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Investigação do caso Bruno vira circo dos horrores

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postado em 20/07/2010 06:31 / atualizado em 20/07/2010 09:28

Pedro Ferreira , Ernesto Braga

Renato Weil/EM/D.A Press

Passado quase um mês da abertura do inquérito que apura o suposto assassinato da modelo Eliza Samudio, de 25 anos, ex-amante do goleiro do Flamengo Bruno Fernandes de Souza, também de 25, o trabalho conduzido pelo Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) começa a dar sinais de crise. O caso se transformou em um verdadeiro circo dos horrores, com vazamento de informações sigilosas, contradições, denúncia de agressão e outras mazelas que podem prejudicar o andamento do inquérito.

Por causa do vazamento da gravação feita em celular, de forma clandestina, com o jogador, dentro do avião da Polícia Civil, o chefe da corporação, delegado Marco Antônio Monteiro, teve de vir a público segunda-feira, pela primeira vez nesse caso, para anunciar o afastamento das delegadas Alessandra Wilke, que presidia o inquérito, e Ana Maria Santos, chefe da Delegacia de Homicídios de Contagem, na Grande BH. No DIHPP, no Bairro Lagoinha, Região Noroeste da capital, denúncia de agressão cometida pelo delegado Júlio Wilke em Luiz Henrique Romão, o Macarrão, foi feita pelo advogado Ércio Quaresma, que defende o braço direito do goleiro e acusado de participação no sequestro, tortura e morte de Eliza.

Em rápido pronunciamento, sem permitir que os jornalistas fizessem perguntas, Marco Antônio Monteiro informou ter determinado a abertura de sindicância pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil, que deverá apontar, em no máximo 48 horas, o responsável pela gravação feita com Bruno, quando era trazido do Rio para BH, na noite do dia 8. Ele aparece algemado e faz afirmações, respondendo a perguntas, como em uma entrevista, de que a responsabilidade pelo sumiço de Eliza é de Macarrão. A Corregedoria apontará também quem repassou as imagens a uma emissora de TV, que divulgou o material com exclusividade.

Na aeronave, com capacidade para nove pessoas – sem contar o piloto e dois copilotos – estavam as delegadas Alessandra Wilke e Ana Maria Santos, quatro agentes e uma assessora da Polícia Civil, além de Bruno e Macarrão. Monteiro informou que se reuniu com o chefe do DIHPP, delegado Edson Moreira, e determinou que ele assumisse a presidência do inquérito, passando a ser responsável pelo relatório final da investigação da morte de Eliza Samudio. “Essas medidas visam dar prioridade absoluta à apuração, restringindo o acesso às informações de forma a resguardar o trabalho para a conclusão de inquérito com agilidade, no menor tempo possível”, disse o chefe da Polícia Civil. Na tarde de segunda-feira, o corregedor-adjunto da corporação, Antônio Gama Júnior, reuniu-se com Edson Moreira no DIHPP. Os depoimentos de quatro agentes que estavam no avião avançaram pela madrugada.

Troca de advogado

Ércio Quaresma defende seis acusados de envolvimento no crime e havia ameaçado abandonar aquele que descumprisse a orientação de ficar calado em entrevistas ou nos depoimentos à polícia. Mas, na segunda-feira, a mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues, pediu para trocar de advogado, pois resolveu colaborar com a apuração. Ela foi uma das primeiras pessoas detidas, acusada de subtração de incapaz, por ter entregue o bebê, filho de Eliza, a uma família de Contagem, depois do sumiço da modelo.

Dayanne foi ouvida das 16h de sexta-feira às 4h de sábado e afirmou ter visto Eliza no sítio do jogador, em Esmeraldas, na Grande BH, no dia 10 – informações colhidas anteriormente pela polícia davam conta de que o assassinato ocorrera no dia 9. Ela foi a terceira pessoa presa a confirmar que a modelo esteve na propriedade. A informação já havia sido dada pelo adolescente de 17 anos e Sérgio Rosa Sales, o Camelo, primos de Bruno. Os novos defensores contratados pela família de Dayanne, Walker Azevedo e Emerson Louro, se apresentaram segunda-feira no DIHPP.

Assim como dentro da Polícia Civil, casos de oportunismo relacionados ao inquérito ocorrem entre os defensores dos acusados. Na manhã de segunda-feira, o advogado Lourivado Carneiro pediu ao Estado de Minas R$ 4 mil por uma entrevista exclusiva com seus clientes Cleiton Gonçalves e a mulher dele, Taiara Júlia. Cleiton dirigia a Lange Rover do goleiro quando o carro foi apreendido numa blitz, em 8 de junho. No veículo havia manchas de sangue, que exames de DNA confirmaram ser de Eliza, e outras que seriam de um homem. Taiara, ouvida segunda-feira, disse ter recebido R$ 50 do preso Wemerson Marques, o Coxinha, para tomar conta do bebê Eliza, quando esta já estaria morta, segundo a polícia.