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Liminar pode impedir acareação entre suspeitos no caso Bruno

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postado em 18/07/2010 19:47 / atualizado em 18/07/2010 20:04

Pedro Ferreira

Além da orientação expressa para que seus clientes permaneçam em silêncio e só deponham em juízo, os advogados que defendem os suspeitos de envolvimento no sumiço e suposto homicídio da modelo Eliza Samudio, de 25 anos, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes, de 25, lançam mão de uma série de recursos jurídicos que podem prejudicar ou até mesmo inviabilizar as investigações policiais.

A mais recente iniciativa neste sentido é do advogado Zanone Manoel de Oliveira Júnior, defensor do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, de 47 anos, conhecido como “Bola” – preso como suspeito de estrangular, esquartejar e ocultar o corpo de Eliza – que entrou com mandado de segurança no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, com pedido de liminar, para impedir seu cliente de participar de qualquer acareação com outros investigados, bem como a reconstituição do crime ou análise de comparação genética. A expectativa do advogado é que a liminar, para antecipação da decisão, seja julgada ainda nesta segunda.

O mandado de segurança impetrado pelo defensor de “Bola” é mais um capítulo na estratégia que os advogados estão adotando desde o início das investigações, no fim de junho. Como a polícia ainda não encontrou os restos mortais de Eliza Samudio, a principal prova da culpabilidade de Bruno e dos demais suspeitos, os criminalistas procuram dificultar ao máximo a obtenção de outros elementos que comprovem a autoria dos crimes que estão sendo investigados.

Com a orientação para que os investigados permaneçam em silêncio, a defesa impede que a polícia levante contradições nos depoimentos e descubra quem fez o que. O advogado Ércio Quaresma, que coordena o trabalho dos defensores, tem sido rigoroso nessa orientação e já afirmou que quem falar alguma coisa terá de procurar outro advogado.

Agora, o pedido de Zanone para impedir a acareação, a reconstituição do crime ou a coleta de material para exame de DNA de seu cliente, medida que deve ser adotada pelos outros defensores, aumenta as dificuldades do trabalho policial, como o Estado de Minas já havia informado no sábado. O objetivo é impedir a produção de provas científicas que possam incriminar os suspeitos.

Edson Moreira
Zanone conta que entrou com mandado de segurança contra o chefe do Departamento de Investigações (DI), delegado Edson Moreira, para que a mesma juíza que decretou o mandado de prisão garanta a Marcos Aparecido o direito de permanecer calado. “A toda hora, o delegado tira o meu cliente do presídio para levá-lo à delegacia ou fazer uma diligência. Meu cliente já falou que não quer colaborar com nada e que não vai falar nada e não vai participar de nada”, disse o advogado. “O ônus de prova é da polícia, da acusação e do Ministério Público e eles que façam as suas provas. Esse negócio de ficar tirando o meu cliente para lá e para cá já está configurando abuso de autoridade”, reforçou.

O delegado Edson Moreira, bem como os outros delegados que cuidam das investigações, foi procurado pelo EM para comentar as acusações feitas pelo advogado de defesa de “Bola”, mas nenhum dos policiais retornou as ligações do jornal. Mas até o fim da semana os investigadores se mostravam tranquilos. Na coletiva de sexta-feira, Edson Moreira afirmou que havia provas robustas do envolvimento do goleiro Bruno e de todos os outros detidos no sequestro e morte de Eliza Samudio. Para os policiais não há mais dúvidas de que a ex-amante do jogador foi morta e de quem foi responsável pelo crime.

Exames
Dos nove investigados, o único disposto a contribuir com a polícia é Sérgio Rosa Sales. Segundo o seu advogado Marco Antônio Siqueira, o preso aguarda possíveis acareações, novos depoimentos ou levantamentos de locais que, porventura, sejam solicitados pela polícia. Nesta segunda, o defensor vai pedir à autoridade policial que submeta seu cliente a exame toxicológico, para provar que ele não faz uso de qualquer tipo de droga e tem boa conduta. “Sérgio também está à disposição para qualquer outro tipo de exame”, disse o advogado, que vai aguardar a publicação da negativa de relaxamento de prisão para refazer o pedido à própria juíza que julgou o pedido, Marixa Fabiane. “Quero conhecer melhor as justificativas da juíza para manter o meu cliente preso”, disse Siqueira.