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Bruno joga a culpa em Macarrão

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postado em 19/07/2010 06:57 / atualizado em 19/07/2010 07:36

Pedro Ferreira , Álvaro Fraga /Estado de Minas

Maria Tereza Correia/EM/D.A Press
Declarações feitas pelo goleiro Bruno Fernandes, de 25 anos, durante o voo que o trouxe preso do Rio de Janeiro para Belo Horizonte, em 8 de julho, podem dar novos rumos à investigação do desaparecimento da modelo Eliza Samudio, ex-amante do jogador. Em conversa gravada provavelmente de um celular, e exibida ontem à noite pelo programa "Fantástico", da Rede Globo, Bruno afirma que o amigo Luiz Henrique Ferreira Romão, o "Macarrão", é o único responsável pelo sumiço de Eliza.

"Ele me entregou o bebê e disse que havia dado dinheiro para ela sumir. Aí, eu pedi ajuda para a Dayanne (ex-mulher do goleiro), para ela cuidar do bebê", afirmou o ex-goleiro do Flamengo, que também disse não confiar mais no amigo, seu braço direito e responsável direto pela administração de seus negócios há muitos anos.

"Estou chocado. Depois de tudo o que ocorreu, fica difícil acreditar nele", comentou o goleiro ao se referir a "Macarrão", durante a conversa com os policiais que o trouxeram para Minas Gerais. Por fim, mostrando que estava mesmo disposto a transferir a responsabilidade de tudo o que ocorreu para o antigo funcionário, o atleta afirmou que as perguntas sobre o destino de sua ex-amante deveriam ser feitas para Luiz Henrique.

As declarações do goleiro foram feitas antes que o advogado que o defende, Ércio Quaresma, recomendasse a todos os investigados que se mantivessem em silêncio e só prestassem depoimento em juízo.

Na Justiça

A orientação faz parte da estratégia de dificultar os trabalhos de investigação da polícia. Os advogados que defendem os suspeitos de envolvimento no sumiço e suposto homicídio de Eliza Samudio estão lançando mão de uma série de recursos jurídicos que podem prejudicar ou até mesmo inviabilizar as investigações policiais.

A mais recente iniciativa neste sentido é do advogado Zanone Manoel de Oliveira Júnior, defensor do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, de 47 anos, o "Bola" – preso como suspeito de estrangular, esquartejar e ocultar o corpo de Eliza – que entrou com mandado de segurança no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, com pedido de liminar, para impedir que seu cliente participe de qualquer acareação com outros investigados, bem como a reconstituição do crime ou análise de comparação genética. A expectativa do advogado é que a liminar, para antecipação da decisão, seja julgada ainda hoje.

Edson Moreira

Zanone conta que entrou com mandado de segurança contra o chefe do Departamento de Investigações (DI), delegado Edson Moreira, para que a mesma juíza que decretou o mandado de prisão garanta a Marcos Aparecido o direito de permanecer calado. "A toda hora, o delegado tira o meu cliente do presídio para levá-lo à delegacia ou fazer uma diligência. Meu cliente já falou que não quer colaborar com nada, que não vai falar nada e não vai participar de nada", disse o advogado. "O ônus de prova é da polícia, da acusação e do Ministério Público e eles que façam as suas provas. Esse negócio de ficar tirando o meu cliente para lá e para cá já está configurando abuso de autoridade", reforçou.

O delegado Edson Moreira, bem como os outros delegados que cuidam das investigações, foi procurado pelo EM para comentar as acusações feitas pelo advogado de defesa de "Bola", mas nenhum dos policiais retornou as ligações do jornal.

Exames

Dos nove investigados, o único disposto a contribuir com a polícia é Sérgio Rosa Sales. Segundo o seu advogado Marco Antônio Siqueira, o preso aguarda possíveis acareações, novos depoimentos ou levantamentos de locais que, porventura, sejam solicitados pela polícia. Hoje, o defensor vai pedir à autoridade policial que submeta seu cliente a exame toxicológico, para provar que ele não faz uso de qualquer tipo de droga e tem boa conduta. "Sérgio também está à disposição para qualquer outro tipo de exame", disse o advogado, que vai aguardar a publicação da negativa de relaxamento de prisão para refazer o pedido à própria juíza que julgou o pedido, Marixa Fabiane. "Quero conhecer melhor as justificativas da juíza para manter o meu cliente preso", disse Siqueira.