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Bruno atrai as atenções na Penitenciária Nelson Hungria

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postado em 19/07/2010 06:16 / atualizado em 19/07/2010 07:39

Daniela Galvão /

A prisão do goleiro Bruno e de outros cinco suspeitos de envolvimento no desaparecimento e suposto homicídio da modelo Eliza Samudio – Luiz Henrique Ferreira Romão (Macarrão), o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos (Bola), Flávio Caetano de Araújo (Flavinho, que fazia serviços de transporte para o jogador), Elenilson Vitor da Silva (administrador do sítio) e Wemerson Marques de Souza (Coxinha) –, na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, se transformou no assunto obrigatório entre os internos do complexo penal. No domingo, dia de visitas, parentes de presos afirmaram que os detentos têm duas curiosidades: ver o goleiro, que está recolhido numa cela individual, longe dos outros detidos, e ter o jogador atuando no time de futebol da penitenciária.

“O pessoal aqui joga futebol e meu filho disse que os presos vão brigar para tê-lo na equipe”, afirma a doméstica Evanir do Carmo, de 52. O comerciante Edvar Bruno, de 41, diz que o filho dele contou que no dia em que o jogador chegou teve até tropeiro no cardápio. “Ele adorou”, completa. Para o motorista Admilson Machado Ferreira, de 47, o clima dentro da Nelson Hungria é de pura brincadeira. “Falam que agora não haverá problemas no gol durante as partidas de futebol, mas os presos acham que Bruno vai embora antes mesmo de iniciar o convívio com os demais detentos. Muitos não acreditam que ele fique preso”, conta o motorista.

Por outro lado, alguns presidiários estariam revoltados com o envolvimento do atleta no sumiço e morte de sua ex-amante. Conforme o aposentado Antônio Estefânio de Sousa, de 67, o filho, que cumpre pena por assalto, lhe perguntou se ele sabia que Bruno estava lá. “Ele sempre pede informações sobre o caso e acha absurdo o que o goleiro fez. Na opinião dele, o ideal seria pagar a pensão à mulher”.

A salgadeira Cláudia Lúcia, de 34, ressalta que nas filas para entrar no presídio, muitas mulheres dizem que queriam “pegar” o ex-amante de Eliza, por causa do que ele teria feito a ela. “As pessoas estão revoltadas, mas meu marido nem toca no nome dele. Também não acho justo que ele tenha uma alimentação diferenciada, nem mesmo a comida dos presos o Bruno merece”, afirma.

Isolados

De acordo com o subdiretor da Nelson Hungria, Rômulo Santos de Castro, o goleiro está tranquilo e passa bem. “Ele não apresenta nervosismo e tem recebido a mesma alimentação de todos aqui dentro desde o café da manhã ao jantar. Já o ex-policial recebe medicamentos uma vez ao dia. Não sei ao certo, mas acho que o problema dele é de pressão”, explica. Porém, o advogado de Marcos Aparecido, Zanone Manoel de Oliveira Júnior alega que ele está com depressão e tem reclamado de saudade da família.

Bruno e os demais acusados do sequestro, tortura e morte de Eliza Samudio continuam isolados no Pavilhão de Triagem da penitenciária. Rômulo de Castro afirma que, pelo fato deles estarem no período de observação, de 30 dias, não têm direito a banho de sol e somente são permitidas as visitas dos advogados, durante a semana. Os suspeitos ainda não têm acesso à televisão ou ao rádio. “Eles não falam nada e não têm contato com os demais presos. Poucos detentos viram o Bruno no dia em que ele passou mal, no trajeto da cela para a enfermaria. Alguns o cumprimentaram”, relata o subdiretor.