido na sexta-feira, para tentar garantir que Bola não fosse obrigado a depor. No pedido, diz que o cliente "quer ver garantido o seu direito de permanecer calado e negar-se a participar de qualquer diligência policial". Acrescentou que o suspeito teve direitos desrespeitados e pediu a invalidação de qualquer depoimento prestado sem o acompanhamento dos advogados.

Para a juíza, porém, o investigado “sustenta que está sendo pressionado a depor, mas não provou o alegado constrangimento que estaria sofrendo”. “Não vislumbro em eventuais conduções do impetrante ao Departamento de Investigações qualquer ilegalidade ou abuso de poder", afirmou a magistrada, na decisão. Ela também negou o pedido do advogado para acompanhar todos os depoimentos do cliente.

Na terça-feira, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais negou mais um habeas corpus em favor de Bruno. O pedido partiu de um advogado da Bahia e foi indeferido por falta de documentos. (Com agências)